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Meu próprio almanaque abril de cidades…

Em homenagem a alguns alunos(as e atleticanos, sem preconceito):

1. Poços de Caldas

2. Conceição do Mato Dentro

3. Campo Belo 

Claro, ainda falta o inferno que é Belo Horizonte (é, eu nasci e moro aqui, posso falar mal o quanto eu quiser…aliás, o blog é meu, falo o que quero. Não gosta, vai chorar no canto da sala ou mude de canal).

Mas volto ao tema em breve. Como todos sabem, eu adoro uma auto-ironia. Portanto, a próxima vítima, provavelmente, será Belo Horizonte. ^_^

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Momento R do Dia – O Passeio Aleatório da Taxa de Câmbio

Vamos fazer um exercício interessante hoje: importar diretamente os dados de um provedor, ao invés de baixá-los para o computador para depois importá-los. Em seguida, vamos verificar um comando simples – mas potencialmente perigoso se mal usado (como diria o tio Ben: grandes poderes são acompanhados de grandes responsabilidades…e eu diria: e eles são complementares perfeitos).

Eis os comandos.

library(tseries)
con if(!inherits(try(open(con), silent = TRUE), "try-error")) {
close(con)
x start = Sys.Date() - 500)
plot(x, main = "USD/BRL")
}
head(x)
library(forecast)
Acf(x)
Pacf(x)
auto.arima(x)

Caso você simplesmente copie e cole, conseguirá repetir todo o exercício. Basta que tenha acesso à internet, certo?

cambio_real_dolar

Ok. Agora, para a segunda parte, veja as funções de autocorrelação e autocorrelação parcial.

acf_real_dolarpacf_real_dolar

É, você que conhece mais de séries de tempo já deve ter ficado meio nervoso com esta fortíssima memória aparente no primeiro gráfico, não é? Mas vamos ignorar este importante aspecto e vamos falar da função auto.arima do R.

Trata-se de um algoritmo que, conforme os critérios de seleção que eu use, pode apresentar este ou aquele modelo como sendo o “melhor” modelo para a série. Então, ok, você descobrirá que:

> auto.arima(x)
Series: x
ARIMA(0,1,0)

sigma^2 estimated as 0.0001772: log likelihood=1447.2
AIC=-2892.4 AICc=-2892.39 BIC=-2888.19

Não sei se você percebeu, mas ele está nos dizendo que o modelo para a taxa de câmbio é exatamente um passeio aleatório (random walk) puro (ou seja, sem drift). Quando a série é um passeio aleatório puro, ou seja, tem raiz unitária, sabemos que a previsão será um desastre, não é? Veja um pouco sobre estes processos aqui (embora meu exemplo seja um passeio aleatório com drift).

Chamei o modelo de random, fiz a previsão e também aproveitei para fazer um diagrama de dispersão entre os resíduos da regressão e a série do câmbio (nosso “x”).

random<-Arima(x,order=c(0,1,0))
summary(random)
plot(forecast(random,h=48))
lines(x,col=2)

library(car)

plot(residuals(random),col=4)
erros<-residuals(random)

# para usar scatterplot, vamos transformar as duas séries em colunas de um
# data frame

frame<-data.frame(erros,x)
scatterplot(frame$erros,frame$x)

Viu só o gráfico que você obteve? Muito ruim, não? Veja a correlação dos resíduos com a série do câmbio.

scatter_cambio

Pois é. Mas será que a taxa de câmbio realmente é um passeio aleatório? Não vou tomar mais seu tempo, mas eu brinquei um pouco com um pacote de detecção de quebras estruturais sem me preocupar muito com o exercício. Sei que o período de tempo é curto, embora a frequência seja alta, e isto sempre pode ser um problema (como explicar quebras em tão curto espaço de tempo?). Eis o que obtive.

quebras_cambioSim, você viu a média da série (em verde) e seis segmentos (portanto, cinco quebras) ao longo do período em questão (os dados se iniciam em 27/10/2012 e vêm até hoje). A grande dificuldade de alguém que estuda uma série de tempo, pelo menos no caso dos economistas, diz respeito a saber se o que se tem aí no gráfico é, de fato, um processo com cinco quebras ou um simples passeio aleatório que, por ser aleatório, de fato, vai aparentar ter quebras (mas pode ser que não as tenha).

Bem, acho que já fiz minha boa ação do dia para os alunos que desejam estudar um pouco de séries de tempo. O restante do trabalho é com você.

 

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Em busca de cidades desconhecidas: Poços de Caldas

Poços de Caldas: fartura em poços!

Embora não seja exatamente a cidade sobre a qual eu deveria estar falando, segundo um membro do Nepom, sabemos que Poços tem bandeira e brasão.

Da Wikipedia, sim, isso mesmo, em língua inglesa, aprendemos que:

It lies on the boundary of the state of São Paulo at 1186 meters elevation and is the main socio-economic nucleus of its region, having an area of 544 km² (85 km² urban and 459 km² rural) in the municipality.


The physical area is made up for the most part of a high plateau formed by mountains, fields and valleys with an area of approximately 750 km². The average elevation is 1200 m (3937 ft), with Cristo Redentor, the highest point, at 1686 m (5531 ft). The topography is highly suggestive of a 
volcanic crater and, given that the region’s rocks are indeed igneous and there are hot springs, this gave rise to a common misconception that Poços de Caldas would be located inside the crater of a large extinct volcano. In reality, Poços de Caldas is inside a caldera that was formed by the collapse of a central portion of terrain amid elevated areas, and while the latter have volcanic origin, the process that formed the supposed “crater” had nothing to do with volcanic activity.
Poços de Caldas occupies a highly strategic geographical location, due to its proximity to São Paulo (243 km), Belo Horizonte (460 km) and Rio de Janeiro (470 km), whose connections are made with good highways, and due to its integration into the routes of the hydro-mineral spas of Serra NegraÁguas de Lindóia, Socorro, Monte Alegre do Sul, Águas da Prata, Caldas (Pocinhos do Rio Verde), CambuquiraLambari,Caxambu and São Lourenço. Poços de Caldas is also close to the most developed regions of the interior of the state of São Paulo, such asRibeirão Preto (240 km), Campinas (160 km) and São José dos Campos (315 km).

Estive lá uma vez na vida e me ensinaram que a cidade era uma cratera vulcânica. Lamentavelmente, não há nenhum Monte Fuji para se ver. Os paulistas adoram achar que tudo que faz fronteira com seu estado é estratégico. Bem, assim Poços de Caldas é descrita como “estratégica” (geralmente, o pessoal de Juiz de Fora é que acha sua localização “estratégica” porque ficam mais perto das praias do Rio de Janeiro do que nós…).

Percebe-se que a cidade é rica em poços (águas termais) e o que não faltam lá são canecos de alumínio para se tomar cerveja. Na verdade, há mais para se saber sobre Poços. Por exemplo, quem nasce em Poços de Caldas é caldense? Poço? Água quente? Nada disso. É poço-caldense.

Seguindo uma tendência brasileira, a cidade tem cerca de 6.526 caminhonetes e 3.010 caminhonetas e, não, caminhoneta não é tal e qual presidente e presidenta. Você sabia disto? Nem eu.

Aposto que você também não sabe da origem do nome desta cidade! Então, um pouco de IBGE para você.

Os paulistas, na “marcha para o Oeste” em demanda de pastagens, pulavam as tranqueiras e arrancavam os moirões de posse como tinham feito no “ciclo do ouro” e assim iam invadindo o Planalto. O recuo da divisa foi o curioso fenômeno que ligou geograficamente a Região do “planalto da Pedra Branca”, também chamada “maciço de Poços de Caldas”, ao desenvolvimento social e econômico da Capitania de Minas. Começou com a expulsão do paulista Bartolomeu Buenos do distrito de Campanha, em 1743, e terminou com a disputa entre a Câmara de Caldas e a de São João da Boa Vista, na Fazenda do óleo (atual município de Andradas), por ocasião do inventario de Antônio Martiniano de Oliveira, em 1874.

Tranqueiras e moirões…saudades de Câmara Cascudo, Machado de Assis e outros que sabiam usar a língua portuguesa…

Quando das costumeiras penetrações realizadas pelos aventureiros da época, foram descobertos, em meio do planalto, os poços de água quente, cujo valor medicinal foi de pronto constatado. Nasceu desse fato o constante crescimento do lugarejo que imediatamente se formou nas vizinhanças dos poços. Esta data é considerada a de fundação da cidade de Poços de Caldas.

Ahá! Curiosamente, o texto do IBGE, neste parágrafo, não menciona a data. Prossigamos.

O nome de Caldas veio da tradição portuguesa relacionada com as águas de igual nome existentes em Portugal. Inicialmente era a freguesia de Nossa Senhora da Saúde das Águas de Caldas.

Desde 1886, funcionava na cidade uma casa de banho, utilizada para tratamento de doenças cutâneas, na qual já era utilizada a agua sulfurosa e termal da Fonte dos Macacos. Poços recebeu seu primeiro visitante ilustre, o Imperador Dom Pedro II, em outubro de 1.886. O mesmo esteve acompanhado da Imperatriz Dona Tereza Cristina para inauguração do ramal da Estrada de Ferro Mogiana.

É, rapaz, IBGE também é cultura (mas ainda não sei a data…).

Bom, o que não se pode negar é que, de vez em quando, na faculdade, podemos ouvir uma voz cheia de saudades desta cidade, que canta as saudades de sua terra (notadamente ao ver o preço do salgado na cantina). Você também pode cantar. Faça seu ensaio aqui.

Sugestões para a próxima cidade? Coloca nos comentários do blog e, quem sabe, uma hora destas, eu faço mais um texto bem-humorado para você?

Não, você não precisa de voltar ao oftamologista: é só olhar aquele trechinho em vermelho, ali, no cantinho, na fronteira com São Paulo, sô.
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É, funciona…

Presidencialismo de coalizão funciona?

Tying Your Enemy’s Hands in Close Races: The Politics of Federal Transfers in Brazil

FERNANDA BROLLOa1c1 and TOMMASO NANNICINIa2c2

a1 University of Alicante
a2 Bocconi University

Abstract

This article uses a regression discontinuity design in close electoral races to disclose purely political reasons in the allocation of intergovernmental transfers in a federal state. We identify the effect of political alignment on federal transfers to municipal governments in Brazil, and find that—in preelection years—municipalities in which the mayor is affiliated with the coalition (and especially with the political party) of the Brazilian president receive approximately one-third larger discretionary transfers for infrastructures. This effect is primarily driven by the fact that the federal government penalizes municipalities run by mayors from the opposition coalition who won by a narrow margin, thereby tying their hands for the next election.

Sim, parece que funciona.Ou não? A dica do artigo é do meu amigo Pedro Sant’Anna (ao qual agradeço o envio do mesmo). O tema das transferências intergovernamentais é sempre polêmico, mas a metodologia descrita no artigo dá um passo além neste debate.

Não que seja algo inovador, mas raramente vejo algo em Ciência Política feito com tanto cuidado quanto ao tratamento estatístico dos dados. Interessante relembrar deste debate: fazem alguns anos que parei de pesquisar o tema e é sempre bom saber que há gente trabalhando com o mesmo.

A bem da verdade, nossas instituições políticas não são tão boas assim para que cientistas políticos se dêem ao luxo de ignorar a Estatística ou a Econometria para analisar os problemas do país.

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Média baixa

Questionados sobre a avaliação da gestão do BC em fevereiro, de uma forma geral, os agentes do mercado deram nota média de 6,5, em uma escala de zero a dez. No mesmo quesito, a Fazenda recebeu nota 4,8. O Termômetro Fazenda Broad e o Termômetro BC Broad buscam medir o sentimento dos agentes do mercado em relação à gestão das políticas fiscal, monetária e cambial, além da eficácia da comunicação dos dois principais órgãos da política econômica nacional.

 

“A percepção dos agentes financeiros em relação aos dois principais condutores da política econômica é um elemento muito relevante para a formação das expectativas sobre os rumos do País”, diz João Caminoto, editor-chefe da Agência Estado. “E ninguém mais capacitado para fazer isso do que o Broadcast, principal canal de informação para o mercado financeiro brasileiro.”

Digamos que, relativamente, o BC se saiu melhor que a Fazenda. Entretanto, ambos estão ruins, não? Na escala de 0 a 10, eu esperaria, pelo menos, um 8. De qualquer forma, a iniciativa é interessante. A matéria afirma que o indicador será gerado mensalmente. É uma ótima idéia. Não sei como alguém não teve a mesma idéia antes…

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Pesquisa sobre o estado da economia japonesa

Saiu hoje, só em japonês, mas podemos olhar os dados. Com um pouco de boa vontade, você consegue traduzir a explicação sobre os indicadores aqui. São vários e as correlações mostram isto. Então, vou ficar com o agregado, o índice sobre as condições econômicas atuais (keiki) (existe outra tabela, sobre as condições futuras, mas fica para outro dia).

keiki

 

Hoje também saiu o PIB trimestral japonês, mas vou deixar para depois. Repare na série acima. Podemos destacar duas grandes quedas: uma em 2008 e outra em 2011, quando ocorreu o grande tsunami que arrasou a economia japonesa por um bom tempo.

Mas em um período mais recente, o indicador voltou a subir, refletindo uma certa confiança quanto ao desempenho da economia. Bem, será que a Abenomics está funcionando? Não sei ainda mas, juntamente com o resultado do PIB trimestral, parece que há motivos para comemorar, eu diria, com moderação.

Bem, nada de dicas do R hoje. Apenas este gráfico aí e alguns pensamentos esparsos sobre o estado atual da economia japonesa. Meu fôlego está no fim hoje.