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Momento R do Dia – duas dicas

Hoje eu estou bem cansado. Tentei fazer as provas que elaborei, mas já se passaram 25 horas e nada. Acho que não estão fáceis. Puxa, tem gente que vai ficar apavorado. É a vida. Não se pode ganhar todas. Mas eu segui aquela máxima moderninha de que “mais importante é fazer as perguntas certas do que respondê-las”. Pois é. Vinte e cinco horas e nada de resposta.

Boas provas!

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Nem todo brasileiro se livrou da herança da ditadura

Alguns alunos da USP, por exemplo, são escravos da intolerância. O prof. Mauro Rodrigues foi direto ao ponto em seu curto, porém decisivo comentário sobre o lamentável incidente.

Os mesmos que reclamam de intolerância contra esta ou aquela minoria são os primeiros a pedirem violência e tortura para os que deles discordam. No final das contas, não foi contra isto que disseram lutar?

Pode-se não concordar com o professor que gostou da Revolução de 1964, mas isso não lhe dá o direito de, vamos lá, tá na moda, violentar o direito individual da livre expressão.

Pode ter beijo gay, pode tatuar, mas não pode discordar. Belos princípios democráticos estamos construindo…

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Quem poderia condená-lo por escolher seus amigos?

The New York Times piece about Jim’s passing said that he was an austere man who put people and students off. This is a half-truth. For sure, Jim did not suffer fools gladly. On the other hand, if Jim admitted you to the circle of people that he did not consider to a be a fool, you could not have had a better friend. [Tollison, R.D. “James M. Buchanan: In Memoriam”, Southern Economic Journal, 2013, 80(1), p.1-4]

Não conheço ninguém que não seja como James Buchanan neste aspecto. Saber escolher amigos é um aprendizado. Qualquer indivíduo racional consegue desenvolver esta habilidade depois de algum tempo.

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Timeo hominem unius libri? Econometria aplicada a caminho…

Latim?

Expressão de São Tomás de Aquino, eu sei. Significa que um sujeito que conhece muito de um tema é um adversário perigoso. Alguns pensam, incorretamente, que a frase do grande filósofo diz respeito ao livro e, vejam só, saem por aí dizendo que basta ler um único livro para entender do tema.

Os maiores amigos da interpretação equivocada da frase de São Tomás são, paradoxalmente, os educadores (ou, como adoram os supostos jornalistas: os “supostos educadores”). Afinal, como não existe almoço grátis, comprar livro significa diminuir o retorno dos acionistas ou gastar menor em campanhas eleitorais para a reitoria.

De fato, eu concordo que ler 200 livros sobre o mesmo tema é bom, mas demanda muito tempo. Mas eu acredito que o sujeito tem capacidade de saber – melhor do que eu – como alocar seu tempo. Tanto isto é verdade que, quando ele erra na alocação, ele possui inteligência suficiente para criar as desculpas as mais sofisticadas que você já ouviu. Experimente com um aluno qualquer um dia destes: enquanto o povo diz que ele é um coitado burrinho que não consegue se organizar, o mesmo inventa a desculpa mais mirabolante do mundo para justificar sua procrastinação.

Então, no final das contas, cada um sabe o que é melhor para si e não adianta ignorarmos isso. O aprendizado não parte apenas um único livro e o número ótimo de livros depende das preferências do indivíduo e de sua restrição.

Onde estamos? Para onde vamos?

Por que isso tudo? Pelo simples fato de que eu estava lendo dois ótimos livros de Econometria, em busca de algumas explicações sobre estas medidas de outlierspontos influentes. Nunca me aprofundei nisto e sei que econometristas meteram a mão nesta cumbuca há tempos. Assim, para o R, por exemplo, Fox & Weisberg (2011) implementaram várias destas medidas no pacote car. Então, este é um aspecto positivo da tecnologia: temos vários testes e critérios prontos para serem usados.

Entretanto, quando leio Maddala & Lahiri (2009), vejo que estas medidas devem ser vistas com muito cuidado, senão descartadas. Na verdade, em edições anteriores, Maddala já alertava para o fato e isto não mudou nas novas edições em co-autoria com Lahiri.

Ao ler apenas um livro – e ambos são excelentes – você fica com a impressão de que é só sair calculando medidas e critérios. Mas o outro, mais apropriado para o estudante de Econometria, alerta para os problemas no uso indiscriminado de critérios e medidas (quando não aponta erros nos mesmos).

Então, no final do dia, você tem que ler mesmo. Não tem jeito. Tem que ler e ler vários livros, artigos, etc. Não há como ter a produtividade chinesa com elevada qualidade e no patamar necessário para tirarmos este país da lama (ou sua empresa, ou apenas sua vida) sem ler muito.

Dá um olhada no Maddala & Lahiri (2009), no capítulo 10, especificamente. Fox & Weisberg (2011), por sua vez, trata das medidas no capítulo 6. Os dois livros se complementam, mas eu não saberia dos problemas em algumas medidas se não lesse o primeiro.

Dando tempo, eu mostro um exemplo com pontos claramente fora da amostra (influentes? Outliers?) ainda hoje. Já estou olhando para os dados há algum tempo e eles prometem.

Eu acho que vou ler mais este livro de Econometria…
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Quando o assunto é oposição, todo jornalista vira ricardiano

O editorial do Asahi Shimbun de hoje, como não poderia deixar de ser, faz a crítica ao aumento de impostos citando a questão dos gastos públicos. O jornal tem sido sempre um crítico da administração atual e, portanto, não surpreende o tom ricardiano do texto.

But the Abe administration is ramping up the budget, claiming the tax increase create fresh room for spending growth or that public spending should be increased to prevent the economy from losing steam. The administration’s spending binge raises serious doubts about its commitment to the original purpose of integrated tax and social security reform.

Interessante notar que, do ponto-de-vista do editorial, a administração atual segue por um caminho parecido com o da Reagonomics, com aumento de impostos e aumento de gastos. Não é um editorial qualquer. Ao contrário do que leio na imprensa nacional, a qualidade da crítica vai além:

A study of past government attempts to improve their fiscal health found that successful efforts were focused more on spending cuts than on tax hikes. The survey was conducted in the late 1990s by Alberto Alesina, a professor of political economy at Harvard University. Alesina wrote a paper on the study, which looked into various attempts for fiscal rehabilitation made by industrial nations since 1960 onward. In successful cases, the ratio between spending cuts and tax hikes was around 7 to 3.

Este estudo já foi citado por aqui, salvo engano, pelo ex-ministro Delfim Netto, lá nos idos da primeira administração da Silva (vulgarmente conhecido como “Lula”). O artigo do Alesina fazia esta comparação entre cortes de gastos ou aumentos de impostos como estratégia de ajuste pró-crescimento.

A questão do crescimento econômico japonês deveria passar pela parte microeconômica da Abenomics: as reformas de flexibilização dos mercados. Sobre esta, ainda não vemos muita coisa. Os planos da administração Abe certamente seriam mais interessantes se pudéssemos ver medidas mais concretas de estímulo ao setor privado na economia. O editorial, que reclama da “carga que foi transferida para as gerações futuras” (num tom claramente ricardiano), coloca-nos, portanto, uma questão importante destas reformas que governos nos prometem: onde está o aumento da concorrência privada e o efeito crowding-in do investimento público com o privado?

Eis aí uma pergunta que eu gostaria de ver respondida.