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Finalmente a justiça foi feita!

Agora temos a fonte oficial: os ingleses nos dizem quem são os líderes dos pós-keynesianos no Brasil. Nenhuma surpresa, eu diria.

Nada como uma fonte relevante para nos tirar das mãos dos ilusionistas, não?

UPDATE: Mais sobre este grande livro (aquisição obrigatória em faculdades públicas pluralistas) aqui.

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Ainda sobre mapas, canibalismos e jogos de soma zero

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Aproveitando a citação bibliográfica que fiz agora há pouco, repare neste outro mapa, Tabula Novarum Insularum de 1544 (no mesmo livro citado anteriormente, p.49). Digo, repare bem no que está ali escrito no nordeste brasileiro.

Honestamente, se a primeira impressão é a que fica, ou se foi amor à primeira vista, não sei. Mas parece que o país não mudou tanto, não é? O canibalismo continua comendo solto (trocadilho infame, porém adequado) nas terras brasílicas. Digo, não este, mas o do Oswald. Ouço discursos infames, ultra-xenófobos, vindo de gente que parecia civilizada.

Não que não se possa defender seus gostos por valores X ou Y, mas achar que os valores X ou Y são estáticos e que existem puros e limpos previamente à influência estrangeira é de uma falta de raciocínio digna de um pedaço de pedra.

O canibalismo poético de Oswald e companhia – similar ao movimento de escritores japoneses da era Meiji, em defesa dos valores nacionais, imagino – transformou-se em um canibalismo pobre, sem poesia, embrutecido, que pensa o comércio como um jogo de soma zero (um erro primário, mas comum, mesmo entre supostos Ph.D’s…). Um canibalismo que defende que apenas o brasileiro possa explorar o brasileiro.

Conseguiram, finalmente, convencer as pessoas de que nossas “elites” eram apenas fantoches autóctones dos imperialistas malvados, a despeito de tantos estudos históricos com evidências em contrário. Deu no que deu. Em meio a tantos políticos com diploma universitário, por exemplo, houve quem quisesse impor a exigência de provedores fisicamente instalados no Brasil, não foi?

Canibais estão soltos, leitores. Eles querem sua liberdade, sua individualidade, seus direitos e, claro, seu dinheiro, fruto de seu trabalho. Ah sim: canibais, muito cuidado. Com tanta fome, vocês acabarão se devorando. O banquete terminará com seu próprio órgão genital enfiado em sua própria boca, em um espetáculo sado-masoquista que começa com a arrogância e com o “eu não sabia de nada” de nossos governistas hoje.

Para o inferno, com boa vontade, bastam poucos passos.

 

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País complicado este…

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Um dos mais belos presentes que já ganhei foi o A Cartografia Impressa do Brasil – os 100 mapas mais influentes 1506-1922, de Max Justo Guedes, Capivara Editora, 2012. Não há palavras para agradecer aos ex-alunos que me presentearam (quem foram? Quem foram? Adivinhe!).

O mapa acima é o Americae sive Orbis, nova descriptio, de Abraham Ortelius, editado em 1564. Dá para ver um Brasil mais ou menos esboçado, com um divertido rio Amazonas senoidal. Mais complicado que desenhar o mapa, como aponta o autor, é pensar que, embora o desenho geográfico, hoje, seja mais preciso, as instituições deste país são monstruosamente feias, disfuncionais e anti-cidadadania, mesmo que tenha o apoio da mesma (que, ironicamente, eu diria, sofre de um problema de meta-alienação de classe, apoiando-se em um marxismo primevo, superficial, de livro-texto dos bancos escolares…não, tô brincando, eu não acredito em burrice eterna…).

É um belo mapa, este! Meus ex-alunos – estes, especificamente – têm uma notável capacidade de leitura de personalidades: sempre que converso com eles um pouco mais posso ver que eles me entendem melhor do que eu me entendo. Bom, não vamos exagerar, mas eles captam o sentido da coisa com uma intuição de assustar.

Na ocasião deste aniversário o Brasil passava por momentos preocupantes. Hoje, eu diria, há motivos para se ficar mais preocupado. Por enquanto, o melhor que posso fazer é imaginar as viagens daquela pequena caravela ali, perto das praias nordestinas. Navegar é preciso, disse o poeta lusitano. Não foi? Naveguemos, pois.

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Marco Civil Norte-Coreano acaba com cortes discriminatórios de cabelo!

Agora sim, as discriminações neoliberais com este gosto doentio pela diferença, fruto do egoísmo, vai acabar.

Repare que a história se limita “apenas” aos estudantes, como bem pesquisado pelo pessoal da BBC.

Imagino a alegria dos estudantes brasileiros filiados aos partidos que aplaudem o regime norte-coreano: eles não precisam seguir as regras do ditador e ainda podem continuar fazendo seu discurso pró-Coréia do Norte!

Não é o melhor dos dois mundos?

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Seu anti-liberal excludente!

Seu (neo)liberal excludente!

Embora a frase seja muito comum entre aqueles despreocupados com o significado do que dizem (afinal, o que seria um neoliberal?), o fato é que um pouco de análise estatística altera um pouco esta visão pouco trabalhada e rasteira da realidade.

Por exemplo, usando uma das medidas de capital humano do Robert Barro, o índice de filantropia (World Giving Index) e a variável de cultura usada por Claudia Williamson, observo que as coisas não são bem assim. Veja.

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Temos aí em cima um gráfico dividido por intervalos na medida de capital humano. O último segmento mostra que há três países para os quais não tenho esta variável e podemos desprezá-lo. Entretanto, o que observamos nos outros casos? Aparentemente, uma variação maior nos dados, que nos permite pensar em estimar relações.

Assim, vejamos a segmentação com dois métodos: um ajuste linear e um polinomial.

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Pois é. Com quatro segmentos, praticamente perdemos os dois extremos. O que dizer dos países com muito pouco ou com nenhum capital humano na base de dados? Assim, eu recalculei o número de segmentos.

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Repare que, na amostra, a maior parte está concentrada na faixa intermerdiária. Não há tantas observações assim no primeiro segmento. Assim, vamos para mais uma rodada.

cultu_6Eu sei o que você vai dizer: que eu deveria ter feito apenas um gráfico. Na verdade, não. O ponto do argumento aqui foi o de verificar se havia diferenciação por faixas de capital humano. A educação, de fato, faz diferença? Veja, se eu seguir o ajuste linear, encontrarei uma relação positiva e, no caso polinomial, o ajuste não é tão diferente assim. Mas a dispersão é realmente um fator bem pouco conclusivo.

Liberal excludente? Ou socialista excludente?

Pelo que vimos acima, não há motivos para se rotular “liberais” de excludentes. Aliás, o ajuste mostra uma ligeira vantagem, digamos, moral, para os liberais e sua cultura individualista (não me confunda com os randianos, por favor). Isto não é algo que me espanta, para ser sincero. Afinal, em uma cultura rent-seeking, o objetivo é sempre criar leis, incentivar a ação de advogados, buscar mudanças nas leis, tudo isto para transferir recursos de parcelas da sociedade para grupos de interesse específicos. O que pode ser mais excludente do que justificar a transferência do fruto de seu trabalho – sem contrapartida monetária – para algum grupo específico? Só consigo imaginar no roubo, que é exatamente a mesma coisa, só que sem o consentimento legal.

Há mais, há mais…

Eu sei, há mais. Como isto é apenas um post na internet, certamente não é conclusivo em nada. Mas o leitor pode sair daqui com uma certeza: não dá para associar “liberalismo” com “desejo de excluir as pessoas da sociedade” ou com algum tipo de perversão anti-social.

p.s. Mais sobre cultura aqui.