Uncategorized

Utilidade marginal da renda (ou das moedas…) e o monge zen budista Ryoukan

A pergunta da qual o aluno foge…

Qual é a utilidade marginal da moeda (renda)? Alguém poderia me dizer que é o multiplicador de Lagrange. É, eu sei que esta é a interpretação mais famosa e comum (e não sou eu quem pretende lecionar Análise Microeconômica há quase 20 anos?).

A resposta que o professor espera…

Mas este conceito não faz muito sentido sem que você entenda realmente o que significa sentir-se mais feliz em achar algum dinheiro. Sempre penso nesta relação entre teoria e prática quando descubro anedotas como esta, relativa ao lendário monge zen budista, Ryoukan (a pronúncia correta e a grafia correta é esta, com “u” mesmo, mas vou citar o texto a seguir tal e qual).

Someone said, “It’s exciting to find money on the street”.

Hearing it, Ryokan threw his own money onto the street and picked up. He did not enjoy it at all. Suspecting that the man had tricked him, Ryokan kept on throwing money, but eventually he could not find where the money had gone. He searched for it everywhere until, finally, he found the money and was overjoyed. Then, he said to himself, “The man didn’t trick me after all”. (Tanahashi, K. “Sky above, great wind – the life and poetry of Zen Master Ryokan”, Shambhala, Boston, 2012, p.207-8).

 

Para um aluno de primeiro ano, eu daria este texto como um exercício de reflexão (não necessariamente zen budista). A história é, no mínimo, divertida. Para descobrir a utilidade marginal da renda (ou das moedas, para ser mais fiel à anedota), repare que o monge faz uma alteração proposital e arriscada sobre seu conjunto orçamentário: ele o zera espalhando suas moedas aleatoriamente.

Então experimenta o prazer do achado (bem, repare como o “prazer” tem que ser experimentado com um certo custo que é o de zerar o conjunto orçamentário correndo o risco de não achar mais as moedas…) e aí conclui que, sim, aumentar o conjunto orçamentário realmente lhe fornece um ganho positivo de satisfação (ou bem-estar).

…E a piada inevitável com os filósofos da ciência…

É, a gente poderia fazer até uma piada se ele tivesse jogado as moedas no chão e as procurasse apenas sob os recantos iluminados (a galera da metodologia científica que busca entender a ciência, também criando hipóteses apenas sob seus recantos iluminados adora esta metáfora…). Mas não é esta a anedota do divertido Ryoukan.

PaperArtist_2014-03-21_20-50-02
Quanto de utilidade derivei ao consumir estas duas leituras em proporção fixa? Só eu posso responder, eu sei, mas minhas múltiplas personalidades não decidiram ainda como vão se decidir a respeito.

Um comentário em “Utilidade marginal da renda (ou das moedas…) e o monge zen budista Ryoukan

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s