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Pós-Carnaval

aborto

Eu sei que você é um moleque responsável e que você não é uma menina boba. Mas a busca pela palavra “aborto” no Google Trends me diz que esta história de aborto nos três primeiros meses não é apenas fruto da imaginação do seu pai.

Acho que um pai mais preocupado tentaria rever suas agendas, desde 2004, para tentar descobrir se, realmente, o pessoal anda passando dos limites no Carnaval, não?

Bem, divirta-se no Carnaval com o Google Trends e, lembre-se: diversão segura, ok?

UPDATE: Momento R do Dia!

O detalhe aqui é a adaptação da data (os dados são semanais) para fazer o gráfico:

library(ggplot2)
aborto <- read.table(file = “clipboard”, sep = “\t”, header=TRUE)
head(aborto)

# transformando data:

aborto$startingDay <- gsub(“^(\\d+-\\d+-\\d+).+”, “\\1”, aborto$Week)

aborto$date <- as.Date(aborto$startingDay)

g <- ggplot(aborto, aes(date, as.numeric(aborto))) + geom_line()
print(g)

library(scales)
g <- g + scale_x_date(breaks=date_breaks(width=”1 year”),
labels=date_format(“%Y”))

Resultado:

aborto_R_googletrends

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Tendências, Previsões, Google e Hal Varian: aposto que você já ouviu falar de pelo menos dois deles!

Lembra do Google Trends? Bem, você não deveria desprezá-lo. Eis meu exemplo.

trends

Ok, pode não ser o serviço mais interessante do mundo, se você pensar nele como um simples mecanismo de busca. Mas você pode fazer como Choi & Varian (2009). Ah, o código, no final do texto, foi escrito em…………….R! Isso mesmo.

A previsão é boa? Citando os autores em uma das séries:

Note that the model that includes the Google Trends query index has smaller absolute errors in most months, and its mean absolute error over the entire forecast period is about 3 percent smaller. (Figure 1.4). Since July 2008, both models tend to overpredict sales nd Model 0 tends to overpredict by more.It appears that the query index helps capture the fact that consumer interest in automotive purchase has declined during this period.(p.4)

É, você não deveria desprezar o R, heim?

UPDATE: Alguns slides, apresentação deles, em vídeo.

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Consumo (de novo)

A Abenomics funcionará?

Desta vez, uma rápida passada de olhos nos dados oficiais japoneses e sem nada de expectativas, mas sim o que de fato ocorreu. Eu poderia fazer uma análise de elevador (subiu, caiu, caiu, subiu), mas aí seria muita moleza, né?

Repare que tem uma propensão média a consumir na tabela. Quem já estudou Macroeconomia básica já viu a Propensão Marginal a Consumir e, se deu sorte com o professor e também se pesquisou um pouco, já deve ter topado com a Propensão Média a Consumir. Sim, há um debate antigo envolvendo estes termos e a análise do consumo, mas fica para depois. Aproveite a dica para explorar as bases e dados do site.

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Confiança? Melhorou, piorou…e daí?

Ao invés de falar de Abenomics, que tal falarmos de Obanomics? Além disso, ao invés de eu falar, deixemos o povo falar, por meio do Gallup.

A pergunta, então, é: será que agora vai, Obama? Ok, você quer saber sobre o que está falando, para começar. Então, dê uma lida em como é medida esta série.

Alerta! Perigo! Perigo!

Leamer (2010), em uma crítica aos famosos índices de confiança do consumidor (enquanto variáveis úteis para se prever ciclos econômicos), tem um alerta tão simples quanto importante sobre isto. Tão simples e bem explicado que vou citar:

There’s a very good reason why these surveys are not very useful. It is not how you feel that matters, or what you say about how you feel. It’s what you do. If you feel great and you shop, that’s good news for the economy. If you feel lousy and you shop, that’s good news too.(Leamer, E. Macroeconomic Patterns and Stories – A Guide for MBAs, Springer, 2010, p.205-6).

Muito simples e óbvio, não? Este livro foi uma dica do meu amigo Sérgio Guerra, um professor de Economia que adora estes temas de conjuntura. Durante um tempo, ele ajudou muito o pessoal do Nepom.

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Pterodoxia não é só verborragia

Eu criei o termo e já o defini aqui um dia. Hoje eu chamo a atenção para uma dimensão, digamos, humana, do termo. Para ser honesto, quem chamou foi o Mansueto. Meu ex-orientador, Ronald, ensinou-me bem: “você pode falar nada com verborragia ou com modelos matemáticos elegantes”.

Pois é. Ser pterodoxo não é só falar bobagens como “a matemática tá comendo a economia”, “o homem não é racional”, “cadê os seres humanos neste modelo de equilíbrio geral”. É também achar que a matemática resolve tudo. Bom, em outro contexto, no debate do cálculo econômico, Hayek e o Mises (que alguns idolatram tanto quanto os pterodoxos que idolatram Celso Furtado) mostraram que nem só de computação vive o homem em sociedade.

Permita-me citar Mansueto para vocês:

Por que resolvi comentar este artigo aqui? Por duas coisas. Primeiro, devido ao currículo de quem o escreveu. Não esperava ver um professor emérito de física da Unicamp escrever tamanho absurdo. Segundo, porque mesmo os físicos mais brilhantes cometem erros grandes quando se trata de desenvolvimento econômico, como este aqui:

 

“I am convinced there is only one way to eliminate (the) grave ills (of capitalism), namely through the establishment of a socialist economy….A planned economy, which adjusts production to the needs of the community, would distribute the work…and guarantee a livelihood to every man, woman and child. (Albert Eistein, Why Socialism?)

 

No entanto, há uma grande diferença. Albert Einstein escreveu isso em 1949, quando ainda se podia aceitar ou questionar se o socialismo daria certo. Mas em pleno século XXI e depois da queda do muro de Berlim e com toda a evidência história e científica da riqueza das nações ou por que as nações fracassam é difícil aceitar que o problema de Cuba seja os EUA ou que o tipo de contratação dos médicos cubanos seja uma ajuda humanitária. E o mais impressionante é que este tipo de argumentação venha de um Doutor em física formado na prestigiosa Universidade de Sorbonne em Paris. Tenho certeza que outros doutores formados por Sorbonee pensam diferente.

Retoricamente, falando, eu sei. Mansueto não está “surpreso” em absoluto. Ele, como eu, já viu muita gente com Ph.D. falar besteiras (um antigo professor de demografia da minha graduação tinha um nome um tanto quanto cruel, mas direto para este pessoal: Ph.Bos**… acho o termo forte e desnecessário, mas expressa bem a revolta de quem lê certas coisas).

Não é comum ver gente dizendo que estudou muito e sabe o que é melhor para os outros. Entretanto, não é bem assim, não é? Thomas Sowell, em Os Intelectuais e a Sociedade, mostra como a arrogância intelectual cega bons homens quanto à sabedoria do dia-a-dia.

Veja, não é que o pipoqueiro saiba mais Física do que o físico citado – cuja competência em Física ninguém põe em questão agora – mas talvez, sim, o pipoqueiro entenda melhor de alguns outros assuntos que ele. Normal. Eu não me arrogo o direito de saber o que é melhor para um cubano: viver em Cuba ou fugir de Cuba. Mas eu tenho uma opinião muito clara sobre isto e acho que Mansueto e o autor do artigo também. Afinal, nenhum de nós tentou, sem sucesso, mudar-se para Cuba.

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Momento R do Dia – Motéis, Cinemas, Jogos e Capitanias Hereditárias

Com este calor todo, não tive opção: li este post e resolvi usar nossos dados do IPCA (os sub-índices que utilizei antes por aqui). Primeiro, transformei os dados em data.frame:

base<-data.frame(recreacao, cinema, boate, motel, bicicleta, brinquedo,ingressos_jogo,papel_higienico)

Em seguida…

qplot(x=Var1, y=Var2, data=melt(cor(base)), fill=value, geom=”tile”)+
scale_fill_gradient2(limits=c(-1, 1))

calor

 

Talvez você prefira uma base de dados diferente, não? que tal estes dados de capitanias hereditárias brasileiras? Temos o produto, em 1593, e medidas de estoques de capital (engenhos) e trabalho (população branca) para os anos de 1570, 1585 e 1587. Dados de Buescu e Johnson (um dia destes eu volto com mais detalhes de História Econômica sobre o tema, ok?).

O comando tradicional para correlações é pairs. Confesso que não o acho muito atraente, mas, para poucas variáveis, é até fácil de visualizar.

 

capitanias1

 

A outra opção é o gráfico das correlações tal e qual o exemplo anterior. Aí está.

 

capitanias2

 

 

Acho que, agora, é com você. Aproveita e estuda as aulas deste mini-curso em R.

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A juventude se diverte mais no carnaval, trabalha mais ou estuda mais?

Em suas aulas de Macroeconomia, lá no início do curso, você já deve ter ouvido falar de “estoques” e “fluxos”. Deve ter visto um diagrama, ouvido umas histórias e, se aprendeu algo, nem precisa ler este texto porque vou apenas usar estes conceitos com uma reportagem que li hoje de manhã. É, você já notou que o “carnaval” do título foi só para te enganar…

Vamos lá?

Estoques e fluxos: mercado de trabalho

Diz lá o Estadão, citando o IBRE:

Os reajustes salariais tiveram, em 2013, o menor peso no crescimento da renda do trabalho desde 2005. Do aumento de 1,8% no rendimento (também o menor avanço desde 2005), 0,7 ponto porcentual, ou 40% do total, deveu-se ao fato de menos jovens estarem entrando no mercado de trabalho, segundo estudo inédito do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

Sim, é verdade que estamos tendo menos filhos, mas não é este, ainda, o ponto central desta queda. A matéria não é sobre o fluxo de jovens, mas sobre o estoque atual e, neste, um bocado deles resolveu esticar seus estudos. Como se diz lá em casa, “trabalhar que é bom, nada”.

Mas isso é ótimo por um lado (embora os pobres pais tenham que pagar, geralmente, para o moleque um almoço, janta e até uma ajuda para as farras…): o número de anos estudados por indivíduo está aumentando.

Duas mudanças socioeconômicas acompanham o fenômeno: o aumento da escolaridade e o crescimento real da renda das famílias nos últimos anos. “Antes do fim da década de 1990, se você pegasse pessoas de 22 anos de idade, só 30% chegavam ao ensino médio. Hoje, são mais de 70%”, diz o economista Naercio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas (CPP) do Insper.

O crescimento econômico com crescimento da base da pirâmide da classe média.

Sem a frieza dos dados estatísticos, Ricardo do Nascimento Reis, gerente de metodologia do Grupo Multi, sente essas mudanças na demanda pelos cursos técnicos. Segundo Reis, entre os jovens, sobretudo entre 15 e 20 anos, há uma pressa latente de alcançar cargos mais altos. Por isso, muitos preferem se afastar do mercado de trabalho ou atrasar o início da profissão para se qualificar e conseguir cargos melhores.

Há jornalistas e jornalistas e alguns não parecem ter superado o preconceito de associar “dados estatísticos” com “temperaturas polares”. O Estadão é um ótimo jornal, mas de vez em quando você lê estas frases estranhas. A ironia da coisa é que os jovens estudam, estudam, mas nem sempre aprendem tudo. Por exemplo, alguns continuam com a idéia de que dados estatísticos são “frios”. Um aumento do PIB em 2% é frio, uma desvalorização da taxa de câmbio em 1% é fria, mas, um “black bloc” espancando jornalista, bem, isto é quente.

Fluxos, Estoques…intertemporais…

Mas vamos seguir em frente, sem a frieza do preconceito contra dados estatísticos (a matéria é bem escrita, exceto por esta frase).

Além disso, há também um fator demográfico estrutural por trás do fenômeno. “Está caindo o porcentual de jovens na população em idade ativa (PIA), e aí, logicamente, você tem um menor contingente de jovens no mercado de trabalho”, ressalta Moura, do Ibre/FGV.

Eu já havia falado lá em cima, né? Aqui está a questão do fluxo. O fluxo de jovens está diminuindo. O estoque futuro, portanto, deve ser menor do que o atual, diz o pesquisador do Ibre implicitamente. Não apenas isto, mas este estoque tem a característica de alongar seu período de estudos. Nem discutimos a qualidade do ensino, mas tão somente a quantidade de tempo que o sujeito fica sem trabalhar (ou trabalhando pouco) para estudar. Por exemplo, o garçom – oriundo da classe média – que resolveu estudar mais, daqui a um tempo, anotará seu pedido em um português que todos entendam? Espero que sim.

Repare como a alteração nos estoques (via fluxos) dá-se por meio de milhares e milhares de decisões descentralizadas individuais não apenas de jovens que decidem estudar, mas também de pais que decidem ter mais ou menos filhos. Não é meio óbvio que as consequências macroeconômicas são fundamentadas em decisões microeconômicas? Por que é que você acha que economistas desenvolveram pesquisas em tópicos como a economia da família (veja também este texto), etc?

Ok, vamos em frente.

Possíveis reflexos de um melhor capital humano? Digressão idiossincrática.

Tenha em mente que o estoque de capital humano de um país é parte integrante do desenvolvimento econômico do mesmo (basta lembrar do modelo de Solow, né?). Quer ver algo que eu esperaria de um país que se quer desenvolvido com um capital humano decente? Eu esperaria:

1. Comentários civilizados: Páginas de jornais e outras páginas estão cheias de comentários mal escritos, curtos, sem conteúdo e/ou com apenas xingamentos. Isto sem falar nas frases desconexas. Melhorar o capital humano significa melhorar o conteúdo dos comentários em todas estas dimensões.

2. Aumento na produção de vídeos educativos: Meu amigo Diogo sempre comenta sobre sua decepção com a quantidade de vídeos educativos produzidos aqui e (como diriam os nacional-desenvolvimentistas) alhures. Acho que ele pretende fazer um post sobre isto no blog dele, então não vou me aprofundar (mas se ele demorar…).

3. Banheiros mais limpos: Espero que a educação escolar, lá na creche complemente a educação doméstica e a civilização geralmente vem acompanhada de gente que não chuta catracas, quebra paredes ou deixa as privadas em estado calamitoso.

Ok, o último ponto é menos relacionado com os anos de estudo, mas não é menos importante…certo?