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Ainda o estoque de cultura da humanidade…

pib_pantheon

Ainda brincando um pouco com os dados citados no último breve post, eis aqui o logaritmo do PIB de 2000 e o ranking do Pantheon. Brincando de Acemoglu-look-alike, creio que alguém poderia começar a cogitar de uam correlação entre o estoque cultural (bom, tal e qual definido no índice) do país e o PIB.

Este é um daqueles exercícios que serve para você entender a importância dos outliers ou dos pontos influentes em uma amostra, não? Já falei deles em outro momento aqui, e não vou seguir em frente com a história agora. Talvez o povo do Nepom – ou algum outro aluno (ou monitor(a)) – queira seguir com isto. Sem dúvida, um tópico de estudo interessante para quem curte a Nova Economia Institucional.

Caso alguém esteja pensando em fazer uma correlação destas, bom, eu fiz primeiro aqui. ^_^

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Mais mulheres, mais capitalismo de compadres: uma homenagem a algumas mulheres?

pantheon_crony

Mulheres inteligentes no Panteão e o índice de compadrio no capitalismo (uma proxy de rent-seeking): uma relação virtuosa ou não? Aparentemente, a relação é inversa! Será que estamos homenageando Cristina e Dilma? Ou estamos homenageando mulheres alemãs e japonesas como verdadeiras geradoras de conhecimento em nosso mundo?

Antes de me despedir, fiquem também com outra correlação entre a liberdade econômica e a diversidade (também lá do Panteão do MIT).

diversity_freedom

Não, não tirem conclusões apressadas, ok? Mas é divertido pensar nas relações, não? Para mim isto renova minha dúvida sobre se o índice da The Economist realmente nos diz algo ou se é um indicador que precisa de ajustes para nos dizer, de fato, algo sobre o rent-seeking.

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Momento R do Dia: instituições formais, informais e a qualidade dos estados…qual a relação?

Eis minha inspiração: Quick-R. Ou melhor, uma delas. Veja que há várias ferramentas para te ajudar a fazer Econometria. Tantas que até atrapalha! Veja o caso da regressão stepwise, por exemplo. Ela pode ser feita em outros pacotes econométricos, mas eu imagino que é muito simples no R.

Dica para os amigos de Econometria I ou para os de Macro (Desenvolvimento Econômico)

Os alunos de Econometria I (graças a Deus, uma disciplina que não está sob minha responsabilidade porque eu tenho que fazer muita coisa…) podem, por exemplo, aplicar este método em suas pesquisas sobre os fatores institucionais que levam ao desenvolvimento econômico.

Eis aqui um exemplo, usando uma base de dados parecida com a que eu, Ari e Pedro usamos aqui. O script, como sempre, de lambuja para os alunos gabolas e os estudantes.

tenta2<-lm(log(failed)~log(culture)+log(exprop)+legor_fr+legor_ge+legor_sc+legor_so+landlock_certo,na.action=na.omit)
summary(tenta2)
plot(tenta2)

#stepwise

library(MASS)
step <- stepAIC(tenta2, direction="both")
step$anova

A descrição das variáveis você encontra no artigo citado. Basta acrescentar a “landlock_certo” que é uma dummy para o fato de que alguns países têm saída para o mar e outros não. As “legor” dizem respeito ao código legal dos países da mostra e o risco de expropriação, bem, você me entendeu.

A idéia deste mecanismo “stepwise” é tentar escolher para você o melhor conjunto de regressores. Como todo procedimento econométrico, tem seus defeitos e virtudes mas, como eu sempre digo aos meus alunos, econometria é igual a cueca: não se gosta ou desgosta, apenas se usa.

De qualquer forma, nosso modelo, submetido a estes testes, resulta em (veja o Final Model):

Initial Model:

log(failed) ~ log(culture) + log(exprop) + legor_fr + legor_ge +

legor_sc + legor_so + landlock_certo

|Final Model:

log(failed) ~ log(culture) + log(exprop) + legor_sc + legor_so +

landlock_certo

Olhado, ceteris paribus, este método, escolheríamos um modelo no qual a falência dos estados seria explicada pela cultura (cultura pró-mercado diminui a falência dos estados), pelo medo (risco) da expropriação (maior risco de expropriação se relaciona negativamente com a falência dos estados), e pelos códigos legais escandinavos (impacto negativo na falência estatal, que podemos pensar como impacto positivo na qualidade de um estado) e socialista (piorando a qualidade…), bem como pela dotação natural do país (landlock). Claro que é desagradável ver sumir os outros códigos legais porque a “dummy omitida” virou um amontoado de coisas (aliás, estas dummies são sempre facilmente criticáveis…).

Coefficients:

Estimate Std. Error t value Pr(>|t|)
(Intercept)        8.84065 0.66918 13.211 < 2e-16 ***
log(culture)      -0.48602 0.17201 -2.825 0.00657 **
log(exprop)      -1.26174 0.17805 -7.086 2.72e-09 ***
legor_sc          -0.38573 0.13514 -2.854 0.00607 **
legor_so           0.24584 0.08905 2.761 0.00782 **
landlock_certo -0.28284 0.11937 -2.369 0.02135 *

Signif. codes: 0 ‘***’ 0.001 ‘**’ 0.01 ‘*’ 0.05 ‘.’ 0.1 ‘ ’ 1

Residual standard error: 0.2525 on 55 degrees of freedom
(153 observations deleted due to missingness)
Multiple R-squared: 0.7857, Adjusted R-squared: 0.7662
F-statistic: 40.33 on 5 and 55 DF, p-value: < 2.2e-16

Ok, este é um exemplo bem simples e não me venha dizer que estou refutando Acemoglu, ou outros economistas! Falta muito para chegar lá. A bem da verdade, já deixei claro aqui que tenho duas orientandas, Charline e Lorena, trabalhando em bases de dados como esta, tentando fazer algumas brincadeiras para nos ajudar a entender estas relações entre instituições formais, informais, desenvolvimento e todo este papo complicado deste povo lá do Desenvolvimento Econômico quando resolveram que História Econômica era algo mais do que aquela decoreba idiota que alguns pterodoxos tentavam enfiar goela abaixo das pessoas.

Obviamente, há uma tensão entre estudos deste tipo e estudos de caso e meu amigo Fernando Zanella prefere os últimos. Eu, como bom mineiro, sou sempre muito cético e auto-crítico (como o Zanella, embora ele não seja mineiro), e ainda prefiro usar os dois como ferramentas de apoio porque não tenho tido tempo suficiente para estudar apenas estes tópicos. Outros colegas meus, com menos alunos, bem que poderiam me ajudar, mas, ei, preguiça não move montanhas, mesmo que o tempo seja limitado. Será que meu tempo é melhor utilizado ajudando a limpar o chão da sala do colega ou fazendo pesquisas? Bem, isto é outra história. Até lá, fiquem com esta dica e com o conselho óbvio: pesquisem sobre o R no site indicado!

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Critério de Akaike

Dave Giles tem um ótimo texto sobre o critério de Akaike, conhecido como AIC. A leitura vale seu tempo. Um ponto importante, para quem chegou agora neste tipo de critério, é que ele bem poderia ser trocado por um BIC e, claro, todo cuidado é pouco. Por que?

Porque hoje em dia é muito fácil fazer regressão, mas muita gente pensa que pode comparar modelos distintos com estes critérios. O problema inclui, inclusive, transformações na escala das variáveis:

For instance, if you have two regression models that are estimated using the same sample of data, but where one has a dependent variable of y and the other has a dependent variable of log(y), direct comparisons of the AIC values aren’t meaningful. (The same is true of coefficients of determination, of course.) Often, this problem is easily resolved by transforming the likelihood function for one of the dependent variables into one that is consistent with the units of the other dependent variable. You just need to take into account the Jacobian of the transformation from one density function to the other. Examples of this, in the context of systems of Engel curves, are given by Giles and Hampton (1985), for instance

Ah sim, as curvas de Engel…novamente. A questão do consumidor sempre volta a este blog. Tem uma explicação: os meus chefes adoram me fazer trabalhar como um jumento, mas eles têm piedade. Assim, eu tenho que lecionar a Teoria do Consumidor e, ao mesmo tempo, os Microfundamentos da Macroeconomia (sem falar na História Econômica do Brasil e, claro, o motivo de boa parte das recentes mudanças neste blog, a Econometria II).

Não é moleza não, viu? De qualquer forma, e no R? No R é mamata! Veja só esta super-dica!

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Saudades de 1967

E enquanto todos pulavam no salão, o dólar pulava no câmbio. Ah, coisas inexplicáveis! Até hoje não se sabe por que foi durante o Carnaval que o Governo aumentou o dólar, fazendo muito rico ficar mais rico. E, porque o Ministro do Planejamento e seus cúmplices, aliás, digo, seus auxiliares, aumentaram o dólar e desvalorizaram o cruzeiro em pleno Carnaval, passaram a ser conhecidos por Acadêmicos do Cruzeiro – numa homenagem também aos salgueirenses que, no Carnaval de 1967, entraram pelo cano. (Stanislaw Ponte Preta, Febeapá 1,2,3, 2006, p.168]

Eu sei, parece piada. Aliás, é piada. Mas a piada maior é que os que riam das piadas do grande Stanislaw Ponte Preta na época são os que hoje pedem desvalorizações cambiais. O carnaval, como se sabe, nunca acaba no país. Sugiro apenas um novo nome para o bloco: Acadêmicos da Destruição do Real.

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Edmar Bacha e Affonso Pastore dão bons motivos para você não reeleger a administração Rousseff

“Nós conseguimos isolar a economia da política, de modo que não tem mais o ciclo político.” Não há mais – este o sentido dessas palavras – influência de interesses eleitorais nas decisões econômicas. (Guido Mantega, 07/05/2013)

 

Eu não poderia começar este texto sem citar o economista preferido de nossa presidente, mentor da contabilidade criativa e da tese de que quaisquer críticas às suas palavras derivam de “nervosismos”, em uma atitude pouco conciliável com aqueles que, como nós, passam os dias fazendo pesquisas sobre a realidade. Costumo dizer que se o sujeito acorda com tanta convicção assim, então não é preciso investigar nada: qualquer vandalismo a meu favor está justificado pela minha certeza divina e, claro, grupos contrários a mim, devem ser investigados pelas autoridades ou banidos.

Mas vamos aos dois textos de hoje. A entrevista do Bacha está aqui e o artigo do Pastore eu cito mais adiante. Claro, aqueles que têm problemas no campo visual (enxergam o mundo entre “tucanos e petistas”, “esquerda boa e direita malvada”, “bem e mal”, como se vivessem em um programa infantil da Xuxa) não conseguirão ir além do próprio umbigo.

Mas leia a entrevista. Edmar Bacha era o herói das oposições na era militar, foi o herói dos aloprados na época do Plano Cruzado e o herói de todos os brasileiros com o Plano Real. Na verdade, é um economista sério, de cuja opinião você pode até discordar (já que médicos, políticos, economistas e demais seres humanos não são deuses, eles erram, logo, naturalmente você discordará deles…pois também é humano), mas não deve ignorar. Não se julga um economista pelo número de seus cargos no governo, mas pelo seu conhecimento e sua capacidade analítica. Portanto, não tem jeito: você tem que ler a entrevista.

O diagnóstico dele sobre o estado atual das coisas me parece perfeito. Realmente, a administração atual se deixa levar por um conjunto de idéias que não fazem sentido em termos de orientação econômica, exceto se você tiver ingerido álcool acima dos limites permitidos pelo governo. Aliás, Pastore, no mesmo caderno de economia do mesmo Estadão, explica isto em detalhes para o ponto específico da inflação.

Eis, por exemplo, a teoria governamental da inflação explicada:

Se o Banco Central fosse independente talvez pudesse ignorar a diretriz de “evitar um controle mais firme da inflação para gerar um pouco mais de crescimento”. Mas, a exemplo de Costa e Silva, que no relato de Roberto Campos afirmou, quando assumiu a Presidência da República, que o guardião da moeda era ele, e não o Banco Central, nos últimos anos essa visão passou a ter um grande impacto nos que trabalham do terceiro andar do Palácio do Planalto. Por algum tempo nos ares de Brasília surgiu uma nova concepção teórica – a teoria do duplo equilíbrio da inflação brasileira. Embora essa seja uma hipótese sem pé nem cabeça na explicação das elevadas taxas de juros no Brasil, o governo passou a acreditar que a mesma inflação poderia ser produzida quer por uma taxa de juros mais elevada – que segundo eles apenas aumentaria o lucro dos bancos -, e por uma taxa de juros mais baixa. Em 2011, o Banco Central encontrou uma desculpa para atender os desejos do governo. Ela veio de um suposto choque na economia internacional que teria uma magnitude de 25% do choque ocorrido na quebra do Lehman Brothers. O choque não ocorreu e a inflação não caiu, ficando em um nível permanentemente mais elevado, mas tido como razoável pelo novo “guardião da moeda”.

Pois é. Você ainda poderia me falar de “estratégia” ou da importância da política fiscal. Ok, então alguém virá me falar do BNDES. Infelizmente, Bacha também nos esclarece quanto aos erros:

E como fica o BNDES?
O BNDES, depois da crise, foi totalmente desvirtuado. O mercado de capitais estava se desenvolvendo e o BNDES se voltando para duas grandes linhas – de complementação do financiamento privado e de especialização em nichos muito críticos, mas que o setor privado não vai atacar, como infraestrutura e alta tecnologia. Mas, de repente, o BNDES virou a mãe de todos os empresários brasileiros. Abriram o Tesouro para ele fazer tudo o que queria e o BNDES se tornou esse Golias – não, Golias não, isso seria uma homenagem. Tornou-se esse gigante balofo que está aí, que, na verdade, em vez de complementar, está substituindo o mercado financeiro, distorcendo a alocação de recursos, criando um orçamento paralelo. O BNDES virou uma desgraça e tem de voltar aos trilhos.

Precisa dizer mais? Bom, eu poderia dizer que a atual presidente ganhou uma fama nunca justificada por sua atuação na administração da Silva como “gerentona” que mudou o modelo do setor elétrico. Bom, em 2012 ela prometeu queda de tarifa e eu disse que isto não iria funcionar. Não apenas erraram o cálculo (sim, erraram), como também não tiveram a mesma honestidade para ir aos meios de comunicação e explicarem que precisarão usar o BNDES ou o Tesouro, ou ambos para se endividarem para nos vender (caro) esta queda de tarifas.

Antes que fizessem isto, erraram de novo, com o modelo defendido pela presidente em sua época de ministra com fama de “gerentona” e agora o papo é que a conta em 2015 virá mais cara. Só não vem este ano porque o governo que, segundo o ministro Mantega, “acabou com o ciclo político-econômico”, enfrenta eleições este ano.

Honestamente? Qualquer candidato de oposição que fizer um discurso decente, minimamente decente, ganha. Agora, os atuais parecem duas casas de cupins em meio à fazenda: inertes, secas, caladas…assim, até poste se reelege.