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Lições de Desenvolvimento Econômico: reflexões a partir de uma entrevista

Tem vários exemplos legais de crescimento. Mas nenhum deles deixou de ter um componente de mudança institucional não raro contenciosa que fizessem prevalecer as instituições que fazem a economia crescer em oposição às tradicionais. (Gustavo Franco, em entrevista à Conjuntura Econômica, Fev/2014, p.38-9)

Pois é. O Plano Real fez 20 anos (e comentei sobre isto em 20 minutos, aqui). O Gustavo Franco, no trecho acima, chama a atenção para algo muito importante: mudanças institucionais não se fazem facilmente. Não basta saber o que tem que ser feito e nem dá para ignorar as questões políticas. A revista informa que a entrevista estaria no ar mas, honestamente, eu procurei e não a encontrei (e olha que sou assinante!).

Reformas institucionais são importantes? Acho que você não precisa estudar Economia para saber que a resposta é positiva. Por outro lado, se não estudar Economia, provavelmente não saberá organizar suas idéias sobre as reformas. Panfletários de todo os lados apenas vendem suas bandeiras, mas quantos deles param para pesquisar a realidade? Quantos panfletários marxistas ou libertários apresentam-nos um estudo sério, que vá além das correlações, sobre causalidades? O assunto não é fácil, eu sei, mas temos que começar.

O problema é a educação! Eles são jovens, vão aprender!

Vão mesmo? Na mesma entrevista o Gustavo Franco nos lembra que fazer reforma educacional é tão importante quanto difícil. Por exemplo, há um grupo poderoso (que adora não se ver como grupo poderoso…como todo grupo poderoso, aliás) que tem uma visão bem cartorialista da educação:

Mas há um preconceito sindical absurdo quanto ao estabelecimento de metas, planos e meritocracia no funcionamento da educação – na superior então é outra conversa. Você precisa mexer nas engrenagens. É reformar. (idem)

Grupos de interesse agindo? Tirando crescimento econômico? Já ouvi esta história antes. Não dá para ignorar o tema, nem em Macroeconomia. Aliás, o livro do Richard T. Froyen, de Macroeconomia, é o único que tem um capítulo sobre política fiscal que inclui uma discussão interessante sobre o tema da política e eu o recomendo para bons estudantes (e alguns capítulos do mesmo são leitura obrigatória comigo).

Enquanto isto, jovens, muitos deles, querem apenas repetir frases, fazer memes de economistas mortos. Não que não seja divertido brincar de repetir frases, aprender a citar, mas o objetivo final da Educação é melhorar a sua (e a nossa) compreensão da realidade. Então, sim, no final do dia, queremos todos saber se há ou não impacto da educação sobre o crescimento econômico de um país. Não apenas isto, queremos saber, já que recursos são escassos, em que metas devemos focar e com quais instrumentos. Qual é a elasticidade-retorno da educação para cada R$ 1.00 investido no Pará? No Acre? Aqui? E assim por diante.

Você quer falar de livre mercado? Eu gosto de livre mercado. Mas quero saber o quanto a flexibilização do mercado de trabalho geraria empregos e salários relativamente a hoje. Você pode ser um destes que acha os fenômenos sociais complexos e tal, mas, no final do dia, ninguém vai te contratar (no setor privado, pelo menos) para você contar histórias bonitas sobre a não-linearidade do mundo ou sobre o efeito-borboleta. Isto é papo bonito, mas vale para a realidade? Para qual delas? Como se aplica?

Jovens falam em mudar o mundo…

Todo mundo quer mudar o mundo mas, dizem meus amigos libertários, ninguém quer ajudar a mãe e lavar a louça. E eu complemento: e menos gente ainda querem sentar e estudar. Infelizmente, para os que não curtem um bom tempo investido em pesquisa, as pesquisas continuam mostrando que a educação, digo, a Educação, é importante. Por exemplo, lembra deste gráfico?

cronismo_filantropia

Repare que ele ilustra três variáveis, na verdade. A escala das “bolinhas” é medida em Capital Humano (medido em 2010, com dados atualizados de Barro e Lee). Brinquei com este gráfico nestes últimos dias, focando nas variáveis dos eixos vertical e horizontal. Mas repare no tamanho do capital humano dos países. Veja, por exemplo, como esta história de filantropia também parece ter uma correlação forte com o capital humano.

Não quero sugerir mais do que o gráfico nos diz, mas aposto que mais tempo na escola também tem algum impacto na visão das pessoas sobre o que elas pensam daqueles mais desfavorecidos. Ou sobre a ajuda a velhinhas na travessia de pedestres. Pode ser que não, mas é possível que, em média, haja um impacto positivo neste aspecto. Vai saber. Só mesmo com…mais estudo para responder perguntas assim.

Mas as mudanças institucionais…como ficam?

Alguém tem que trabalhar nisto, não tem? Então, vamos lá.

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Apenas uma correlação? Ou há como explicar isto?
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