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A escassez de séries de tempo políticas no Brasil…e a (óbvia) relação entre desemprego, inflação e popularidade dos políticos

Estava procurando uma base de dados de popularidade presidencial para fazer um exemplo para meus alunos de Microeconomia III (isso mesmo, você não leu nada errado). Não deu outra: em português, quase nada. Em inglês, descobre-se quem tem alguma coisa.

Então descobri uma dissertação de mestrado em Ciência Política na qual o autor constrói a série. Infelizmente, ele não disponibilizou os dados e, assim, não posso sequer replicar seu estudo. Claro, uma opção é pedir-lhe a base, mas há um outro ponto a se destacar: a escassez de séries de tempo em Ciência Política no Brasil é um sintoma sério de que ainda é preciso muito trabalho para se entender os fenômenos sociais por aqui.

O trabalho do autor é muito interessante. Não é todo dia que vejo alguém da Ciência Política brasileira tentar tratar dados de maneira adequada, usando, por exemplo, testes de raiz unitária. Há alguns, eu sei, mas não os conheço (sequer conheço o autor desta dissertação, por exemplo).

Mas o melhor, para mim, foi constatar que minha tentativa de procurar a série certamente fazia todo sentido. Por que? Bem, veja o que ele conclui:

Quanto aos resultados, encontrou-se que a opinião pública brasileira avalia o trabalho do Presidente a partir do bom desempenho da inflação e do desemprego, sob influencia extraordinária do cenário político. Eventos como mensalão e o apagão tiveram efeitos destacados.

Exatamente. Eu queria fazer um exemplo simples relacionando inflação, desemprego e alguma medida de bem-estar. Como sabemos, isto não é tão fácil. Então eu, pensando naquela idéia antiga e simples de curvas de isovoto, pensei em fazer um exercício que vi, certa vez, na revista Conjuntura Econômica, construindo uma função de utilidade simples. Claro que meu medo era de que as variáveis não tivessem um ajuste bom. Bem, o autor resolveu meu problema. Eu só queria mesmo, agora, era ter acesso aos dados para fazer o exemplo, mas fica para outra vez.

Curiosamente, a dissertação não menciona se houve ou não tentativa de se construir um modelo dinâmico para se medir impactos de curto e longo prazo entre as variáveis (na tradição do VAR com cointegração). Imagino que o tema deve ter sido citado na defesa.

Agora, vejam só, o insight da curva de Phillips – que o ex-presidente negou e depois desmentiu que negou (errar é humano, errar como ex-presidente famoso é menos humano: pega mal, né?) – está lá, bonitinho, bonitinho. Tá tudo lá: desemprego, inflação e popularidade. Quem diria, heim?

p.s. enquanto isto, nos EUA…

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