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Abenomics (Brookings Institution)

Aproveite e leia mais aqui. Eu sei, eu sei, a gente tem que responder uma questão básica antes para satisfazer alguns colegas que é a seguinte: choques monetários importam? Eles têm impactos reais? E isso tudo funciona…no Japão?

Não é fácil, empiricamente, responder porque a política em curso no Japão está dentro de um pacote de reformas que, com maior ou menor grau de simultaneidade, ocorrem ao mesmo tempo que o estímulo monetário.

Os autores dizem mais (segundo a resenha):

It is possible that Abenomics may work better than current estimates suggest if the Bank of Japan can give more credibility to its inflation target. Politics may partly explain this lack of credibility and could cause the Bank of Japan to have to reverse course, given that rising inflation could lower retiree incomes as well as the take-home pay of current workers. Time will tell if credibility improves and Abenomics outperforms current projections.

Então, veja só, a credibilidade do Banco Central está novamente em jogo no debate. Claro, isto não é tão estranho assim. Afinal, se você está falando de choques monetários (permanentes), então é inevitável falar de expectativas e, portanto, da credibilidade da Autoridade Monetária (AM) japonesa.

O rascunho (draft) do artigo tem outras discussões legais para quem estuda Economia. Vou destacar dois pontos.

Hiato do produto

Primeiramente, o hiato do estimado para o Japão é, nas medidas tradicionais, pequeno:

Official estimates of Japan’s output gap are small. In its October 2013 World Economic Outlook, the IMF estimated that Japan’s 2013 output gap would be -0.9 percent. In its November 2013 Economic Outlook, the OECD estimated that Japan’s 2013 output gap would be positive 0.1 percent. These measures suggest that there is little role for demand side policy in Japan: neither fiscal stimulus nor lower real interest rates will raise output if supply constraints are binding. In this case, the only arrow of Abenomics that matters is the third.

Como se percebe, estimar o hiato com as melhores técnicas é muito importante, certo? Um hiato pequeno significa que a política econômica terá um custo elevado. Mais ainda, uma prolongada estagnação pode não ser bem captada pelo uso do popular filtro HP ou, como dizem os autores, pelo método da estimação da função de produção (há anos orientei um excelente aluno que fez uma monografia sobre o tema, para o Brasil).

Como estimar o hiato do produto? No caso do Japão, os autores nos dizem que:

The CBO and the IMF measure potential output conditional on all resources being employed at their current capacity. But for the purpose of evaluating the potential effects of a prolonged demand side policy, we believe the correct measure of potential output conditions on resources having been close to fully-employed for some time.

Mas, ora bolas, que medida seria esta? Eles seguem Paul Krugman (que, quando não fala de política, é uma boa leitura) e usam a lei de Okun.

Krugman estimates Japan’s natural rate of unemployment as 2.5 percent. This was Japan’s average unemployment rate in the decade from 1982 through 1991. Again using data from the 1980s, Krugman argues that Japan’s Okun’s law coefficient is roughly six. These two estimates, combined with Japan’s 2013 unemployment rate (4.0 percent), suggest that the output gap in 2013 was roughly 6 (4 2:5) = 9 percent.

Os autores, corretamente, alertam que esta medida pode não ser a melhor dados os possíveis problemas que se pode ter em um mercado de trabalho. Uma outra opção, dizem, é usar o método de se olhar a tendência pré-depressão e projetá-la, conforme um artigo de Christina Romer. Finalmente, também citam a estimação do hiato pela previsão de especialistas.

Exportações e Yen

Os autores nos lembram que a relação da taxa de câmbio com as exportações nem sempre é óbvia.

An important reason why the effects were not larger is the behavior of net exports. Despite the 20 percent depreciation of the yen in spring 2013, real net exports deteriorated over the year (figure 5(b)). Of course, that nominal net exports fell is unsurprising. Whether a currency depreciation raises nominal net exports depends on the Marshall-Lerner condition. Assuming that net exports are initially zero, the sum of import and export elasticities must exceed one in order for depreciation to raise nominal net exports. This condition is unlikely to be satisfied immediately, but is generally assumed to hold in the long-run. Initially there is little response of quantities, so price effects dominate and the trade balance deteriorates. But long-run elasticities are larger, so eventually quantities adjust and nominal net exports rise above their pre-depreciation value. This is the so-called J-curve (Magee, 1973; Bahmani-Oskooee and Ratha, 2004).

Então, o problema da condição de Marshall-Lerner e a curva J voltam ao debate (keynesianos adoram isto…). O aluno mais familiarizado com os cursos de Macroeconomia -e que gosta de Macroeconomia Aberta – já tem algo para pensar aqui.

Para não ficarmos apenas na resenha parcial do texto, eis um gráfico para fazer inveja aos brasileiros: o da inflação mensal japonesa.

Ok, não fique com tanta inveja…exceto se você for pterodoxo de esquerda.

Ah, quer para meses mais recentes? Ok. Eu sou um cara justo. Vamos expurgar as políticas heterodoxas e ampliar o gráfico para que você possa visualizar melhor.

Pois é. A estabilização da moeda – esta que o governo atual está botando a perder lentamente para que ninguém sinta muito até as eleições – deu-nos uma inflação bem menos selvagem do que aquelas que nos foram fornecidas pelos choques heterodoxos.

Enquanto a meta da AM japonesa é chegar a 2% de inflação ao ano, a do Banco Central do Brasil (quando o Tombini se lembra de seus velhos tempos, claro) é a de tentar sair dos 6% e voltar para a meta: 4.5% ao ano.

Muita Abenomics por esta manhã, né? Então, até mais.

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