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Lições de vida: Expectativas Racionais e o dilema de metas e instrumentos

Grandes economistas são aqueles que também nos deixam ótimos resumos. Scott Sumner, por exemplo, dá-nos esta ótima definição de expectativas racionais.

3.  Rational expectations:  It makes no sense to have a model of the economy that assumes X, but which is filled with people who believe “not X.”  As Bennett McCallum pointed out this idea is better called “consistent expectations,” as the term “rational” has all sorts of connotations that have nothing to do with the public’s expectations being consistent with the model of the public’s behavior.  Rational expectations also underlies the “Lucas Critique,” the idea that a statistical relationship that is true under one policy regime, may not hold up if the policy regime is altered to take advantage of that statistical relationship.

Depois disto, fica difícil entender como é que um sujeito que se diz economista tem a coragem de achar que ganha um debate chamando alguém de “físico” ou tentando menosprezar o adversário enquanto acredita em modelos que não fazem sentido (quando o imbecil, por sua vez, acredita em modelos, porque há uns que se acham metodólogos sem nunca terem feito uma prova da disciplina de metodologia, mas acham que o papo é bom para pegar mulher e, então…já viu, né?).

Desculpa, o termo é “imbecil” mesmo. Tem coisas que ficam melhor quando chamadas pelo seu nome correto.

Em outro momento do texto, Sumner tenta vender sua idéia de meta do PIB nominal usando Fama:

2.  Target the futures price of the policy goal:  It’s silly to have intermediate targets such as the fed funds rate, or the exchange rate. Simply adjust the monetary base as necessary to keep the futures price of the policy goal variable on target.  But of course first you need to create a futures market for the policy goal variable (preferably NGDP.)

Não tenho opinião formada sobre isto, mas há quem goste da meta do PIB nominal. Sou um pouco mais tradicional porque sou daqueles que leu o clássico de Poole lá no IPE-USP e curte uma abordagem de metas-instrumentos mais tradicional.

Por falar nisto, todo aluno de graduação deveria se sentir obrigado a ler não apenas o clássico do Friedman (The role of monetary policy), mas também este do Poole. Como é que alguém que diz querer debater com o populacho e com os pares sobre política monetária consegue dormir de consciência tranquila sem ler estes artigos?

Caso você ache que sou exagerado, faça o teste: leia os artigos, volte para seu livro-texto e depois me condene. Não importa. Mas leia.

p.s. Curiosamente, eu citei McCallum hoje, em sala. Alguns alunos anotaram (talvez um ou outro vá procurar o livro). Aí, no mesmo dia, eu venho à blogosfera, e um dos melhores debatedores de Monetária que eu conheço, o Scott Sumner, cita o autor. É destas coisas que eu gosto: sentir que, apesar do que pensam alguns, ainda estou no centro do debate.

p.s.2. Obviamente, estes debates vão além destes dois textos mas não seja ignorante. Você resolve tantas equações estocásticas…não serão dois textinhos simples que vão destruir seu conhecimento semi-divino de álgebra linear, não é?

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