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João Turco! Ah, João Turco!!

20140331_170458Há momentos na vida de um homem em que ele se coloca entre a cruz e a caldeirinha. Ou seria entre a cruz e a espada? E, se fosse no Islã? Seria entre o crescente e a espada? Não sei. São perguntas difíceis, que confundem a cabeça de milhões de jovens pelo mundo. Alguns até usam isto como desculpa para dizer que confundem função Cobb-Douglas com curvas de indiferença de uma função Cobb-Douglas, como se fosse fácil confundir a sombra de um Audi A4 com…um Audi A4.

Rá-Ti-Bum

Mas, eu dizia, há momentos na vida em que nos vemos diante de um dilema. São momentos de tensão. Todos já passamos por algum momento assim: compro uma bicicleta ou caso? Jogo o macarrão fora ou guardo na geladeira? Disparo os mísseis contra a URSS ou não?

Dilemas, percebe-se, há muitos. Mais ainda, são variados. Tem de tudo, não é? Uma questão clássica de custo de oportunidade, eu sei, você sabe e o pessoal do IPEA que acredita no machismo em amostras não-aleatórias também sabem. Estuprar: pode ou não? Olha, com o policiamento que temos, até pode. Mas você pode ir preso. Mas outro dia mesmo um adolescente assassinou brutalmente a namorada e a imprensa mostrou-se, como diria o otimista Mantega, “nervosinha” com o caso. Já notou que o caso foi esquecido? É, a tal maioridade penal é uma discussão que só faz sentido no programa de meio-dia da TV.

Mas há dilemas! Não nos esqueçamos. Há dilemas e dilemas. A presidente tinha lá um laudo de duas páginas e meia sobre uma refinaria em Pasadena. Tinha um dilema: ler ou não ler. Talvez perdida olhando o cachorro que há atrás de toda criança, em devaneio poético, lembrou-se dos tempos de estudante, tempos em que era contra a proibição do porte de armas, e deixou de lado o gigantesco laudo. Pena que não o trocou por uma Constituição ou um clássico da literatura. Mas há gosto para tudo, mesmo no tenso mundo dos dilemas.

Ah, dilemas…há dilemas! 

Dilmagogia é uma palavra que se me apresenta como um dilema (dica do prof. Diogo): uso-a para fazer humor ou vão usar o Marcos Civil, aquele rapaz mal-humorado que não gosta de piadas contra poderosos, para me calar? Mas o humor é livre, não é? Bem, depende. Caso ofenda uma apresentadora de TV lembrar-lhe que fez filmes nuas com menores – ah, bons tempos… – ela pode ligar para o Marcos Civil:

– Alô, Marcos?
– Fala, loira! Tudo em cima?
– Olha, não vamos perder tempo. Uns baixinhos aqui me ligaram me falando de um filme que fiz..bando de pixotes nojentos!
– Pode deixar, sou contra as corporações! Vou fazer o que você disser. Mas só porque é você, amiga de tantos anos…

Sim, meus caros, dilemas. E você pode me perguntar: mas qual é seu dilema? Bem, veja a foto do início deste texto. Ela me remeteu a 1982, o ano em que perdemos a Copa (os atleticanos se lembram do que fizeram no jogo, certo?) para a Itália. Sim, Itália, aquela galera que entra nas guerras e muda de lado no meio para sair ganhando. A Itália, de onde vieram os socialistas e os anarquistas para nossos cafezais. A mesma Itália que é responsável por aquele sotaque do ô meu paulistano. Sim, amigos! Eles mesmos!

Foi um jogo histórico. Ali morreu minha paixão por futebol (que me pediu para ser enterrada perto de um rio, numa menção a um índio norte-americano). Morreu mesmo. Acho que ela se suicidou após a derrota para a Itália. Lembro-me bem do momento: ela olhou para mim, eu olhei para ela, os olhares tristes, solitários, frustrados. A Itália levou embora meu sonho de ver o Brasil campeão naquele ano.

Sim, eu superei isto e nunca botei a culpa nos meus pais (não sou como estes Y-chorões e seus filhos amuadinhos que não aguentam duas doses de Enxadex na semana sem pedir uma lei especial para garantir sua felicidade falsa…). Mas aí eu ando na rua, voltando de meu veterinário, e deparo-me com a vitrine de uma loja de festas. Faço questão de repetir a foto.

20140331_170458

Viram aí? Há alguém como eu nesta loja. Alguém que se vingou dos italianos por alguns instantes. Eu conheço um italiano cujo nome será alterado para preservar sua identidade: João Turco. João Turco é um italiano. Não via um desde sempre. Só conhecia italiano de filmes e jogos de futebol. Ele é meu amigo. Aí eu vi a vitrine. Vejam, vocês podem até ver meu reflexo lá. E, sim, o dilema foi resolvido: eu publiquei a foto aqui, neste texto, cujo título evoca este italiano safado, representante da seleção que me tirou do coração o futebol!

Vitória atrasada? Frustração vencida? Tristeza enterrada? Não. Jamais se enterram as lembranças do passado. Elas permanecem sempre lá, em minha mente, nos sonhos, lembrando-me que perdemos aquela Copa nos pés dos italianos. Não há vingança possível, infelizmente. Mas há o humor. Ainda há o humor. Não tão engraçado – mas eu sempre posso dizer que “é para poucos”, como se isso me desse ares de um humorista superior, intelectualmente falando – e, bem, muito atrasado. A vitrine chegou tarde. Minha infância, minha adolescência, tudo isto se foi. Só me restou a amargura e, como tantos, virei bom goleiro por um tempo.

Ironicamente, também não gosto de molho de tomate no macarrão (sim, João Turco: M.A.C.A.R.R.Ã.O.!!!). Por outro lado, não curto macarrão italiano. Decerto (decerto? Uau! Faz um self que vão dizer que sou elitista no uso da língua!) é uma vingança inconsciente. Ah, João Turco, finalmente nós ganhamos de 3 a 1. Pelo menos na festa de alguma criança. Será que teve brigadeiro?

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