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Mais um teste para a polêmica tese weberiana

The Protestant Ethic and Entrepreneurship: Evidence from Religious Minorities from the Former Holy Roman Empire (Luca Nunziata e Lorenzo Rocco)

We propose a new methodology for identifying the causal effect of Protestantism versus Catholicism on the decision to become an entrepreneur. Our quasi-experimental research design exploits religious minorities’ strong attachment to religious ethics and the exogenous historical determination of religious minorities’ geographical distribution in the regions of the former Holy Roman Empire in the 1500s. We analyse European Social Survey data, collected in four waves between 2002 and 2008, and find that religious background has a significant effect on the individual propensity for entrepreneurship, with Protestantism increasing the probability to be an entrepreneur by around 5 percentage points with respect to Catholicism. Our findings are stable across a number of robustness checks, including accounting for migration patterns and a placebo test. We also provide an extended discussion of the assumptions’ validity at the basis of our research design. This paper is one of the first attempts to identify a causal effect, rather than a simple correlation, of religious ethics on economic outcomes.

Desta vez deixo apenas o link.

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Sazonalidade absoluta, relativa…em uma perspectiva mais antiga

Varsóvia, 1961: Oskar Lange tem seu Introdução à Econometria editado. O livro seria traduzido para o português e publicado aqui pela Fundo de Cultura em 1963. Faz tempo, não? Vejamos alguns pontos pinçados do livro.

Primeiro, esta história de suavização de séries:

A propósito, deve-se mencionar que a Escola de Harvard empregou métodos muito mais simples para aplainar as séries temporais. Considesrou, simplesmente, que os fenômenos em estudo se desenvolviam segundo uma linha reta. Sòmente muito mais tarde apareceram os problemas de aplainamento das séries por meio de diferentes curvas, tendo então surgido considerações teóricas sôbre o assunto. (p.56)

E o que dizer da noção de que a autocorrelação pode ser um problema mais comum do que se pensa?

Os desvios nas séries temporais econômicas em anos isolados não são, via de regra, independentes, como por exemplo, a produção de automóveis em 1957 depende, e muito claramente, da produção de automóveis em 1956. As flutuações cíclicas não se comportam do mesmo que os desvios aleatórios. (p.57)

Mas bonito mesmo é quando ele resolve falar de flutuações sazonais. Primeiro, ele distingue periodicidade absoluta de periodicidade relativa. Vejamos seu gráfico (p.68):

20140223_184253

 

No gráfico, temos duas flutuações. Na de cima (B), temos as flutuações sazonais de periocidade relativa e, na outra, (A), as flutuações sazonais com periodicidade absoluta. A diferença entre as duas, percebe-se, está no maior ou menor ajuste da flutuação sazonal a um padrão determinista (como é no caso A, nas curva que está abaixo da outra, no gráfico).

Lange, então, diz que o caso mais comum em fenômenos econômicos no domínio do tempo seriam as sazonalidades relativas. Então, ele indica o uso de logaritmos como mais adequado nestes casos (o que faz sentido, né?). A idéia, como sabemos, é baseada na propriedade simples dos logaritmos: logxt – logxt-1 = xt/xt-1. Ou seja, a variação absoluta na escala logaritmica corresponde à variação relativa na escala comum das séries econômicas.

Assim, digamos que eu esteja tratando do índice X que assume, em t-1, o valor 100 e, em t, o valor 110. Então, é fácil ver log(110) – log(100) = 110/100, sendo o log calculado na base e (o número de Neper). Sim, é uma aproximação, eu sei. Para você, hoje, parece óbvio, mas para seu pai ou seu avô, em 1963, ou para Lange:

Êsses cálculos seriam bastante complicados e, na prática, utilizamos um método aproximado que é contudo menos lógico; a média móvel centralizada é calculada da maneira usual, partindo do pressuposto de que o valor da média aritmética não difere da média geométrica. (p.69)

Viu só? Até há pouco tempo, aquele gerente mais velho da empresa usava um método de cálculo com mais erros do que os seus, baseados numa planilha boba. Ou em uma calculadora idiota, destas sem muitos recursos. Por isso o capital humano é tão importante. Eu não vou calcular o quanto um economista bem formado poupa para a sociedade (no final do dia, as empresas são a sociedade, não é mesmo?) por saberem usar logaritmos.

Aliás, James Hamilton tem um belo resumo sobre o uso de logaritmos do ponto-de-vista da análise dos dados aqui.

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Em homenagem ao Maduro…um pouco de papel higiênico

PaperArtist_2014-02-23_10-41-03A grande imprensa brasileira se esqueceu da Venezuela mas se há um tema importante por lá é a humilhação de quem não pode viver em um país sem poder fazer sua higiene básica porque o governo heterodoxo destruiu o sistema de mercado. O país está em um estado de quase guerra civil e a melhor constatação disto é o presidente de lá proibir as atividades da CNN porque, segundo ele, a emissora super-obamista dos EUA estaria insinuando que…há quase uma guerra civil por lá.

Mas deixemos a política de lado e voltemos ao nosso foco principal que é olhar para os dados. E vamos fazer isto para o Brasil. Tal como nos posts anteriores (ontem) sobre numerário, eu resolvi olhar para o papel higiênico. Então, alguns comandos (dica R super-simples!! Mas você tem que carregar os dados antes, obviamente. Minha dica já supõe que você tenha as variáveis e esteja querendo aprender a fazer alguns gráficos):

renda_real_ph<-((rend_nominal)/(1+papel_higienico/100))
drenda_real_ph<-diff(log(renda_real_ph))
sazon<-decompose(drenda_real_ph)
plot(drenda_real_ph-sazon$seasonal)
renda_real_ph_dessaz<-(drenda_real_ph-sazon$seasonal)
monthplot(renda_real_ph_dessaz)

Resumindo: calculei a renda real em termos do índice de preços do papel higiênico, calculei a taxa de variação disto, fiz a decomposição para obter o efeito sazonal, separei este efeito (com muito amor e carinho), fiz o gráfico, depois gerei um nome a série da variação da renda real dessazonalizada e fiz o gráfico da amostra para analisar a média mensal (e sua variância, também mensal). Ah sim, período amostral: 2002.02 – 2013.12.

Como a sazonalidade foi embora, a média ficou mais ou menos constante. Olha o gráfico aí.

papelhigi1

Desta vez, vamos olhar para outro aspecto do gráfico que não a média mensal (que são as linhas horizontais). Vejamos os meses. Há bastante variedade, não? Para cada mês, repare no final das linhas (seria o ano de 2013): nos meses de Abril, Julho e Setembro, tivemos aumentos na renda média real em termos do papel higiênico (note que já descontamos os efeitos sazonais). No restante do ano – os outros nove meses – o comportamento foi o oposto: a economia amadureceu (perdoem-me o trocadilho infame…ou mudem de canal) e a renda média caiu em termos do papel higiênico.

Eu sei, eu sei. É domingo e você não quer ficar aqui falando de papel higiênico. Eu sei, mas é inevitável, pois não inventaram nada melhor ainda. Mas o fato é que, de maneira aproximada, este breve exercício mostrou que está ficando mais caro viver com o papel higiênico e, bem, não acho que vamos abrir mão de um bem de necessidade como este (cuja demanda deve ter uma elasticidade-preço relativamente baixa, penso eu).

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Economia política: quem ganha mais dinheiro da burguesia capitalista?

A distribuição dos recursos entre 2011 e 2014 para partidos políticos feita pelo Estadão (ver também aqui e aqui) me faz pensar em uma única questão: a correlação entre doações para mensaleiros e o tamanho do quadradinho no infográfico é positiva e forte?

Ao invés de se preocupar com paypal ou bitcoin como meios de pagamento, talvez devêssemos nos preocupar em checar a fonte de recursos de doações para condenados. Ou então poderíamos difundir a estratégia como uma inovação da Justiça brasileira. O.J. Simpson poderia ter se safado? E Oswald Lee? Só não pagou a fiança porque não havia internet?

Pois é…

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A inflação é o jeito mais fácil de tirar um doce de uma criança

A jornalista modificou um pouco minha frase (usou “brigadeiro” onde eu disse doce), mas, essencialmente, minha breve participação nesta entrevista está correta. Um resumo dos 20 anos do Plano Real pode ser encontrado neste artigo do Gustavo Franco. Os leitores mais novos, que não passaram pelo horror inflacionário ganharão muito se lerem o texto dele.

Quem não passou por isto tende a minimizar os efeitos da inflação e acham graça quando o governo tenta enviar mensagens sutis para a população com um tom, digamos, inflacionista, repetindo uma antiga falácia de que “a inflação é apenas um pequeno preço a pagar pelo crescimento” ou “o neoliberalismo nos impõe uma meta de superávit primário para ajudar a combater a inflação, mas isto vai gerar impostos para vocês” (este último caso deve estar fresco em sua memória, não?).

A inflação não tem nada de engraçado, entretanto. A inflação, como a que vivemos nos anos 80, é algo a se evitar, sempre. Quem nunca viu, precisa ser educado mas, ao contrário de alguns, eu não acho que a melhor forma de educar uma pessoa nos horrores da hiperinflação seja deixando ela experimentá-la (em troca, claro de uma reeleição, ou algo assim).

Voltarei ao assunto da inflação nos próximos dias, para falar dos 20 anos do Real.

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A mídia…

Interessantíssima evidência anedótica sobre o viés da mídia, nos EUA:

Instapundit blogger Glenn Reynolds called attention to a case of media bias. One of his readers noted that Politico reporter Elizabeth Titus, in a piece on how there seem to be no scandals in Republican governor Scott Walker’s background, identified these politicians as follows:

 

Anthony Weiner: “The former congressman”
Rep. Chris Lee: “married New York Republican”
Mark Sanford: “The Republican”

 

Notice something? Reader Jeffrey Kirshner did. The one person whose party was not identified was Democrat Anthony Weiner. I’ve noticed that a lot. Republicans who do something scandalous are identified as Republicans. Democrats who do something scandalous apparently have no party affiliation.

 

O negrito é por minha conta. Agora, e no Brasil? Heim?