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Sustentabilidade da Dívida (Abenomics, novamente)

Eu sei, eu sei, não importa o tamanho da dívida sobre o PIB, mas sim sua sustentabilidade (porque prazer ela não proporciona…). Correto. Mas aí alguém dizer que não entende o porquê do governo japonês aumentar o imposto sobre consumo em Abril é-me um mistério. Afinal, 230% do PIB em dívida bruta (e numa trajetória bem mais robusta de crescimento do que o restante da OCDE, eu diria) não é um número desprezível (página 13 do documento).

O que dizem os analistas? Veja por você mesmo aqui e aqui. O segundo estudo, do NBER, por sinal, conclui que a dívida pública japonesa não é sustentável. Assim, voltando ao nosso tema de sempre, não sei se dá para ser otimista como alguns blogueiros como Scott Sumner ou Marcus Nunes. Posso estar enganado – geralmente estou, principalmente à esta hora da noite em pleno Carnaval – mas o crescimento econômico não-explosivo (em termos de dívida pública japonesa) parece depender dos aumentos de salários que o Primeiro-Ministro Abe anda tentando induzir em conversações com o setor privado. Claro, falta a questão da desregulamentação (a parte, digamos, microeconômica da Abenomics).

É, o tema é interessante mesmo…

p.s. depois eu faço um outro post sobre testes econométricos para a sustentabilidade da dívida…se eu conseguir resistir aos outros temas…

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Boxplots? Sim, mas com bons pratos e, quem sabe, uma boa cerveja?

Eu sei que você está em pleno Carnaval, comendo torresmo e casca de siri, não necessariamente nesta ordem. Provavelmente está tomando uma daquelas coisas horríveis que chamam por aí de cerveja. Bem, o efeito-substituição, muitas vezes, é mais forte do que o efeito-renda e depois a gente comenta sobre isto.

De qualquer forma, hoje vou mostrar como fazer um boxplot no R. Eu não fui acostumado a ler boxplots, mas eu não sou da geração Y! Tenho cérebro, mãos, olhos e curiosidade! Então, faço meu dever de casa. O que são estes tais boxplots? Diz-nos a Wikipedia:

In descriptive statistics, a box plot or boxplot is a convenient way of graphically depicting groups of numerical data through theirquartiles. Box plots may also have lines extending vertically from the boxes (whiskers) indicating variability outside the upper and lower quartiles, hence the terms box-and-whisker plot and box-and-whisker diagramOutliers may be plotted as individual points.

 

Box plots display differences between populations without making any assumptions of the underlying statistical distribution: they are non-parametric. The spacings between the different parts of the box help indicate the degree of dispersion (spread) and skewness in the data, and identify outliers. In addition to the points themselves, they allow one to visually estimate various L-estimators, notably the interquartile rangemidhingerangemid-range, and trimean. Boxplots can be drawn either horizontally or vertically.

No R, podemos fazer estes gráficos rapidamente.

Boxplots can be created for individual variables or for variables by group. The format is boxplot(x, data=), where x is a formula and data= denotes the data frame providing the data. An example of aformula is y~group where a separate boxplot for numeric variable y is generated for each value of group. Add varwidth=TRUE to make boxplot widths proportional to the square root of the samples sizes. Add horizontal=TRUE to reverse the axis orientation.

Então, vejamos um exemplo com o número de restaurantes no ranking dos melhores do mundo citado anteriormente neste blog.

Countries y2012 y2013
Argentina
Australia 1 2
Austria 1 1
Barbados
Belgium 1 1
Brazil 1 2
Canada
China 2
Denmark 2 2
Estonia
Finland
France 7 6
Germany 2 2
HK 1 1
India
Ireland
Italy 3 4
Japan 2 2
Kenya
Mexico 2 2
Monaco
Netherlands 2 1
Norway
Peru 1 2
Portugal 1 1
Russia
Singapore 2 1
South Africa
Spain 5 5
Sweden 3 2
Switzerland 1 1
Thailand 1 1
UAE
UK 3 3
USA 8 6

Faça-se a mágica! (sim, já entrei com os dados no R, zzzzz…)

boxplot(y2013~y2012, data=base, main=”Exemplo de Boxplot”,
xlab=”Restaurantes no Ranking em 2012″, ylab=”Restaurantes no Ranking em 2013″)

nhocnhoc

 

Pronto, gente. Agora, faz o dever de casa, vai lá na Wikipedia, lê, e veja como é que se lê este gráfico, ok?

p.s. Nenhum mimadinho da geração Y foi ferido ou morto durante a confecção deste texto. Chora, não vou ligar/chegou a hora/vai estudar/pode chorar/pode chorar…

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Orçamentos do Império

historia_orcamentos

 

O gráfico não é lá aquelas coisas porque, no fundo, só tem uma variável que é o valor do orçamento de cada ministério e, porque eu o calculei com base nos dados do autor, o percentual de cada ministério no orçamento total do Império (para ver o gráfico, não apenas esta foto aí no alto, clique aqui).

O livro de Shultz foi reeditado ano passado e os dados dos orçamentos do Império estão lá para quem quiser ver e, imagino, um economista vai querer dar uma olhada na Economia Política dos grupos de interesse na época. Por exemplo, o surgimento do Ministério da Agricultura teria a ver com poder dos cafeicultores?

Esta foi minha colaboração para os amigos de História Econômica, ok? Visualizar a tabela que Shultz coletou é, creio, um bem de clube que interessa aos aficcionados por História Econômica do Brasil. Espero que o leitor fique curioso e leia o livro. ^_^

 

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R para curiosos (alguns posts didáticos sobre R aqui e no Nepom)

Vou facilitar.

1. Passeios Aleatórios em Salvador.

2. Outro exercício no R – boates e motéis (Teste J).

3. Momento R – exercícios para alunos de Econometria II.

4. Curvas de Indiferença em R.

5. Os consumidores percebem mudanças no ciclo econômico?

6. O final de semana da turma e o numerário e a continuação: Ainda o numerário.

7. Para a galera da 112 (autor: Thomaz).

8. O IPCA do Arthur.

9. Pão com linguiça: quando é mais barato?

10. A educação, as instituições e o PIB (atualizado com novos dados).

11. Câmbio e conta corrente – A Abeonomics novamente.

12. Domingo é dia de ir ao cinema.

13. Recessão?- O IBC-Br.

14. Liberdade de Imprensa sem Liberdade Econômica: Sheherazade deve ter o direito de se expressar?

15. Liberdade de Impresa sem Liberadade Econômica?

16. Consumo e Renda no Japão (2004-2010) – outra discussão de econometria aplicada.

17. Confiante em seu futuro?

18. A temperatura está tão quente assim ou é a falta de chuva?

19. A produção industrial é manchete…vamos falar dela então!

20. O tal “passthrough” e nós.

21. Restaurantes e Liberdade Econômica (quase um Momento R do Dia). (veja também este).

Por enquanto, é só. Mas já serve para quem está atrasado e chegou aqui agora.

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Novamente, a ética protestante…

Eu sempre volto ao tema aqui, mas hoje só vou citar e você pode ler e criticar, ok? O resumo está aí embaixo e os autores são Luca Nunziata e Lorenzo Rocco.

A Tale of Minorities: Evidence on Religious Ethics and
Entrepreneurship from Swiss Census Data*

Does Protestantism favour the market economy more than Catholicism does? We provide a novel quasi-experimental way to answer this question by comparing Protestant and Catholic minorities using Swiss census data from 1970 to 2000. Exploiting the strong adhesion of religious minorities to their confession’s ethical principles and the historical determination of the geographical distribution of confessions across Swiss cantons, we find that Protestantism is associated with a significantly higher propensity for entrepreneurship. The estimated difference ranges between 2.3 and 4.4 percentage points. Our findings are robust to a number of robustness checks, including a placebo test.

Caso você queira saber, já falei disto várias vezes aqui.

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Como o sistema tributário é um incentivo em si?

O blog Yen for Living tem um ótimo post hoje, sobre como o governo japonês afeta a produção de cerveja daquele país por meio de sua estrutura tributária. Acho uma lição interessante a do texto. Embora eu conheça gente que insiste em dizer que empresários são enganados pelo governo porque não são racionais e tudo o mais, a notícia mostra que, na verdade, é um pouco diferente: justamente por serem racionais, eles aprendem e reagem.

Não existe almoço grátis, meu caro e há um bom motivo para isto.

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Passeios Aleatórios em Salvador

Alá-lá-ô-ô-ô!

Carnaval é época de se fazer passeios em Salvador, segundo alguns foliões. Bem, por que não um passeio aleatório? Antes que você imagine que estou bêbado, talvez seja legal dar uma olhada nesta video-aula que fiz ano passado (é a primeira desta pequena série). Façamos uma pausa para você se inteirar do tema.

Pronto. Agora que você já sabe o básico, vamos falar do livro de Richard Graham (Graham, R. (2013). Alimentar a Cidade – das vendedoras de rua à reforma liberal (Salvador, 1780-1860), Companhia das Letras). O autor explorar a Salvador do final do século XVIII sob a ótica do funcionamento do mercado de alimentos. Bem, a leitura do livro está em andamento, então não posso falar muito. Mas posso dizer que o autor construiu um interessante índice de custo de vida para a cidade.

Segundo ele, os principais elementos da cesta de consumo do cidadão (escravo, livre, rico, pobre, etc) consistiam de eram: farinha de mandioca e carne (quase posso visualizar uma tradicional carne de sol com mandioca no meu prato…mas são apenas 8:57 da manhã). Além disso, diz o autor, havia outros itens, importados, mas estes eram mais comuns aos mais ricos.

Seu índice do custo de vida, no Apêndice A do livro, inclui os preços de farinha de mandioca, carne fresca, escravos (custo) e a taxa de câmbio (em relação à libra esterlina). Arbitrariamente, ele deu o mesmo peso aos quatro fatores (se você não gostou…construa seu índice antes de criticar o trabalho do autor).

A partir daí, temos o belo gráfico que se segue (base: 1824 = 100).

salvador1

 

Dados anuais, como se vê. É uma série relativamente curta, eu sei. Mas serve para ajudar o leitor a praticar no R, não é? Pois bem. Visualizar esta série é quase a mesma coisa de dizer: há uma tendência de alta no custo de vida durante a amostra. Há lá uma ou outra interrupção, notadamente no início dos 40 (1845, para ser exato), mas nada que tenha interrompido a trajetória ascendente.

Podemos pensar na “inflação”, verificando a taxa de variação deste índice.

inflacao_salvador

 

Os dados mostram uma inflação mais ou menos estacionária em torno da média? Eu diria que sim, mas a queda em 1845 ainda é um efeito marcante. Como a série é curta, esta queda bem pode ser pensada como uma variação aleatória – mas eu sei que muitos gostariam de ver uma quebra estrutural e, claro, teríamos que ter um teste robusto a pequenos tamanhos de amostra – e assim seguirei.

Agora sim, passeios aleatórios! E em R!!!

O leitor que já assistiu a video-aula acima e/ou que já estudou um pouco de econometria de séries de tempo, tem aqui uma oportunidade de fazer um exercício simples: aplicar testes de raiz unitária sobre a série. Especificamente, vamos aplicar o teste ADF. Utilizaremos o pacote urca, que é um paraíso para os que gostam de testes de raiz unitária.

Inicialmente, copiei e colei a série no R. Pedi para ver as primeiras observações para conferir se estava tudo ok.

historia<-read.table(file=”clipboard”,sep=”\t”,header=TRUE)
head(historia)

Nomear a variável e dizer que é uma série de tempo é algo que o leitor deste blog já sabe fazer. Mas aí vai. De quebra, os comandos que geraram os dois gráficos acima.

custo_de_vida_Salvador<-ts(historia$custo_de_vida_Salvador, start=c(1791),freq=1)
plot(custo_de_vida_Salvador)
plot(diff(log(custo_de_vida_Salvador)))

Vou trabalhar em escala logaritmica e, assim, é mais fácil renomear a variável, embora isso não seja necessário.

lcv<-log(custo_de_vida_Salvador)
plot(lcv)

Chamando o pacote urca (lembre-se que se você não o instalou, precisa fazê-lo antes).

library(urca)

Caso você seja novo nisto, e se está em dúvida, veja a sintaxe do comando que vou usar, “ur.df”, digitando (e executando) a linha de comando abaixo.

?ur.df

O teste ADF (Augmented Dickey-Fuller) pode ser feito sob três especificações. Há dois protocolos básicose para tal. Você pode seguir um fluxograma (como nos ensina o livro-texto básico do Walter Enders) ou escapar de inconsistências do mesmo usando uma abordagem mais pragmática como a exposta no livro-texto do Gujarati (mais simples de todos do mercado, acho).

Para fins didáticos, faço as três especificações, mas adianto que o eyeballmetrics diz-nos que o modelo a ser testado deveria incluir tendência e intercepto, vale dizer, deveríamos olhar para a especificação mais geral:

Fonte: Wikipedia

Muito bem. A idéia do teste é melhor entendida se pensarmos no mesmo sem a parte extendida (que lá está apenas para evitar problemas de auto-correlação na equação do teste). Para detalhes, dê uma rápida olhada aqui (ou vai estudar, né, meu filho!). Repare que usei o critério AIC para selecionar o número de termos defasados da parte “aumentada”. Você pode mudar este critério se quiser.

Os comandos:

adf_lcv<-ur.df(lcv,type=c(“trend”), selectlags=c(“AIC”))
summary(adf_lcv)
adf_lcvd<-ur.df(lcv,type=c(“drift”), selectlags=c(“AIC”))
summary(adf_lcvd)
adf_lcvn<-ur.df(lcv,type=c(“none”), selectlags=c(“AIC”))
summary(adf_lcvn)

Vou olhar para os resultados. Primeiro deles, com constante e tendência.

> summary(adf_lcv)

###############################################
# Augmented Dickey-Fuller Test Unit Root Test #
###############################################

Test regression trend
Call:
lm(formula = z.diff ~ z.lag.1 + 1 + tt + z.diff.lag)

Residuals:
Min 1Q Median 3Q Max
-0.308055 -0.033710 0.004324 0.032329 0.266900

Coefficients:
Estimate     Std. Error   t value   Pr(>|t|)
(Intercept)       0.431004   0.207669   2.075   0.0420 *
z.lag.1            -0.112944   0.056872   -1.986  0.0513 .
tt                      0.003504   0.001703   2.057   0.0437 *
z.diff.lag           0.072480   0.125376   0.578   0.5652

Signif. codes: 0 ‘***’ 0.001 ‘**’ 0.01 ‘*’ 0.05 ‘.’ 0.1 ‘ ’ 1

Residual standard error: 0.0704 on 64 degrees of freedom
Multiple R-squared: 0.06238, Adjusted R-squared: 0.01843
F-statistic: 1.419 on 3 and 64 DF, p-value: 0.2453
Value of test-statistic is: -1.9859 4.5111 2.1167

Critical values for test statistics:
1pct 5pct 10pct
tau3 -4.04 -3.45 -3.15
phi2 6.50 4.88 4.16
phi3 8.73 6.49 5.47

Antes de qualquer coisa, repare que o AIC nos retornou uma equação para o teste ADF com apenas uma defasagem da variável dependente ΔLcvt. A tendência determinista é denominada “tt” e seu coeficiente é próximo de zero, embora estatisticamente significativo a 5%. O coeficiente de Lcvt-1, central para nosso teste de hipóteses, é fracamente diferente de zero, no sentido de ser estatisticamente significativo a 10%.

Caso você queira dar uma olhada na tabela, repare que -1.9859 diz respeito ao tau3 estimado, 4.5111 ao phi2 estimado e, finalmente, 2.1167 é análogo para phi3. Em outras palavras, a 1%, você olharia -1.9859 comparativamente a -4.04, para tau3 (qual é a hipótese nula?). Para phi2, você compara o phi2 calculado, 4.5111 com 6.50, a 1% (qual é a hipótese nula?). Não preciso dizer como fazer com phi3, certo?

Mas, que hipótese nula você está analisando? Em cada caso você testa uma variante de processos com raiz unitária. A análise é sempre com o módulo dos valores (calculados e tabelados). Então, voltando ao parágrafo anterior, se 1.9859 < 4.04, não rejeitamos a hipótese nula do teste tau3. Esta é a hipótese de que existe raiz unitária.

No caso de phi3, testa-se se há raiz unitária e se a tendência determinista (“tt”, na saída do teste) tem coeficiente nulo. Finalmente, phi2 testa se há raiz unitária, se o coeficiente da tendência determinista é nulo e se o intercepto também é nulo.

A 1%, em qualquer um dos testes, temos como resultado a existência de raiz unitária (lembre-se de olhar os valores em módulo!). Os testes phi2 e phi3 parecem indicar a ausência de intercepto e tendência no teste conjunto com a existência de raiz unitária. Assim, a especificação do processo estocástico do índice de custo de vida seria algo assim:

Lcvt – Lcvt-1 = -0.112944Lcvt-1 + erro aleatório         ou seja,

Lcvt = (1 – 0.112944)Lcvt-1 + erro aleatório -> aproximadamente ->

Lcvt = 0.99Lcvt-1 + erro aleatório

Claro, você pode fazer os outros testes. Vou apenas resumir agora. Com a especificação que exclui a tendência determinista, o teste de raiz unitária (tau2) continua nos confirmando a raiz unitária e o teste de que há raiz unitária e não há constante, phi1, também (4.4297 < 6.70 a 1%).

Coefficients:
Estimate     Std. Error    t value Pr(>|t|)
(Intercept)       0.0275203   0.0700130   0.393  0.696
z.lag.1             0.0001639   0.0149285   0.011  0.991
z.diff.lag          0.0187893   0.1256437   0.150  0.882

Residual standard error: 0.07212 on 65 degrees of freedom
Multiple R-squared: 0.0003596, Adjusted R-squared: -0.0304
F-statistic: 0.01169 on 2 and 65 DF, p-value: 0.9884

Value of test-statistic is: 0.011 4.4297

Critical values for test statistics:
1pct 5pct 10pct
tau2 -3.51 -2.89 -2.58
phi1  6.70 4.71 3.86

Para a última especificação, rejeita-se a existência de raiz unitária, mas o resultado da equação de teste nos dá um resultado que não faz sentido, pois o coeficiente Lcvt-1 é positivo, o que significaria que o processo seria explosivo! Reproduzo parcialmente a saída:

                   Estimate Std. Error t value Pr(>|t|) 

z.lag.1        0.005978 0.002013 2.969 0.00416 **
z.diff.lag     0.014636 0.124394 0.118 0.90669

Signif. codes: 0 ‘***’ 0.001 ‘**’ 0.01 ‘*’ 0.05 ‘.’ 0.1 ‘ ’ 1

Residual standard error: 0.07166 on 66 degrees of freedom
Multiple R-squared: 0.1416, Adjusted R-squared: 0.1156
F-statistic: 5.443 on 2 and 66 DF, p-value: 0.006484

Value of test-statistic is: 2.9695

Critical values for test statistics:
1pct 5pct 10pct
tau1 -2.6 -1.95 -1.61

Conclusão: segundo o ADF, teríamos que o logaritmo do índice do custo de vida em Salvador seria um passeio aleatório puro. Claro, você pode ler e estudar sobre as limitações deste teste, mas vamos explorar um pouco o tema. Ou seja, suponha que este resultado está ok. O que isto significa?

O custo de vida é um passeio aleatório!

O exercício acima nos deu como resultado que o custo de vida levantado por Graham (2013) seria um passeio aleatório. Isto significa que as variações no custo de vida – que poderíamos chamar de “inflação” seriam aleatórias (ou um ruído branco, para os que apreciam um pouco mais de exatidão).

Isto significa que choques no custo de vida de Salvador seriam persistentes. Digamos, um choque no preço dos escravos, na época (um aumento de custos, digamos, por conta de bloqueios britâncios aos navios negreiros brasileiros) seria incorporado ao custo de vida de Salvador. Não é a mesma coisa de um choque que se dissipa rapidamente – que poderíamos chamar de temporário – mas sim um que incorpora permanentemente no custo de vida. Isto significa que até a tendência do custo de vida muda (no choque temporário, o desvio seria…temporário e, portanto, logo você voltaria à tendência original).

O autor do interessante livro relata um debate sobre a adoção de um livre mercado para a farinha de trigo e o uso de estoques reguladores por parte do governo municipal e seu “celeiro público”. Com uma breve discussão sobre um breve surto de liberalismo em Salvador, o autor parece tomar partido dos adversários do livre mercado. O problema é que ele não faz qualquer análise de custo-benefício e, quando se refere a um liberal, chama-o de “empedernido”, o que não é exatamente um adjetivo positivo e nem nos ajuda muito a entender o impacto do liberalismo em Salvador, o que empobrece um pouco a análise do livro, creio eu.

A persistência no custo de vida em Salvador, detectada pelos dados, pode nos ajudar a entender o que ocorreu na história? Não sei. Mas o exercício em R é este e, goste-se ou não do livro, você tem que lê-lo para tirar suas próprias conclusões.

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A Grande Depressão no Brasil…novamente

Bom dia!

Bom dia! Pois é, outro dia eu falei dela aqui. Sim, falo da Grande Depressão aí do título. Hoje, apenas vamos complementar com uma crítica a Celso Furtado que muita gente parece ter ignorado ao longo dos debates em História Econômica porque, bem, existe uma barreira – que tem diminuído, é bom frisar – de muita gente de “História” Econômica relativamente à linguagem matemática.

Embora adorem Espanhol (inversões, e afins), o preconceito contra esta linguagem fortemente influenciada pelo Terceiro Mundo, a matemática, deixou nossa História Econômica bem murchinha por muitos anos. Assim como não se debate se negro tem direito à vida, ou se judeu é gente, eu também não discuto se matemática deveria ser usada em História Econômica. Pelos mesmos motivos.

Mas, deixemos os restos hegelianos da história serem digeridos pelos vermes. Voltemos ao tema do post. Todo mundo já ouviu falar do Celso Furtado, o sujeito que escreveu um livro de História Econômica e prometeu que jamais iria revisá-lo, como se uma Bíblia fosse, e não um estudo contínuo da realidade. Para o bem ou para o mal – e eu lhe dou o benefício da dúvida – isso gerou um incentivo para que muitos passassem a encarar Furtado como um messias, não um estudioso da história econômica. Péssimo para ele e para nós, mas não parece que ele tenha se queixado disto em vida, o que é uma pena.

Um dos autores que mais contra-argumentou contra Celso Furtado foi Carlos M. Pelaez e é sobre ele este pequeno texto. Mais especificamente, como já falei, sobre um de seus textos críticos a Furtado, especificamente sobre a Grande Depressão e a política de defesa do café. Há dois lados no debate (há mais, como mostra Silber (1978)), mas hoje vou tomar partido de Peláez.

Veremos uma parte do argumetno deste autor em sua briga com Furtado. Sim, ele usa matemática, como bom economista que é (sim, ele ainda está vivo). Na verdade, é um pequeno exercício de Estática Comparativa. Continuo achando, desde que li este texto pela primeira vez, que o argumento de Peláez, com o pequeno sistema de equações estruturais, merece uma releitura, crítica ou não, que aperfeiçoe o modelo. Bem, é isto. Pronto? Então, aperte o cinto!

Uma estática comparativa contra a verborragia?

Diz Peláez (1973):

Celso Furtado claimed that the Brazilian economy recovered in the 1930’s because of the large government deficits incurred by the Brazilian federal government. (…) There was only a deficit in 1932 which could be considered as a Keynesian compensatory policy and it was caused by a historical accident, a revolution in São Paulo. (p.238)

Depois ele segue dizendo que Furtado não consegue explicar bem a Grande Depressão no Brasil.

Thus, Furtado’s recovery argument does not fully explain the spread of the depression to Brazil since net trade earnings exogenously increased during the crucial years of the Great Depression. Reduction of trade for purposes of employment has, however, two adverse effects: a reduction of the number and availability of commodities at home and a decline in employment abroad. (p.240)

Vamos ao modelo macroeconômico de Peláez neste texto. Primeiramente, as notações.

20140303_071141

 

Agora, o modelo, já em diferencial total (ok, em “desvios em torno do equilíbrio”, para meus amigos mais íntimos, mas menos chegadões à matemática bruta).

O sistema, na forma estrutural e reduzida, fica tal e qual a figura seguinte:

20140303_071201

 

Sim, então vem o exercício de Estática Comparativa.

20140303_071201 (1)

 

O autor então fixa o balanço de comércio em zero (dB1 = 0) e zera a variação do gasto autônomo, obtendo (9). Colocando a economia em equilíbrio (dY1 = 0) e substituindo, Peláez chega à expressão (11), que mostra como o produto no país 2 varia em função dos gastos domésticos autônomos daquele país. Como dB1 aparece tanto em (5) quanto em (6), também temos que dH2a também aparece em ambos. Repare que, ao substituirmos em (5), ele aparece com impacto negativo sobre dY1. Em outras palavras, o aumento no gasto doméstico autônomo no país 2 tem um impacto negativo no país 1 quando este visa equilibrar o balanço comercial sob impedimentos ao comércio.

O ponto do autor, portanto, é mostrar que, mesmo que se considere o modelo keynesiano – no qual Furtado parece se inspirar (parcialmente?) – ainda assim, existem inconsistências. Como ele disse:

Reduction of trade for purposes of employment has, however, two adverse welfare effects: a reduction of the number and availability of commodities at home and a decline in employment abroad. (p.240).

Aparentemente, com um modelo simples, estamos um passo adiante da verborragia simples. Entretanto, um modelo matemático não é suficiente e não me refiro a esta ou aquela hipótese.

Da matemática para a história, novamente…mas com dados

Silber (1978) entrou neste debate trazendo dados (Peláez os tinha, mas Silber acrescentou mais alguns). A discussão deste autor, como já citei, é algo a se ler com cuidado. De forma organizada e sistemática, Silber qualifica argumentos tanto de Furtado, quanto de Pelaez (e de mais alguns outros autores importantes).

Minha leitura do trabalho de Silber é a de que o mesmo nos traz novos elementos para se pensar o modelo originalmente proposto por Peláez no texto (muito) sucintamente resenhado aqui. Talvez o que não haja lá no trabalho de Silber seja um pedido explícito para que se modelo as relações de Economia Política do setor cafeeiro (embora o autor cite superficialmente o tema). Também não há, pelo menos na versão a que tive acesso, publicada (veja referências no final deste texto), um modelo econométrico para testar as diversas hipóteses levantadas.

Aliás, este seria um bom trabalho a ser feito. Partir de Peláez (1973), microfundamentar o modelo e, depois, estimá-lo (alguns vão dizer que o negócio é calibrá-lo, mas não conheço muito desta metodologia para palpitar). Ou talvez isto já tenha sido feito e eu é que estou desinformado (e eu agradeceria se me enviassem referências nos comentários).

Meus comentários

Gosto da abordagem de Peláez (1973) e acho que faltou, na época, uma resposta na mesma linguagem, por parte de seus adversários sérios. Silber (1978) é um excelente texto que complementa esta análise, mas ele usa estratégia de trazer mais dados e novas relações, colaborando para melhorar nosso quebra-cabeças, mas não o fecha com um novo modelo e, até onde sei, não há alguma econometria lá, com teste de hipóteses, o que nos deixa sem respostas. Entre Furtado, Peláez e Silber, portanto, nada de testes, mas muitos insights que se provam falsos, outros novos que surgem e muitas qualificações.

Pessoalmente, gosto da modelagem simples e direta, em termos de Estática Comparativa ou Dinâmica, na exposição destes debates. Nem sempre os fenômenos históricos são facilmente interpretáveis sem matemática ou com excesso da mesma. Mas creio que o ótimo não está em zero.

Bom, ninguém disse que era fácil fazer História Econômica, não? Preciso voltar ao tema “Grande Depressão no Brasil” depois…

Citando…

Peláez, C.M. An Economic Analysis of the Brazilian Coffee Support Program: Theory, Policy and Measurement. In: Instituto Brasileiro do Café, Essays on Coffee and Economic Development, IBC, 1973.

Silber, S. Análise da Política Econômica e do Comportamento da Economia Brasileira Durante o Período 1929/1939. In: Versiani, F.R. & Barros, J.R.M. de. Formação Econômica do Brasil – a experiência da industrialização. Série ANPEC, Saraiva, 1978.

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Quem são os cinco emergentes que mais crescem?

Fácil!

1. China
2. Nigéria
3. Filipinas
4. Bangladesh
5. Índia

Não gente, podem continuar louvando as teorias nacional-inflacionistas (conhecidas como nacional-desenvolvimentistas). Este ranking aí é apenas mais um daqueles trabalhos neoliberais, excludentes e malvados feitos por consultores.

Bye-bye, Brazil…

Ou, claro, você pode começar a se preocupar com a falta de modelo econômico sério no governo (também conhecido como “modelo de crescimento do governo”, segundo alguns panfletos que você encontra em algumas sedes de sindicatos por aí).

Infelizmente, Ciência Econômica é algo mais sério e mais escasso. Nem todos sabem o que fazer, mas muitos sabem o que deveriam ser feito. Aí, não tem jeito, aparecem estas coisas…ou estas (lembra?).

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