Uncategorized

Para a galera da 112! – A série do IPCA

Ola, pessoal!

Este é o meu primeiro post aqui no Gustibus. Desvinculei-me formalmente do NEPOM na semana passada e a partir de agora vou postar somente nesta plataforma. Graças ao NEPOM, hoje faço parte de uma grande instituição financeira. Minha eterna gratidão a toda equipe. Infelizmente o tempo vai ficar curto e integrar o NEPOM como um membro tornou-se impraticável.

Aliás, tem o meu texto de despedida, uma breve análise que o professor Ari me pediu na última reunião. Ficará para depois da minha semana de provas.

Esse post é o resultado da ultima aula de Econometria II do IBMEC MG, matéria ministrada pelo professor Claudio Shikida.

Para o leitor que não é aluno da matéria, na ultima aula trabalhamos com a série do IPCA. Analisamos os correlogramas, propomos alguns modelos e fizemos algumas previsões.

Para quem não levou o computador ou não anotou os scripts, creio que esse post pode ser bem interessante. Vale lembrar que a P1 está chegando e saber lidar com o R será muito importante. Aqui terá SOMENTE os scripts. A parte de gerar as saídas e correlogramas fica por sua conta!

#Bom pessoal, a primeira coisa que precisamos fazer é importar os dados.. 
#Como estou usando o RStudio e creio que você já sabe fazer isso, vou pular essa parte 
#Já com a base de dados dentro do programa, vamos avisar o R que 
#A série "esta no tempo"
ipca<-ts(ipca99$IPCA, start=c(1999,1), freq=12)
#Ok, agora vamos fazer um gráfico da série 
plot(ipca)
#eu nao gosto de trabalhar com essa série cheia por conta do pico entre 2000 e 2005
#vamos tirar o “efeito metalúrgico” da série..
#Vou pegar a serie a partir de 2005
ipca1<-window(ipca, start=c(2005,1),freq=12)
plot(ipca1)
#Bem melhor..
#Agora vamos fazer um teste ADF para vermos se a série é estacionária
#E se já da para começar a usar ARIMA com ela 
library(urca)
testeADFipca<-ur.df(ipca1, type=c("drift"), lags=12, selectlags=c("BIC"))
summary(testeADFipca)
#o h0 de ADF nos diz que a série possui raíz unitária. O teste rejeita a hipótese nula
#tem um drift também, mas não tem muita importância aqui para nós
#podemos começar a trabalhar com ela!
#antes de propor um modelo para a previsao do IPCA, vamos olhar para o padrão de autocorrelação da série
library(forecast)
tsdisplay(ipca1)
#Agora é hora de deixar a imaginação falar mais alto
#Duas coisas são importantes conhecer para começar a modelar, o padrão AR, o I e o MA
#Como a série é estacionária, o I nós sabemos que é zero 
#O AR e o MA são mais complicados, levando em conta o padrão sazonal da série.
#Vamos tirar a sazonalidade e olhar para a série de novo 
ipcadec<-decompose(ipca1)
ipcalimpo<-ipca1-ipcadec$seasonal 
tsdisplay(ipcalimpo)
#Agora sem sazonalidade, eu me arrisco a dizer que se parece um pouco com um processo AR(1)
#Mas a previsao de IPCA sem sazonalidade não me diz nada, então..
#Enfim, o desafio agora é modelar.. E não, não é trivial. 
#deixei a minha base de dados com uma coluna incompleta
#para testar meus modelos... Vou propor um modelo ARIMA (1,0,0)x(1,0,0) e testar
#fazendo uma previsao para abril de 2013
#Chamando a minha coluna incompleta
ipcatest<-ts(ipca99$IPCAteste, start=c(1999,1), freq=12)
ipcateste<-window(ipcatest,start=c(2005,1), freq=12)
arimateste<-arima(ipcateste, order=c(1,0,0),seasonal=list(order=c(1,0,0), freq=12))
resiteste<-residuals(arimateste)
tsdisplay(resiteste)
previsaoteste<-forecast(arimateste,h=1)
previsaoteste

Point Forecast Lo 80 Hi 80 Lo 95 Hi 95
Apr 2013 0.4545263 0.1911108 0.7179418 0.0516671 0.8573855

#errou.. o realizado foi de 0.55.. Modelos erram e acertam, faz parte e a vida segue
#Por isso que economistas que propoe modelos que acertam muito ganham o Nobel
#Não é fácil

Agora você já sabe como fazer previsão com um ARIMA! Ontem eu fiquei quebrando a cabeça com alguns modelos e acho que econtrei um com um bom ajuste. Segue a minha previsão!

#Este é o meu modelo.. Claro que não vou contar qual é.. RÁ!
arimathomaz<-arima(.)
resthomaz<-residuals(arimathomaz)
tsdisplay(resthomaz)
previsaothomaz<-forecast(arimathomaz,h=1)
previsaothomaz

Point Forecast Lo 80 Hi 80 Lo 95 Hi 95
Mar 2014 0.617406 0.4011491 0.8336628 0.2866696 0.9481423

Ao longo do semestre pretendo fazer posts mais completos, com os gráficos e as saídas. O problema é que isso demanda tempo e as minhas provas estão chegando, então…

Daqui pra frente, teremos muito o que conversar à respeito de Econometria e R aqui no Gustibus.

Então, até mais!

Anúncios
Uncategorized

Momento R do Dia – Rcharts

Fullscreen capture 3292014 25550 PM

 

Clique na figura para se divertir com o gráfico. Passe o cursor do mouse pelas linhas do gráfico para ver os valores. É, eu quebrei um pouco a cabeça mas consegui.

A propósito, o Thomaz saiu do Nepom para um estágio em um banco e, vejam só, virou autor convidado deste blog. Começará experimentalmente em breve aqui. Ele também tem que fazer um post final sobre uma pergunta que o prof. Ari lhe fez na última apresentação do Nepom.

É, legal, né?

Uncategorized

Meu primeiro salário de estagiário foi gasto com, dentre outras…

20140329_082345

 

Foi um tempo em que eu, percebendo não ser um sujeito tão inteligente quanto pensava que era, comecei a ler um pouco fora da área de conhecimento. Não deu outra. Como eu não nunca fui um sujeito muito bom em Microeconomia, não convexificava nada e só comprava livros parecidos: quando não era Mário de Andrade era…Mário de Andrade.

Ou ganhava dos amigos, ou pegava emprestado (e o devolvia, claro!). Mas certa vez emprestei um e…

20140329_082817

 

Pois é. Empréstimo de coisas pessoais é algo que se faz com pessoas confiáveis, né? Não me lembro para quem eu teria emprestado e nem como o perdi. Mas me lembro que tive que comprar outro exemplar do livro.

Uncategorized

De sebos, propagandas na era da hiperinflação e da impossibilidade do pão grátis

20140329_074646

Na época em que não havia internet, eu, estudante duro de tudo, tinha que economizar para comprar livros. Quando o livro nem era da faculdade ou da escola, pior ainda. Mas para isto existem os sebos e eles já foram mais bem diversificados do que hoje.

Geralmente os bons sebos têm uma tabela de preços e usam códigos anotados na primeira ou na última página do livro. Este é – ou era – o sistema de precificação deles, provavelmente fruto da era de hiperinflação.

Como eu disse, não havia internet. Nem celular e, muito menos, smartphone. Então, você tinha que fazer sua pesquisa de preços gastando mais calorias do que hoje. Assim, não é difícil perceber o porquê do vendedor me colocar esta frase na capa do “Memórias”, de Raymond Aron, que comprei lá por estes tempos (e, de fato, não terminei de ler, fiquei por volta de 1/3 do livro e me lembro bem de ter prometido terminá-lo no futuro, o que resultou em uma promessa de ler tudo de novo um dia, quando tiver tempo…).

Bom, dizia o vendedor que o preço era menos da metade do valor [do livro] novo. Como a foto denuncia, eu acreditei.

P.S. Não tem pão grátis, meu amigo!

“- É Sartre, o inferno são os outros. Mas o pior inferno são os outros cegos pela ideologia tentando nos impor sua visão de mundo na porrada”.

Só para matar a curiosidade do leitor, um bom trecho do livro está no capítulo XII (acho que usei este capítulo para estudos, na época), quando o falecido sociólogo francês (curiosamente, os nossos “progressistas” e “supostos” professores de História, que adoram sociólogos e, mais ainda, franceses, têm muito cuidado em ocultar este autor de seus alunos…quanto pluralismo!).

Citando:

Lembro-me de um cronista econômico, no Figaro, esclarecido, atento ao dia-a-dia, que comentou seriamente a eventualidade próxima do pão gratuito na União Soviética. Por que não lhe ocorreu – mesmo sem evocar a miséria da agricultura soviética – que o pão, e portanto o trigo, gratuito, seria esbanjado como alimento para os animais e logo se tornaria raro? Não diria que o medo lhes orientava a pena. Diria antes que esses analistas de circunstância queriam inconscientemente testemunhar sua liberdade de espírito, seu sentimento ‘progressista’. Insistiam em reconhecer as virtudes, a eficácia de uma organização social, que recusavam por outro lado, por outras razões. [Aron, R. “Memórias”, cap.XII, p.335-6, Editora Nova Fronteira, 1986]

O capítulo, em questão, conta um pouco a motivação de Aron em escrever seu famoso O ópio dos intelectuais que era nada mais, nada menos, do que o marxismo. Digo, talvez ainda seja.

Chamo a atenção para o aguçado raciocínio de Aron acerca da impossibilidade da gratuitade do pão, óbvia para economistas, eu diria, mas muito bem explicada por ele. Obviamente, a ausência de direitos de propriedade privados sobre recursos como o trigo só levam a um tipo de “pão gratuito”: o pão em quantidade nula. Por que? Porque, como diz ele, com a razão ao seu lado, a tendência é que o recurso seja utilizado lá mesmo onde é produzido, de forma ineficiente.

A última coisa que sairia disto seria uma baguete de pão e, menos ainda, gratuita. Pelo contrário, a tendência é a escassez e, portanto, o preço seria muito maior do que o que se encontraria, por exemplo, numa economia mista…

Aron merece uma releitura de quando em vez.

Uncategorized

Empreendedorismo: duas histórias

A gente acorda no sábado e encontra o jornal na porta de casa. No caso, o Utiná Press, jornal dos descendentes da província de Okinawa (a mais poderosa, eu diria, no Brasil). Aí eu vejo duas histórias de empreendedorismo.

O trabalho liberta!

Primeiro, a notícia de que a pequena Melissa Kuniyoshi está a caminho de lançar seu primeiro CD no Japão. Tendo começado no programa de Raul Gil (que sempre erra a pronúncia do nome dela, não?), a menina foi para o Japão e, como diria o pessoal da “centro-periferia”, deve começar a explorar os trabalhadores dos países centrais com seu talento musical (mais um exemplo de que esta teoria não explica muita coisa mesmo…). Confira o talento dela, por exemplo, aqui, com o grande sucesso de Rumiko Koyanagi lá dos 70-80, Seto no Hanayome e também aqui, já um pouco maior, com Hanamizuki, um sucesso mais recente da cantora taiwanesa, Hitotoyo.

Eu sei, eu sei, você também acha que o Ministério Público deveria intervir impedindo esta “exploração do trabalho infantil” porque você não consegue pensar em diferentes instituições que possam permitir que o talento individual floresça em crianças que deveriam, isto sim, estar estudando filosofia e sociologia para se tornarem cidadãs. Bem, você está errado, ponto.

O trabalho no Japão não é fácil, mas a família deu um passo arriscado e, espero, que fará de Melissa um sucesso.

“A emissora de TV do Japão Nihon Terebi veio até o Brasil para fazer uma matéria com ela”, conta Milton. No ano seguinte, foi a vez da TV Fuji manifestar interesse e Melissa percorreu o caminho inverso para participar de um programa musical exibido pela emissora japonesa.

A repercussão no YouTube foi o “cartão de visitas” de Melissa para Suzuki Jun.“Ele disse que gostaria de tê-la como aluna”, lembra Milton, afirmando que o convite feito pelo compositor é raro até mesmo para os próprios japoneses. “Nessa faixa etária da Melissa é muito difícil encontrar alguém com seu talento”, garante o pai.


A decisão, no entanto, não foi das mais fáceis para a família. Afinal, se tratava de uma mudança radical, que poderia colocar em jogo não só o futuro de Melissa como também mexeria com toda a família.

Uma trajetória de sucesso? Só esperando o CD para ver. Mas dá para perceber que talento a menina tem.

Como um japonês enriqueceu fabricando cocadas

Em segundo lugar, a história de um imigrante que começou como tantos, no interior de São Paulo, na lavoura e terminou empresário. É a história de Tokujin Higa – fundador do Higa Atacados – cuja família saiu de Okinawa e veio parar neste maravilhoso país das oportunidades que faz justiça a todas as raças (eu sei, soa nazista, mas o governo brasileiro tem promovido o termo, então, por favor, seja mais solidário e aceite o nazismo oficial em seu coração…).

Voltando ao que interessa, o jornal conta a trajetória do empreendedor. Após passar pela lavoura, virou aprendiz numa fábrica de cocadas. Obviamente, passou a vender cocadas nas ruas, em Campinas. Quando o dono da fábrica se retirou, ele assumiu. Passou a fabricar e a vender cocadas. Nada mais bonito do que ler:

Os utensílios utilizados desde esta época foram guardados com carinho por Tokujin, desde as ferramentas utilizadas para quebrar as cascas do coco, as colheres de medidas para fazer as cocadas, o primeiro tacho utilizado na fabricação dos doces e a cesta de bambu que utilizava para fazer as vendas. Tudo guardado, datado e catalogado. (Utiná Press, Mar/2014, p.22)

A expansão do negócio fez com que ele trouxesse os irmãos para a empresa. A reportagem prossegue contando como evoluiu o negócio de Higa com a construção de uma fábrica e a incorporação de novos produtos (doces) ao catálogo da empresa. Após a era heterodoxa de “planos” para combater a inflação veio a crise dos anos 90 que fez com que a fábrica parasse. O fim da produção dos doces veio com a mudança da empresa que passou a trabalhar com atacado e varejo, comercializando produtos de terceiros.

Ah sim, existe um Museu Histórico “particular” (assim nos conta o jornal), com o registro da trajetória da empresa. Mais ainda, parece que exist um livro, lançado pela ocasião dos 50 anos da empresa (1964-2014).

Pois é…

Interessante esta tal de Economia, não? Japoneses que percebem as preferências dos consumidores e aprendem a fabricar cocadas (e não doces de feijão) ou crianças que cantam músicas que agradam consumidores do outro lado do mundo usam seu talento para melhorar suas vidas.

Quem poderia ser contra empreendedores? Só mesmo gente que não trabalha ou que não tem talento. Afinal, empreender faz parte do DNA humano, não é mesmo? Bom dia.