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Lembrete aos navegantes

Acredito que a estabilidade financeira tenha sido fundamental, um século atrás, para estadistas preocupados com o crescimento, assim como é hoje para os líderes que procuram o crescimento e a distribuição de riqueza. Um governo incapaz de controlar seus negócios fiscais e monetários acabará por ser incapaz de atingir a expansão e a igualdade. O preço de políticas irresponsáveis em todos os países e todos os séculos precisa ser pago eventualmente. [Schulz, J. A crise financeira da abolição, Edusp, 2a ed., 2013, p.35]

Ainda existe gente, por aí, que acha que existe uma caricatura chamada economista neoclássico que não conhece a história e, assim, vive em um mundo e abstrações que não lhe permitiria entender a realidade.

Há discussões que valem o meu tempo. Esta, não. Nem preciso citar a desastrada e tortuosa forma de pensar de um ex-presidente que tentou se corrigir acerca de uma declaração que fez, sobre gerar empregos a qualquer custo.

Pois aqui está um economista neoclássico, não-estruturalista, que usa econometria, citando um trecho de um ótimo livro de história econômica. As lições da história estão aí. Entende-se que o mundo nos impõe restrições – como Celso Furtado aprendeu, no lombo, ao tentar fazer suas reformas durante o governo Jango – e que nem sempre conseguimos fazer tudo o que queremos.

Mas o discurso de certos membros da atual administração Rousseff é de espantar. Eles, que sempre nos acusaram – nós, os supostos economistas ortodoxos/neoclássicos (e olha que eu nem me enquadro tanto assim neste rótulo) – de não lermos os livros de História.

Logo eles, que nunca conseguiram terminar um livro-texto básico como o do Mankiw, nunca entenderam o básico de Probabilidade ou o mínimo de Econometria. Ninguém entende de tudo, mas quando o sujeito se vangloria de nunca ter tentado, então você sabe que a discussão está perdida. Feliz o analfabeto que deseja aprender a ler, mas infeliz aquele que se vangloria de nunca ter precisado estudar para ser, sei lá, presidente.

Eu pensaria duas vezes antes de falar bobagens para jornais. Já os falastrões…

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