Quandl: dados da Petrobrás

petrobras

Ok, certamente é preciso ver aquela queda ali, linear, na segunda parte do gráfico, mas isto pode ser feito por um bom analista (como o Thomaz, por exemplo). Mas o gráfico conta uma história bem simples, né? A descrição da série:

Petroleo Brasileiro Petrobras SA (ADR) (PBR)
Code: GOOG/NYSE_PBR
Desc: Petroleo Brasileiro SA Petrobras (Petrobras) is a Brazil-based integrated oil and gas company. The Company divides its activities into seven segments: Exploration and Production; Refining, Transportation and Marketing; Gas and Power; Biofuel; Distribution and International. Directly or through its subsidiaries, Petrobras is engaged in the research, extraction, refining, processing, trade and transport of oil from wells, shale and other rocks, its derivatives, natural gas and other liquid hydrocarbons, as well as in activities related to energy, development, production, transport, distribution and commercialization of energy. The Company’s offering comprises road transportation products such as Automotive Gasoline, Diesel Fuel, Natural Vehicular Gas, Lubrax; agriculture and cattle raising products such as Sunflower Meal, among others; Industrial products such as Solvents and Paraffins, among others. The Company provides its services both for individual and business clients.
Freq: daily
Cols: Date|Open|High|Low|Close|Volume

Pronto, agora você já tem outro motivo para aprender a trabalhar no R (e com o pacote Quandl).

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Momento R do Dia – Dica de cursos gratuitos

google facebook_nasdaq

É, curso gratuito sobre o Quandl aqui. Claro, o código é bem bobão:

library(Quandl)
library(quantmod)
Facebook = Quandl("GOOG/NASDAQ_FB", type = "xts")
Quandl.search(query = "google")
Google=Quandl("GOOG/NASDAQ_GOOG",type="xts")
candleChart(Google)
candleChart(Facebook)

Simples assim.

História recente do liberalismo no Brasil

Acho que com a grana que o EPL arrecadou, eles bem que poderiam disponibilizar um vídeo com o som melhor (e um enquadramento melhor também). Imagino que farão isto em breve.

Fomos citados, a despeito do que dizem alguns supostos liberais stalinistas…

O vídeo acima cita este blog como um precursor do liberalismo moderno. Não sei o quanto este blogueiro ajudou a influenciar – para o bem e para o mal – os modernos liberais brasileiros, mas agradeço a menção. Afinal, a concorrência pelos corações liberais tem gerado, nos últimos anos, muito latido e pouco diálogo entre alguns supostos liberais. Pois é. Luciana não comunga do stalinismo desta corja, que adora apagar personagens da história…

Como nos ensinou a Escolha Pública, movimentos políticos não devem ser analisados romanticamente e nem os liberais escapam desta lupa buchaniana (olhem as brigas entre libertários norte-americanos que alguns querem reproduzir no Brasil, por exemplo). Saber fazer a auto-crítica e entender os incentivos políticos que guiam os movimentos liberais brasileiros é importante, embora possa, sim, criar inimizades com alguns. Pensando bem, há amizades que não valem tanto a pena assim.

Alguns personagens citados…e não citados

Mas volto à Luciana. Sua palestra resgata algumas figuras históricas e muito desprezadas por alguns jovens maoístas (que se dizem liberais, mas comportam-se como maoístas). Sabe, respeitar o passado não significa concordar com tudo o que foi feito ou dito, mas apenas ser honesto com a história e, ser honesto, neste caso, é um requisito básico para aprender com os erros (e acertos) passados.

Falo de Donald Stewart, Henry Maksoud e, bem, Luciana não citou alguns outros nomes, mas tem uma grande turma aí que ajudou a preservar uma filosofia em tempos de autoritarismo. Eu creio que Og Leme, Roberto Fendt e Alberto Oliva também merecem menção honrosa e sei que ela não os citou por falta de tempo (como tantos outros que eu me esqueço agora…).

Outro bom momento da palestra é quando Luciana cita Pedro Sette-Câmara e o inesquecível episódio do negro dia da consciência negra, no qual algumas pessoas mostraram que não são democratas, mas intolerantes e não podem ouvir uma opinião contrária que já a acusam de…racismo. Fosse hoje em dia, acho que Pedro, Álvaro, Sergio de Biasi e outros seriam os primeiros a comer as bananas.

E não faltou alguém?

Finalmente, a própria Luciana, modesta, não se citou como importante nesta história toda. Poderíamos falar aqui de seu esforço para reinterpretar insights austríacos em um contexto da burocracia pública – sob os protestos de um orientador que, embora não austríaco, entendia que seria impossível fazê-lo, pelo menos como proposto (se bem me recordo, esta foi a discussão dela com o orientador durante o processo) – que resultou em uma monografia que, na minha opinião, expressava a angústia de quem estava buscando tornar o setor público mais eficiente.

Ou poderíamos falar da Luciana que tentou agir, ajudando na articulação de pessoas que pensavam de forma similar em torno de algum tipo de ação concreta. A Luciana no Liber, a Luciana no EPL, a Luciana em discussões no Orkut, enfim, a Luciana em diversos momentos fazendo sua história (ou a nossa história, se é que me entendem).

Eu sei. Fazer a história é um bem público e, portanto, os incentivos para a ação individual, privada não funcionam se não houver alguma regra, algum mecanismo bem construído. Nem mesmo a ideologia – que é um bom incentivo- funciona a contento em todos os casos, como alguns liberais brasileiros já deveriam ter aprendido (basta ler teoria econômica mainstream ao invés de fazer exegese de autores austríacos….ciência não é religião, ponto).

Ora, neste caso, a Luciana também tem tido um papel bastante importante. Ela está fazendo a história, a despeito dos incentivos desalinhados. É preciso mais Lucianas no universo liberal.

O IPCA da Copa – II

Tomo de empréstimo o título do post do Thomaz para lembrar aos leitores que a vitória dos inflacionistas do governo deve vir no meio do ano. Thomaz fez um belo exercício com modelos ARIMA (incluindo sazonalidade, portanto um SARIMA), mas você pode perceber que diferentes metodologias utilizadas pelos consultores (desde um ARIMA até um ARCH, um VARMAX ou uma previsão exponencial) não estão nos levando para um resultado tão otimista quanto as palavras que constantemente escapam à boca do ministro.

Não sei não, mas não vejo muito motivo para otimismo.

O IPCA da Copa

O IPCA tem sido o centro das atenções nos últimos meses. Em patamares altos, coloca em risco, a já ruim, popularidade de Dilma e nos faz questionar a respeito dos coelhos que a presidente e sua equipe pretendem tirar da cartola para reverter a situação, dado que estamos em ano eleitoral.

É muito comum observar governos adotarem medidas de curto prazo em ano de eleição, como um ultimo suspiro antes da sociedade revelar sua preferência por um ou outro governante nas urnas. Mas Dilma tem um problema pela frente. O Brasil não tem mais pulmão para acompanhar o ritmo de suas medidas econômicas e o que poderia ser feito para ajudar, do ponto de vista político, pode atrapalhar e muito.

Depois de ter gastado algumas boas horas criando e testando modelos de previsão de IPCA, cheguei a um SARIMA que, em meio a suas limitações, é coerente e nos ajuda a imaginar um pouco o que está por vir. Vale lembrar que um SARIMA tem um intervalo de confiança generoso, para não dizer outra coisa, e como a previsão foi feita para os próximos nove meses a tendência é que os intervalos fiquem cada vez maiores. Paciência.

Por razões lógicas, não irei divulgar o meu modelo aqui, mas nada melhor do que um belo correlograma para nos dizer um pouco à respeito da coerência de um SARIMA. Segue abaixo:

resisarimaipca

Fiquem à vontade para dar a opinião de vocês. Considero razoável a hipótese de que o modelo é, no mínimo, interessante.

Segue agora o correlograma da série. Os dados são desde janeiro de 1999.

Rplot

Essa é a hora de deixar a imaginação falar. É claro que sem ter estudado um pouco da metodologia Box-Jenkins fica difícil propor um modelo, mas depois de ler um pouco e fazer alguns exercícios, ou vários, as coisas começam a ficar mais claras.

Agora, o ajuste do SARIMA à série original:

Rplot01

Em preto, a série original, em vermelho, o ajuste do modelo. Passível de críticas, lógico. Aceito as que sejam construtivas nos comentários.

Após essa breve introdução, vamos fazer as previsões e observar o que o modelo nos diz à respeito do futuro. Segue as previsões para os próximos nove meses:

Point Forecast        Lo 80     Hi 80       Lo 95    Hi 95

Apr 2014      0.9042943  0.547518540 1.2610700  0.35865288 1.449936

May 2014      0.7342194  0.296905829 1.1715331  0.06540599 1.403033

Jun 2014      0.4632798  0.001661066 0.9248985 -0.24270511 1.169265

Jul 2014      0.4109195 -0.061853178 0.8836923 -0.31212394 1.133963

Aug 2014      0.5092334  0.031540558 0.9869262 -0.22133474 1.239801

Sep 2014      0.5648867  0.084299595 1.0454738 -0.17010786 1.299881

Oct 2014      0.4922249  0.010919725 0.9735300 -0.24386783 1.228318

Nov 2014      0.4882966  0.006923685 0.9696696 -0.24789976 1.224493

Dec 2014      0.6616659  0.180124356 1.1432075 -0.07478836 1.398120

previanual

Como podemos observar através dos resultados, previsão de inflação acima do centro da meta para o resto do ano. Inflação no centro da meta não é pauta mais, nem no discurso do ministro Mantega e muito menos no que tem se observado até aqui. Assim como as Contas Nacionais, o IPCA também passou um processo de margarinarização (entendedores entenderão) e a meta agora é o limite superior, o centro da meta é somente uma abstração neoliberal.

Confesso que IPCA não é o meu forte, por isso, vou encerrar minha análise por aqui. Na previsão, o acumulado do ano está em 7.38, 0.88 acima do limite superior da meta. Ao longo do ano eu venho ao blog e atualizo as previsões, é claro que o modelo vai errar algumas vezes e, espero eu, acertar em outras. A base de dados vai mudando e as previsões também, normal.

Triste ver a década de 80 virando a esquina e nos assombrando novamente, mas uma hora essa conta ia chegar. Por mais engraçado que isso possa soar, tomara que eu esteja errado.

 

Só porque eu joguei uma banana/comi uma banana…

PaperArtist_2014-04-28_18-26-25

Marque a opção correta:

a) … eu não mereço ser estuprado, mesmo que o IPEA tenha feito uma pesquisa horrorosa;
b) … eu não mereço ser expulso do meu time porque o racismo é, por definição, a auto-determinação dos povos do ponto-de-vista das cotas raciais;
c) … eu não mereço ser discriminado porque o racismo é, por definição, errado, já que não existem raças, embora o conceito de raça seja bom para as cotas raciais;
d) … eu não mereço o expurgo do tomate (ou da banana) do IPCA como querem os aliados do ministro da Fazenda;
e) …honestamente? Você não deveria estar se preocupando com a corrupção, com a Copa, etc? O jogador respondeu à altura sem apelar para o papai, a mamãe ou para o titio juiz dando uma resposta sensacional.

Dica: o gabarito politicamente incorreto, neoliberal, individualista, excludente, malvado e feio nos dá a letra “e” como resposta correta.

Academia careta

Eu já vi ótimos artigos receberem comentários do tipo: “mude o título, isto aqui é sério”. Há comentários e comentários, mas este me parece perder o fio da meada. Afinal, um dos objetivos do autor de um artigo é ser lido. Veja, por exemplo, este artigo do Sala-i-Martin. Belo título, não?

Ainda que ele siga a divisão tradicional de tópicos, o que faz um certo sentido porque ciência é feita do mesmo jeito, independentemente do título das seções de um artigo, também é verdade que seções e sub-seções poderiam ganhar títulos mais atrativos.

Eu me lembro, até hoje, de um artigo do Eric Rasmussen (sim, o cara de Teoria dos Jogos) em que ele dava ótimas dicas sobre como formatar tabelas, texto, etc. Claro, há o imperdível livro (livreto) da McCloskey sobre como escrever bem um texto acadêmico, que segue sendo ignorado por muita gente que briga porque o título está “muito floreado” ou porque “a tabela tem um número sublinhado e isto está fora da norma”.

Note bem, não é que não devam haver normas e não é que não existam picaretas que querem desenhar uma ovelha na tabela porque não há conteúdo útil para a mesma. Trata-se de uma questão mais simples, de tornar a leitura do texto mais agradável a atraente ao leitor.

As dificuldades de sair da deflação e o peculiar “custo de menu” japonês

Interessante texto do Yen for Living, acerca do problema de se aumentar preços na economia japonesa. O brasileiro médio está acostumado a não saber quanto paga de imposto (e, curiosamente, também está acostumado a não reclamar com o governo, embora fique como uma criança se remoendo em casa todo amuadinho quando o leão lhe bate à porta…) e pode não entender bem o problema. Afinal, o Brasil ainda tem uma outra diferença com relação ao Japão neste aspecto: nós precisamos sair da inflação fora da meta (mais alta, no caso) e eles aumentaram a meta.

Mas veja que interessante:

The media is reporting that some retailers are taking advantage of the tax hike to carry out price-gouging (binjo neage), but it’s often difficult for the consumer to tell because there is no regulation at the moment that says what retailers have to indicate on price tags and advertisements. That’s because the 3 percent tax hike may be followed in October 2015 by another 2 percentage point increase, thus making the consumption tax 10 percent, so it was thought that it would be too much of a burden on retailers to force them to follow one pricing indication system right away. However, in April 2017 they will all have to indicate prices as totals that include the tax.

O problema não é tanto o aumento do imposto, mas a diversidade na forma de se comunicá-lo. Claro, entra o empreendedorismo até na hora de mostrar este problema (invertido) de custo de menu:

As for indication, most of the stores we visited showed the zeikomi somewhere on the price tags, but enough went the hontai-only or hontai-prominent route to make comparative shopping more of a chore. One particular supermarket, the relatively upscale Yaoko, implemented a novel system. Yaoko indicates the hontai in large print, with the zeikomi in smaller print and in parentheses, complete with decimal point, meaning that the price with tax has been calculated to the hundredth of a yen. Normally, retailers round the fraction down to the nearest ¥1 (unless you sell your wares or services through vending machines, which round the amount up or down to the nearest ¥10), but Yaoko calculates the final price as the total of all the items you purchase at one time.

O autor fala de zeikomi, o que significa o preço já com o imposto incluso e hontai, que é o preço livre de imposto. Interessante? Bem…

In a sense, this may sound more rational than rounding every price up or down on the price tag itself, but when we looked at our Yaoko receipt afterward we discovered that the fraction remaining after the items were totaled was then rounded up to the next yen. It doesn’t sound like much for one customer, but we’re talking thousands of customers a day. It isn’t price-gouging, but it’s definitely something.

Geralmente falamos de custos de cardápio (ou de menu) para falar de rigidez de preços em cursos de Macroeconomia. Lá, a idéia é a de que há custos em se mudar o cardápio e, portanto, preços demorariam a se ajustar a choques monetários.

Mas o cardápio aqui é um pouco diferente. Há um aumento de imposto e uma diversidade de formas de se comunicá-lo às pessoas com espaço para arredondamentos, digamos, distintos (e para o alto, claro). Aparentemente, os menus não estão gerando rigidez alguma, senão o contrário. ^_^

Epidemiologia em R? – Momento R do Dia

Vejam que grande bem público:

In this fourth post on Measles data I want to have a look at correlation between states. As described before, the data is from Project Tycho, which contains data from all weekly notifiable disease reports for the United States dating back to 1888. These data are freely available to anybody interested.

Sensacional, não? Agora, se você acha que aprender o R não tem nada a ver com a área da saúde, você se enganou redondamente. Veja que belo trabalho o autor faz – simples até, apenas descritivo – com esta base de dados.

Existem ciclos? A figura abaixo é do link do post citado. Veja por você mesmo.

Eu sei, eu sei, você ficou curioso. Eu também. Por isto, coloco aqui a página do projeto. Honestamente? Um projeto como este é algo que vale o meu imposto, não estas palhaçadas que temos visto (pesquisas populistas e erradas sobre mulheres e suposto machismo, interferência política no cálculo da PNAD, etc).

Pode falar mal do Obama e do governo norte-americano, mas a estrutura científica do país ainda é a melhor do mundo e, claro, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra. Não há porque confundir o governo de um país com a sociedade do mesmo, como qualquer estudante de Public Choice sabe.

 

Ortodoxia, sim! Por que não? Tem até beijo gay na novela das oito!

Rebuliço e reboliços heterodoxos

Recentemente houve um certo rebuliço (isso mesmo) acerca de um artigo do Paul Krugman publicado, acho, ontem. Alguma coisa sobre choro heterodoxo. Ok, o povo adora discutir Paul Krugman porque, primeiro, dá ibope para o blog, segundo, porque pode ser que ele tenha algo a dizer que seja útil, ao invés de suas críticas ao Partido Republicano, sempre sujeitas a erros crassos.

Mas eu prefiro não citar o Krugman. Prefiro este professor de Oxford, Simon Wren-Lewis, que diz, sobre a economia mainstream:

●     Of course mainstream theory can be conservative. It has been used by some to support a particular ideology. I complain a lot about both. But the most important reason mainstream economics has become dominant is not because of these things, but because it has proved far more useful than all of its heterodox alternatives put together. I agree with Roger Farmer here: economics is a science. Its response to data and events may be slow compared to the normal sciences, for obvious reasons, but it is progressive. I cannot see any fundamental barriers to its continuing development.

●     This is because mainstream economics can be remarkably flexible. One of the sad things about the way economics is often taught is that students do not see much of the interesting stuff that is going on in both micro and macro, and instead just learn what the discipline looked like 50 years ago.

Ele se refere a uma discussão específica, de um povo lá de Manchester, mas creio que levantou bons pontos em seu texto. Note que um dos grandes erros das pessoas é imaginarem que economistas são caricaturas que pensam de maneira binária (sim, a vasta maioria dos críticos de nossa Ciência tem esta visão deformada que, aliás, dizem criticar).

Quem nunca viu um texto de Douglass North citado aqui, levante o braço. Quem acha que a Nova Economia Institucional é sinônimo de Ortodoxia, vá estudar mais antes de falar besteira. Quem acha que este blog tem posts sobre Econometria aplicada porque é ortodoxo, por favor, vá ler um pouco e praticar Economia antes de cometer tamanho erro. Dói mais em você – que morrerá de vergonha ao lado de quem entende do assunto (mas não ao lado dos idiotas que acham que o mundo a ser criticado é o de “cabeças de planilha”) – do que em mim, que tenho que perder minutos do meu tempo valioso para explicar o óbvio: Ciência não é Religião. Aliás, pega lá o A Solidão da Cidadania do Alberto Oliva e leia sobre a diferença entre ciência e religião. Já ajuda um bocado.

À guisa de conclusão

Uma anedota curiosa. Um amigo pessoal meu e também colega de trabalho, o Ari, é um sujeito chegado na econometria. Nada de errado com isto, certo? Pois é. Mas eu, que lia um pouco de Economia Austríaca (ainda leio) porque, sei lá, vai ver eu queria pegar mulher, ou porque eu achava (ainda acho) que há algo válido lá para meu crescimento pessoal (no pun intended, ok?). Pois é. Um belo dia, um sujeito que se diz libertário, perguntou ao Ari como é que ele podia trabalhar comigo pois ele usava econometria e eu falava de Hayek.

Ou seja, o preconceito do sujeito é tal que ele já assume como verdade universal e inabalável que se Mises fez xixi no livro de econometria, todos devem fazê-lo. Mises não sofre de dispersão do conhecimento e, claro, o método científico só vale se for o de, adivinhe, Mises. E ele se diz libertário, pluralista e tal. Não me perguntem o nome do sujeito. Não vou dizer. Mas perceba como a visão do leigo – que não é da área – é sempre tão preconceituosa quanto a dos economistas que dizem criticar.

“And the libertarian girl only wanted to talk about date, Rousseff, ops, Yousef. No mention to the PSDB vs PT eternal and important debate”.

Desenvolvimento Econômico: manchetes que eu gostaria de ver

Primeira: TST quer te obrigar a ter salário menor. Segunda: governo quer doações de campanha das montadoras.

Agora me fala aí como é que o Brasil pode ser uma economia de mercado, neoliberal, que precisa do governo para proteger seu povo dos malvados doleiros amigos de Rousseff Youssef.

Aliás, vamos nos lembrar da relação entre liberdade econômica, liberdade de imprensa, outras instituições sérias e desenvolvimento econômico?

p.s. o artigo sobre populismo não está mais no link original, mas sim aqui.

Viés da mídia?

Interessante estudo (infelizmente, não há um único estudo semelhante para o Brasil) sobre a mídia nos EUA.

Note como a ciência, mais uma vez, mostra que nem sempre o que você pensa é o que ocorre.

Conventional wisdom holds that publishers impose their views on newsrooms. Not so, say Gentzkow and Shapiro.

Por que?

Just as ice cream makers give customers the flavors they want, newspapers give their readers the stories and slant they want. It’s a market phenomenon. Ice cream makers strive to maximize ice cream consumption and profits. Papers try to maximize readership and profits. Newspapers are commercial enterprises that respond to economic signals and incentives. Editors, producers and reporters sense what appeals to their readers and try to satisfy these tastes.

Pois é. Nada que eu não esperaria, enquanto economista. Esta história da mídia malvada e feia que impõe suas opiniões a consumidores ignorantes ou irracionais não cola. A realidade é muito mais interessante do que estas teorias conspiratórias (que são ótimas para jogar a culpa nos outros).

Impacto da lei ou não? – PEC das domésticas

Em 2013, cresceu o número de empregadas domésticas diaristas e diminuiu o de mensalistas com e sem carteira de trabalho assinada. Elevou-se o rendimento médio real por hora das diaristas e das mensalistas com carteira de trabalho; o aumento foi o maior dos últimos 17 anos. Mais de 80% das mensalistas sem carteira assinada e das diaristas não contribuem para a Previdência Social.

Os dados estão aqui e o estudo completo, aqui. Sim, trata-se de São Paulo apenas. Mas já é uma interessante questão para se pensar: como é que podemos saber se a mudança na lei teve impacto? O economista responsável pela pesquisa, no Estadão, diz que não se pode atribuir esta queda exclusivamente à lei e, sem um estudo mais detalhado, não há como discordar dele.

Mas a pergunta permanece no ar e a teoria nos diz que, sim, a lei deve ter tido (ou ainda gera) este efeito. A dificuldade, claro, é separar o efeito da lei de outras variáveis importantes que têm mudado ao mesmo tempo (como a inflação, o crescimento tímido do PIB per capita, a expectativa de novas leis, etc).

Alguém se candidata ao estudo?

Recursos Humanos…em R

Eis um interessante texto. Assinar o Predictive Times é gratuito e você pode se entreter com uma leitura como esta:

Much has been written about customer churn – predicting who, when, and why customers will stop buying, and how (or whether) to intervene. Employee churn is similar – we want to predict who, when, and why employees will terminate. In many ways, it is smarter to to focus inward on employees. For one thing, it is far easier for an company to change the operations or even the behavior of an employee, than that of a customer. As will be seen, employee churn can be massively expensive, and incremental improvements will give big results.

Sim, vai levar tempo para ler tudo e olhar para o modelo dos autores, mas já deu para sentir que a ciência dos Recursos Humanos é muito mais interessante do que nosso amadorismo tupiniquim, não? E olha que gráfico supimpa!

Estas coisas é que animam a gente.