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Abenomics, o café e a cerveja

Eis a notícia:

With just over 1,000 stores covering practically every prefecture, Starbucks is a coffee powerhouse in Japan. Since opening its first store in Tokyo in 1996, the company has managed to adapt its business model to suit Japanese tastes with seasonal flavors, expanded (alcoholic) menu options and utilizing Japan’s unique architecture. Last week,

Starbucks went one step further in its Japanese expansion plan by announcing that it would promote 800 temp workers to full-time positions, which netizens applauded as a move to create pressure on the Japanese market to provide better benefits to workers.

Starbucks, which currently has about 1,800 full-time employees, revealed their plan last week to promote 800 temp workers on April 1 during an interview with TV Tokyo. The move will increase numbers to 2,600 full-time employees, a more than 40% increase in headcount. The company said they will end its system of hiring so-called “permatemp” employees and instead only hire full-time workers from now on. This isn’t the first time Starbucks has taken a stand for its employees like how CEO Howard Schultz has pushed for providing health insurance for part-time workers in the U.S.

Ok, ok. Tem mais na notícia e tem notícias não tão animadoras para outros steores da economia. Enquanto o povo do café segue otimista, a patota das grandes cervejarias não está tão feliz assim.

Brewers in Japan face an April sales tax increase, stagnant wages and an aging population, the same challenges Abe’s monetary easing and stimulus spending must overcome to sustain a recovery.

Kirin Holdings Co., Japan’s biggest beverage maker, and competitor Asahi Group Holdings Ltd. forecast 2014 net income that was at least 13 percent less than analysts estimated. Both blamed the sales tax set to rise to 8 percent from 5 percent, a sign that they lack confidence that “Abenomics” will offset plans to double the levy.

“In the old days, beermakers relied on increasing sales as the economy grew,” said Mikihiko Yamato, deputy head of research at JI Asia in Tokyo. “Now, beer and liquor makers that target domestic consumers can’t raise profit margins because they are stuck competing in a shrinking market.”

Ok, cervejarias tradicionais enfrentarão o aumento do imposto sobre consumo em Abril (que também afetará os consumidores da Starbucks). Entretanto, a reação de ambos é distinta. Por que? Ora, cada setor tem suas peculiaridades de custos e benefícios, não?

A política do Primeiro-Ministro Abe tem melhorado o humor dos investidores? Vejamos  novamente nossos indicadores: a bolsa e a taxa de câmbio.

Sim, nós já vimos estas duas séries por aqui antes. Eu queria mesmo era encontrar os dados referentes à Starbucks para ver se dá para visualizar algo lá no Japão diante destas notícias. Infelizmente, não sou tão familiarizado assim com séries de dados de empresas em bolsas (mas se alguém quiser me fornecer as séries, farei a análise aqui com prazer).

Como será que anda a confiança do consumidor japonês nestes últimos tempos? Não consegui uma série rápida, mas consegui o famoso índice Tankan de confiança dos empresários.

tankan

Basic settings
Output year range : 2010-2013   New frequency to be converted : None   Conversion method : None
Recession bars : On   Stacked bar : None   Reverse scale : None

Name of time-series
[Statistical category]
Unit Scale Color Line style Line width Mark type
DI/Business Conditions/Large/Manufacturing/Actual result
[TANKAN/Judgement Survey]
% points Left Solid Normal None
DI/Business Conditions/Large/Nonmanufacturing/Actual result
[TANKAN/Judgement Survey]
% points Left Solid Normal None
DI/Business Conditions/Small Enterprises/Manufacturing/Actual result
[TANKAN/Judgement Survey]
% points Left Solid Normal None
DI/Business Conditions/Small Enterprises/Nonmanufacturing/Actual result
[TANKAN/Judgement Survey]
% points Left Solid Normal None

*1: Change from previous period   *2: Change from previous year   *3: Percent change from previous period
*4: Percent change from previous year     *5: Annualized percent change from previous period

Como não sei se o link expira, resolvi deixar um “copy-and-paste” com o link original aqui. Aparentemente, a despeito das reclamações do setor cervejeiro, o gabinete atual não parece ter muito do que reclamar. Bom, não por enquanto (ah sim, novas mudanças no índice aqui).

UPDATE: convertendo os dois para a frequência trimestral, eis o diagrama de dispersão para os dados desde 2010 a 2013.

tankan_nikkei

 

Depois eu prometo procurar a expectativa dos consumidores (juro que já vi isto em um artigo sobre a economia japonesa…).

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Seu dinheiro vai para o governo em impostos e…como eles são gastos?

Mansueto tem um texto muito importante hoje, no blog dele.

Há duas coisas que tenho certeza. Primeiro, apesar de todo o tipo de controle que hoje existe no Brasil sobre o uso de recursos públicos, o custo das políticas públicas não é transparente. Um dos meus hobbies favoritos é perguntar para pessoas que defendem a tese que o orçamento no Brasil é transparente o custo de vários programas do setor público. Rapidamente consigo mostrar como é difícil saber o custo dos programas públicos no Brasil.

 

Segundo, esse problema de falta de transparência no Brasil é muito maior no caso de politicas setoriais do que nas políticas sociais. Quando se olha o crescimento da gasto público não financeiro, nota-se de forma clara que os grandes programas sociais (bolsa família, LOAS, etc) pelo menos aparecem de forma clara no orçamento e como são despesas de caráter obrigatório, os programas de transferências de renda não geram passivos (restos a pagar) para os exercícios fiscais seguintes.

 

Como se vê, Mansueto sabe do que fala. No primeiro ponto: cadê o custo? No segundo, as famigeradas políticas setoriais. Eu imaginaria até que o modelo de grupos de interesse organizados e desorganizados (clássico tema de Public Choice) se aplica. Grupos de interesse setoriais têm menores custos de organização do que, digamos, os consumidores do Brasil, por uma questão matemática elementar: são em menor número.

Estes grupos ganham às custas da sociedade? Eu e o Leo Monasterio, há uns 10 anos ou mais, fizemo-nos esta pergunta. Curiosamente, deve ter sido um dos primeiros artigos empíricos de rent-seeking aplicado ao Brasil e muita gente tem tratado recentemente do tema sem fazer o dever de casa elementar: a revisão da literatura (em Ciências Econômicas, como em qualquer outra área, é comum vendo todo mundo querendo ser pai da criança quando a mesma é um bebê lindinho e popular…). Já mostrávamos lá naquele artigo boas evidências econométricas de que grupos de interesses atuavam no Brasil, gerando queda na prosperidade econômica.

De certa forma, não é tão difícil entender a lógica dos movimentos sociais atualmente: todos querem fazer rent-seeking. Nenhum, praticamente, deseja atuar por todos os cidadãos, mas apenas para seus associados (outra lógica clássica: a dos sindicatos…).

Faz parte da democracia dar voz a todos e, claro, também faz parte da democracia ser ineficiente quando existem milhares de grupos específicos se preocupando em repartir as receitas do Estado. O efeito? Provavelmente aumentos da carga tributária. No caso do Brasil, isto revolta a população que, claro, elegerá qualquer um que lhes dê um quinhão disto tudo (eis aqui alguma controvérsia sobre este segundo ponto). Resultado disto: novamente o mesmo efeito. Bom, eu estou imaginando que o governo não vai diminuir seus gastos, né?

Só para não ficar sem conclusão, o Mansueto não toca em um tema (mas nem é objetivo dele fazê-lo) que pode ser potencialmente interessante: por que é que lá nos EUA o controle dos gastos públicos é maior do que aqui? Em outras palavras, o que é que gera um controle mais eficiente de gastos públicos? São as instituições (no sentido de Douglass North)? Há uma literatura bem vasta sobre o tema e vale a pena pensar sobre este problema. Afinal, o mundo não é simplesmente G-T, né?

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Imóveis em Belo Horizonte: alguns dados

Considere os índices (Jul/94 = 100) da pesquisa do IPEAD para preços e quantidades de imóveis, especificamente, para apartamentos (escala logarítmica).

imoveis4

Estamos diante de uma série bem interessante porque representa os preços de venda dos apartamentos. Segundo esclarece a pesquisa:

Considera-se como venda qualquer transação que envolva troca de valores e que leve à transferência da propriedade de imóvel da construtora a outrem. Inclui permutas e vendas a prazo ou financiadas.

Então, eu sei que você está louco para falar de bolha imobiliária e tudo o mais. Mas eu não tenho informações para tanto. Posso ver como anda a variação dos índices.

imoveis3

imoveis_bh

Difícil dizer alguma coisa, não? Agora, eu sei que estes dados são uma tentação para você começar a falar de bolhas e tudo o mais. Mas, o que é, exatamente, o preço de venda do qual fala a pesquisa? É o preço no jornal ou o preço após a venda? Em outras palavras, é um preço de oferta ou um preço de equilíbrio? Como sabemos, os dois somente serão sinônimos em um caso. O que diz a pesquisa?

As seguintes variáveis são apuradas mensalmente: os preços de venda à vista, a quantidade ofertada, o número de unidades vendidas, a quantidade de novos empreendimentos, a origem dos recursos para o financiamento das obras e o estágio da construção dos empreendimentos.

Assim não ficou muito claro para mim: seria este um preço de oferta? Não sei. De qualquer forma, não encontrei nada muito diferente nos relatórios do IPEAD. Leitura de algumas notícias me levaram a concluir que o preço de venda é o preço de equilíbrio mesmo (nesta notícia o consultor faz a análise com oferta e demanda para explicar o preço).

E então…

O índice da quantidade ofertada, em BH, como se vê no final do gráfico mostra uma tendência de crescimento ali pelos meados de 2012. Por sua vez, o preço de equilíbrio continua sua tendência de aumento desde o início do gráfico. Estamos diante de uma dica de que a demanda por imóveis continua em alta? Parece que sim.

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