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A escravidão e o PIB per capita em 1995

O que acontece se eu olho para as exportações médias anuais (por meio de comércio marítimo) em 1869-75, coletadas pelo Renato Marcondes, da FEA-RP, para o número total de escravos (Censo 1872 ou matrículas) e o PIB per capita estadual de hoje (a preços de 2000, por meio do Ipeadata)?

Antes que você pense que enlouqueci, leia o Why Nations Fail do Daron Acemoglu e co-autores. Aí pegue o livro do Renato, Diverso e Desigual: o Brasil Escravista na Década de 1870, FUNPEC, 2009, invista um pouco de seu tempo e pense um pouco.

Claro que eu ajustei os dados de maneira superficial (isto é um blog, for God’s sake!), fazendo a média de Tocantins e Goiás para gerar “Goiás” e o mesmo para os dois Mato Grossos para gerar “Mato Grosso”. E joguei fora o dado da Corte.

Com os estados brasileiros que restaram, gerei duas correlações bobinhas, mas bonitas de se visualizar. Vejamos.

pujancaescravista

acemoglunada

acemoglunada

Então é isto. Ah sim, como gerei os gráficos. Claro que foi em R, né?

library(ggplot2)
imperio <- read.table(file = "clipboard", sep = "\t", header=TRUE)

exp_sec_XIX<-imperio$Exportacao_media_anual
PIBcap_1995<-imperio$PIB_per_capita_1995
escravos_censo<-imperio$Escravos_CENSO
escravos_matriculas<-imperio$Escravos_Matriculas
estados<-imperio$Estados_siglas

escravos<-data.frame(exp_sec_XIX,PIBcap_1995,escravos_censo,escravos_matriculas,estados)
ggplot(escravos, aes(x=log(exp_sec_XIX), y=log(escravos_censo), label=estados))+geom_text(size=3)+geom_smooth()
ggplot(escravos, aes(x=log(PIBcap_1995), y=log(escravos_censo), label=estados))+geom_text(size=3)+geom_smooth()

Os comandos foram estes aí em cima. Os resultados, nada animadores, não? Exceto que, como diria um seguidor de Fogel, a escravidão pareceu compensar (primeiro gráfico). Há um livro mais antigo, de 1980, que infelizmente não foi reeditado (e eu não ganho nem um trocado para fazer esta propaganda, mas lá vamos nós!), organizado pelo Paulo Neuhaus. É o Economia Brasileira – uma visão histórica, da editora Campus.

Neste livro encontramos um interessante capítulo do Pedro C. de Mello e Robert W. Slenes, sobre a escravidão no Brasil. Na mesma linha de trabalhos do falecido Robert Fogel (Nobel de Economia junto com Douglass North em 1993), os autores mostram que este papo de que existiria uma “mentalidade” anticapitalista pode até se candidatar a um argumento importante, mas não se pode ignorar a questão do cálculo econômico (por exemplo, deve-se considerar o valor presente líquido de um escravo ou número de anos de vida esperado de um escravo e como ambos variam ao longo do tempo).

Quanto a Acemoglu, certamente esta não é a correlação mais animadora para sustentar a tese e nem acho que só uma correlação basta. O que sempre digo aqui? Que uma correlação não faz verão. Acemoglu e co-autores adoram uma teoria e eu não estou sequer falando de um modelo por aqui.

Mesmo assim, acho que é bacana visualizar os dados para podermos verificar alguns insights iniciais em qualquer tipo de trabalho aplicado. O que você acha? Escravidão ainda tem impacto sobre o desenvolvimento estadual nos dias de hoje? Como pensaria em testar esta hipótese?

3 comentários em “A escravidão e o PIB per capita em 1995

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