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Como anda nossa oferta (e nossa demanda) de energia elétrica?

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Eis que a chuva se aproxima neste final de semana de Carnaval. Eu, como um exímio folião, ficarei em casa, descansando, assistindo filmes, dormindo, lendo ou até, quem sabe, estudando. Afinal, a vida não se ganha por si só, né?

Shazam!

Mas o tempo aí meio fechado me faz pensar sobre se vem ou não chuva. Não só isso. Na verdade, eu me pergunto sobre a oferta de energia elétrica. O governo tenta, de todo o jeito, parar de falar do tema. Até tentaram ganhar uns trocados falando do pobre crescimento do PIB hoje (o ministro Mantega, aquele que erra 11 entre 10 previsões que faz, tentou inverter a piada, dizendo que analistas teriam que passar o Carnaval revendo suas previsões…).

O que o governo pensa da demanda de energia elétrica? Em 2012, por exemplo, ele lançou um estudo no qual citava a nossa velha amiga, a elasticidade:

Deve, ainda, ressaltar-se, com relação à elasticidade-renda do consumo de energia elétrica, que, mantidas as demais condições de contorno e o período considerado, ela tende a assumir valores superiores para cenários econômicos de menor crescimento do PIB e valores inferiores para cenários de maior expansão da economia. Por outro lado, a elasticidade não pode ser analisada pontualmente em um determinado ano e, em casos extremos, como sejam o de um crescimento do PIB próximo de zero em determinado ano  ou o de um decréscimo do consumo, a elasticidade perde o sentido.

Bom, elasticidade é elasticidade e eu não entendi bem a idéia de não se olhar para a elasticidade no caso de queda no consumo. Talvez o que se queira dizer é que o consumo de energia elétrica não cai muito, embora eu acredite que deva haver quedas marginais (eu bem que deveria ter guardado minhas contas de luz…uma vez acho que feiz uma estimativa desta, para usar em sala de aula…bons tempos…). Mas vamos em frente.

A Tabela 16 mostra a projeção do consumo total de eletricidade (incluindo a autoprodução), assim como valores médios da elasticidade-renda resultante, por quinquênio, e valores anuais da intensidade elétrica da economia. Registram-se valores para a elasticidade-renda do consumo de eletricidade decrescentes ao longo do tempo. No primeiro quinquênio, a elasticidade é um pouco superior à unidade (1,06) para um crescimento do PIB de 4,5% ao ano em média e, no segundo período, a elasticidade é inferior à unidade (0,93), resultando uma elasticidade-renda nos 10 anos de 0,99. Dessa forma, a intensidade elétrica da economia aumenta ligeiramente nos primeiros cinco anos, mas depois decai e, no final do horizonte decenal, fica praticamente igual ao valor inicial de 2012.

O documento tenta nos dar uma projeção (baseado em algumas hipóteses, claro) da demanda para os próximos anos. Depois disto, veio a piada sem graça de dizer que a conta teria um desconto que, no final, virou uma provável dívida com o BNDES (salvo engano) para manter a promessa desnecessária e, sim, vou dizer, populista até não poder mais. Isto significa que a demanda estimada neste documento perdeu validade? Não exatamente, mas o fato é que ela certamente aumenta, o que o ministro Mantega deve olhar com bons olhos, pensando no PIB.

E a oferta?

Como nós sabemos e, espero, o ministro Mantega também, nem só de demanda vive a quantidade de equilíbrio de energia elétrica de um país. Então, vejamos a oferta (tentei achar um documento similar ao de demanda no pouco tempo que tenho mas não tive sucesso) segundo a reportagem de uma revista nacional. Não dá para ficar otimista.

O nível baixo dos reservatórios das hidrelétricas e o aumento do consumo provocado pela onda de calor têm provocado a transferência de grande quantidade de energia da região Norte para o Sul e Sudeste, onde o nível dos reservatórios está mais crítico. De acordo com especialistas, quanto maior o bloco de energia transportado pelas linhas de transmissão, mais o sistema elétrico fica vulnerável a falhas. Assim, os atrasos nos projetos de geração e transmissão de energia têm feito falta nesse momento de maior estresse do sistema.

Segundo o ONS, nossos reservatórios não estão lá estas coisas (detalhes aqui). Mas vejamos o boletim desta semana.

Na semana entre 22 e 28 de fevereiro a passagem de duas frentes frias pela região Sul, e uma delas pelas regiões Sudeste e Centro-Oeste, ocasionou chuva fraca a moderada nas bacias dos rios Uruguai, Jacuí e Iguaçu e chuva fraca nas bacias dos rios Paranapanema, Tietê, Grande e Paranaíba. A bacia do rio Tocantins permaneceu apresentando pancadas de chuva.

Em comparação ao mês de Janeiro, o mês de Fevereiro apresentou afluências inferiores em todos os subsistemas à exceção do subsistema Norte. Cabe destacar que, em Janeiro, no subsistema SE/CO verificou-se o 3º pior valor de energia afluente média mensal entre todos os meses de janeiro do histórico de 84 anos, e que Fevereiro apresentou o 2º pior valor dentre todos os meses de fevereiro do mesmo histórico de energias afluentes. No subsistema Nordeste a energia afluente em fevereiro foi a menor registrada no histórico.

Novamente, nada muito bonito. Olhando para o céu, ainda vejo nuvens, mas nada de chuva. Parece que estão se dissipando. Eu queria mesmo era ter uns dados de séries de tempo para brincar (há alguns lá, como a carga mensal de energia, mas eu teria que estudar para entender o que ela mede, exatamente e, bem, não sou da área).

No final do dia, demanda e oferta vão se encontrar em um ponto compatível com um crescimento do PIB sustentável? Não sei. Você quer um “chute”? Bem, sou pessimista. Acho que Mantega ri muito se entender bem do que está rindo. O desejo de estimular a demanda como fetiche não me parece um bom modelo de crescimento. Vejam aí nossa oferta de energia, em estado bem precário. Uma coisa é você sofrer com um tsunami gigantesco e ter uma queda na oferta porque a sociedade reclama da energia nuclear. Outra, completamente diferente, é você sequer conseguir gerar energia com o potencial que tem. Este, sim, é um problema.

Bom, vamos ver se o Carnaval nos traz algo interessante em termos dos reservatórios.

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Competição e postos de gasolina

Marcelo Soares, lá no livro de caras, mandou-me (e a muitos outros) este interessante link para um artigo científico sobre postos de gasolina e competição.

Vamos ver o resumo?

Usa-se um tradicional modelo empírico de entrada para investigar o grau de competição em mercados locais de postos de gasolina no Brasil. Mostra-se como o número de firmas nos mercados varia com mudanças na demanda e na competição com dados para 2.590 municípios considerados mercados isolados. Os resultados mostram alteração na conduta competitiva com o aumento no número de postos, sobretudo até a entrada do quinto posto. O modelo utilizado não requer dados de preços e, a partir de características dos mercados, tais como população e número de firmas, pode indicar se há um padrão geral de conduta anticompetitiva no varejo de combustíveis em pequenos municípios brasileiros.

Com uma base de dados desta, o mínimo que se pode fazer, caso você goste do tema, é ler o artigo, não é? Eu não conheço este modelo teórico que eles usam, mas se é possível tirar conclusões interessantes, mesmo que não se tenha a variável preço, eu fico intrigado. Bom, só lendo para ver do que se trata.

p.s. Mudando completamente de tema, eu não conheço muito sobre estas árvores de decisão e análise de regressão, mas o tema é bem comum na comunidade que usa R.