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Seu anti-liberal excludente!

Seu (neo)liberal excludente!

Embora a frase seja muito comum entre aqueles despreocupados com o significado do que dizem (afinal, o que seria um neoliberal?), o fato é que um pouco de análise estatística altera um pouco esta visão pouco trabalhada e rasteira da realidade.

Por exemplo, usando uma das medidas de capital humano do Robert Barro, o índice de filantropia (World Giving Index) e a variável de cultura usada por Claudia Williamson, observo que as coisas não são bem assim. Veja.

cultura_filantropia

 

Temos aí em cima um gráfico dividido por intervalos na medida de capital humano. O último segmento mostra que há três países para os quais não tenho esta variável e podemos desprezá-lo. Entretanto, o que observamos nos outros casos? Aparentemente, uma variação maior nos dados, que nos permite pensar em estimar relações.

Assim, vejamos a segmentação com dois métodos: um ajuste linear e um polinomial.

cultura_filantropia2

cultura_filant3

Pois é. Com quatro segmentos, praticamente perdemos os dois extremos. O que dizer dos países com muito pouco ou com nenhum capital humano na base de dados? Assim, eu recalculei o número de segmentos.

cultura_filant4

Repare que, na amostra, a maior parte está concentrada na faixa intermerdiária. Não há tantas observações assim no primeiro segmento. Assim, vamos para mais uma rodada.

cultu_6Eu sei o que você vai dizer: que eu deveria ter feito apenas um gráfico. Na verdade, não. O ponto do argumento aqui foi o de verificar se havia diferenciação por faixas de capital humano. A educação, de fato, faz diferença? Veja, se eu seguir o ajuste linear, encontrarei uma relação positiva e, no caso polinomial, o ajuste não é tão diferente assim. Mas a dispersão é realmente um fator bem pouco conclusivo.

Liberal excludente? Ou socialista excludente?

Pelo que vimos acima, não há motivos para se rotular “liberais” de excludentes. Aliás, o ajuste mostra uma ligeira vantagem, digamos, moral, para os liberais e sua cultura individualista (não me confunda com os randianos, por favor). Isto não é algo que me espanta, para ser sincero. Afinal, em uma cultura rent-seeking, o objetivo é sempre criar leis, incentivar a ação de advogados, buscar mudanças nas leis, tudo isto para transferir recursos de parcelas da sociedade para grupos de interesse específicos. O que pode ser mais excludente do que justificar a transferência do fruto de seu trabalho – sem contrapartida monetária – para algum grupo específico? Só consigo imaginar no roubo, que é exatamente a mesma coisa, só que sem o consentimento legal.

Há mais, há mais…

Eu sei, há mais. Como isto é apenas um post na internet, certamente não é conclusivo em nada. Mas o leitor pode sair daqui com uma certeza: não dá para associar “liberalismo” com “desejo de excluir as pessoas da sociedade” ou com algum tipo de perversão anti-social.

p.s. Mais sobre cultura aqui.

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