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Granger-Causalidade e a Roseli de Ribeirão (Momento R Literário do Dia)

confissoesderoseli

 

Roseli é uma pessoa muito próxima. Professora e amiga, tem um blog de nome sugestivo (eu diria, insinuante). Quando a conheci, conversávamos sobre alguma coisa relacionada à Econometria aplicada ou à Teoria Econômica. Ela logo me conquistou com um elogio:

– Você é um novo-clássico!

Jamais esqueci esta cantada! Embora ela negue até hoje que tenha sido uma cantada, eu, no meu mais íntimo sentimento, percebo que, sim, Roseli tinha me oferecido seu livro de Econometria. Do Johnston. Na época, sem DiNardo.

Estudamos na mesma sala por um bom período. Estudamos até a morte para a prova do Pastore (quase literalmente morremos de tanto estudar…ainda me lembro da Roseli, lá pelas madrugadas, recitando a dinâmica do modelo de Mundell-Fleming para mim, que a sacudia para que não dormisse).

O incrível é que ela sempre me influenciou e, como já disse um aluno, era a única que me trucava. Conquistou este direito no dia em que quase entortou o pneu do Fiat ao nos dar carona (a mim e a um petista famoso hoje em dia…cujo nome não revelarei). Foi um happy hour que deve ter destruído boa parte do fígado dos três mestrandos.

Bons tempos.

Um dia Roseli me chamou no canto.

– Clau-Clau, quero te fazer uma confissão.

E eu, assustado:

– O que foi?

E ela, ansiosa, suando:

– Eu gosto de séries de tempo. Mas com raiz unitária.

Foi uma revelação e tanto! Epifania? Sei lá. Mas sei de uma coisa. foram-se anos com Roseli me desafiando, promessas mútuas de que faríamos um artigo juntos (ainda não o fizemos) e uma distância física que não venceu a amizade construída lá, no pré-plano Real, em 1993.

Mas eis que chegou o dia! Hoje, Clau-Clau Granger-causou Roseli! Finalmente, alguma marca eu deixei nesta dama de ferro! Ela começou a usar o R por conta dos meus posts!

Viram só? Tem mulher que é louca também, leitores! Não sou só eu que fico aqui ferozmente digitando sobre o R ou sobre Economia. Roseli é uma professora dedicada, que sofre com as coisinhas ruins do dia-a-dia da Academia. É uma pessoa que a gente respeita logo, logo. Uma pessoa, enfim, com uma cabeleira invejável. E um grande coração.

Bom, agora também com R.

Até mais!

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Tem gente que acha que o importante é o número de funcionários públicos por quilômetro quadrado

Under the emperor Diocletian (just as under the emperor Yong-Le) ‘tax collectors began to outnumber taxpayers’, said Lactantius, (..). (Matt Ridley, The Rational Optimist)

Parece piada, mas não é. Em homenagem aos que difundiram esta bizarra e divertida idéia, fica o trecho acima, para mostrar que é preciso pensar em mais de duas variáveis ao se falar dos problemas de um país.

Informação quase gratuita. Serviço de utilidade pública deste blog para os pterodoxos que não terminaram de ler o Mankiw porque acharam que tinham que transformar o mundo antes de compreendê-lo.

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Curvas de Indiferença em R (Momento R do Dia)

Você conhece a função de utilidade CES? Ela é usada também no contexto da Teoria da Produção. Um excelente resumo está aqui.

Agora, é o seguinte. Eu sou péssimo para desenhar gráficos. Minha letra não é de menina e meus gráficos não são uma obra-prima. Nem para filmes B servem. Então, eu, como sou esperto, aprendo algo que me ajuda a fazer belos gráficos.

Neste exemplo, você não precisa instalar qualquer pacote do R. Apenas replique os comandos abaixo (literalmente copie e cole no seu script). Ah, use o RStudio para não perder os gráficos e poder observá-los com calma.

# CES (caso 1)

u <- function(x, y) (((0.5*x^(0.8))+(0.5*y^(0.8)))^(1/0.8))

x <- seq(.1, 40, by=.5)
y <- seq(.1, 40, by=.5)
a <- c(1,5,10,15, 20, 30)

persp(x, y, outer(x, y, u), ticktype=”detailed”)
contour(x, y, outer(x, y, u), levels=a)
# caso 2 ((rho -> 0))

u <- function(x, y) (((0.5*x^(0.02))+(0.5*y^(0.02)))^(1/0.02))

x <- seq(.1, 40, by=.5)
y <- seq(.1, 40, by=.5)
a <- c(1,5,10,15, 20, 30)

persp(x, y, outer(x, y, u), ticktype=”detailed”)
contour(x, y, outer(x, y, u), levels=a)
# caso 3 ((rho -> 1))

u <- function(x, y) (((0.5*x^(0.99))+(0.5*y^(0.99)))^(1/0.99))

x <- seq(.1, 40, by=.5)
y <- seq(.1, 40, by=.5)
a <- c(1,5,10,15, 20, 30)

persp(x, y, outer(x, y, u), ticktype=”detailed”)
contour(x, y, outer(x, y, u), levels=a)

# caso 4 (delta -> 1)

u <- function(x, y) (((0.98*x^(0.99))+(0.02*y^(0.99)))^(1/0.99))

x <- seq(.1, 40, by=.5)
y <- seq(.1, 40, by=.5)
a <- c(1,5,10,15, 20, 30)

persp(x, y, outer(x, y, u), ticktype=”detailed”)
contour(x, y, outer(x, y, u), levels=a)

# caso 5 (rho -> -infinito )

u <- function(x, y) (((0.98*x^(-5.99))+(0.02*y^(-5.99)))^(-1/5.99))

x <- seq(.1, 40, by=.5)
y <- seq(.1, 40, by=.5)
a <- c(1,5,10,15, 20, 30)

persp(x, y, outer(x, y, u), ticktype=”detailed”)
contour(x, y, outer(x, y, u), levels=a)

Obviamente, para cada linha executada (não existe almoço grátis: pesquise), você conseguirá obter o gráfico da função utilidade em três dimensões e as curvas de indiferença em duas.

O interessante da função CES, note bem, é este aspecto “geral” dela. Você tira uns limites para lá ou para cá e a função se transforma em alguns dos principais casos analisados nos livros-texto.

Claro, um professor de Cálculo pode fazer as contas dos limites para te convencer, mas eu, que sou menos hábil com limites, prefiro tentar a mesma coisa com gráficos. Tem sempre o herege, o infiel, que não acredita que da CES sai uma Leontief (conhecida pelos meus alunos como “Complementares Perfeitos”, um sinônimo mais usado nos primeiros anos do curso…depois se eu falar Leontief, o sujeito entende…ou sai da faculdade).

Bem, veja por você mesmo (reproduzo as curvas de indiferença do caso # 5 acima.

CES_Leontief

É, rapaz, eu bem que avisei, não foi? Gostou do que viu? Então faz aí umas Cobb-Douglas, por exemplo. Veja o que consegue gerar na tela do seu computador.  De nada.

 

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Datagerais e IBGE – pesquisando cidades lendárias. Episódio de hoje: Campo Belo

Não atualizam o site do Datagerais? O PIB dos municípios parou em 2009 lá no portal que agrega informações (não todas, mas algumas) sobre Minas Gerais. Ou é isto mesmo? Estamos sem medidas de PIB mais recentes?

Ah sim, eis a dica para se pesquisar, por exemplo, Campo Belo (para alguns, da faculdade, conhecido como Campoh Beloh) lá no Datagerais.

Para os fanáticos por imagens:

campohbeloh

É, eu sei, mas não é minha culpa. É a tal Campo Belo mesmo.

Outra opção é usar um pouco mais o Tico e o Teco (e o Google) e ir ao IBGE. Dentre outras, descubro que os casamentos e divórcios ainda preservam as famílias por lá. Obviamente, eu duvido que você sabia que esta cidade tinha mais de 14 mil automóveis registrados, heim? Você sabia? Claro que não!

Ok, embora a Wikipedia me informe que desconhece a bandeira de valoroso bastião da resistência bandeirante no interior destas Minas Gerais, não podemos deixar de admirar o brasão da patota.

Ok. Gostou? Quer que o professor comente sobre sua cidade aqui usando um pouco de estatística, gráficos e outros brinquedos legais? Deixe um comentário. Quem sabe você é agraciado na próxima, né?

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Ainda o Plano o Real

Excelente editorial do Estadão sobre o Plano Real. Destaco:

Só um BC revigorado e com bons instrumentos poderia ter vencido com rapidez, como venceu, os surtos inflacionários de 2002-2003 e de 2009. Em 2000, a Lei de Responsabilidade Fiscal completaria a reforma.

Então, eu sei que tem um povo que acha o Banco Central um vilão malvado e feio, mas eu sou daqueles que ainda agradece aos bons funcionários do BC quando eles nos ajudam a minimizar efeitos de crises. Eles podem errar, eles podem enfrentar interesses políticos e gestões temerárias, mas, bem, eles fazem parte desta história de 20 anos aí, ok?

p.s. o governo que se seguiu à FHC nunca foi muito entusiasta da Lei de Responsabilidade Fiscal. Por que será? Humm….