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Momento R do Dia

Não faço a menor idéia, mas acho que o povo de Finanças pode gostar.

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Espero que, no futuro, eu possa esperar mais do que espero hoje!

Pessimismo com o PIB? Ninguém esperava nada muito diferente, né? Trecho:

Após a prévia do PIB ter decepcionado o mercado na sexta-feira, economistas já começam a rever suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. A previsão de crescimento da economia brasileira em 2014 passou de 1,90% para 1,79% na pesquisa Focus do Banco Central. Para 2015, a estimativa recuou de 2,20% para 2,10%. Há quatro semanas, as projeções eram, respectivamente, de 2% e 2,50%.

O IBC-Br já não foi lá aquelas coisas. O passado recente não foi lá aquelas coisas e o futoro que se espera também não…já está repetitivo, eu sei. As expectativas quanto ao futuro em ano eleitoral poderiam ser melhor?

Abre alas que a política quer passar!

Olha, eu diria que poderiam se houvesse um pouco mais de seriedade quanto às regras do jogo. Há um tempo atrás Brender & Drazen [Brender & Drazen (2006)] encontraram evidências de que a política poderia ser melhor com a prática. Como assim? Em resumo, é como se eu te dissesse que eles encontraram sólidas evidências estatísticas de que a prática eleitoral constante faz com que os eleitores aprendam a controlar melhor seus políticos (um resumo grosseiro, mas, ei, você pode ler o artigo).

Por exemplo, pense no caso do desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal. No dizer dos autores, isto só ocorre porque estamos há pouco tempo em democracia (somos uma democracia jovem, na definição do trabalho deles). Não quer dizer que não possam surgir governos super-irresponsáveis como o da Grécia, que jamais fez o que deveria ter feito (lembro-me de citar, neste blog, ou em outro lugar, o trabalho do Robert Mundell, sobre uniões monetárias da primeira metade da década dos 90 no qual o autor citava explicitamente o caso da Grécia, Espanha e mais alguém que precisavam fazer o ajuste fiscal…).

Eu gosto do argumento destes autores e, então, sim, no longo prazo, eu sou otimista. Mas, no curto prazo, não. No curto prazo, aliás, talvez você prefira o debate que o Mansueto apresenta aqui.

Formação de expectativas

Existe toda esta literatura que anda na moda sobre a capacidade do sujeito formar expectativa de forma mais ou menos racional. É sempre bom ter a ciência avançando, mas a verdade é que estes modelos ainda estão longe de nos dar resultados mais conclusivos. O caminho entre a ciência e o livro-texto do aluno no primeiro é muito mais longo. Notem como o próprio livro-texto do Mankiw, após algumas edições, ganhou lá um capítulo sobre economia comportamental e outras coisas (quer uma boa introdução? Leia isto).

Mas não precisamos de muito debate para saber quais são as expectativas do mercado. Olhe o que nos diz o relatório Focus do Banco Central. Seja de forma racional, irracional, piparótica, estrambótica ou taciturna, o fato é que agentes formam expectativas e são capazes de nos dizer o que esperam do futuro e, bem, não estão tão otimistas assim.

Eu sei, eu sei, você não aguenta mais ver gráficos aqui e eu já falei de muita coisa aí para cima. Mas veja aqui um pedaço da série da mediana das expectativas (peguei lá na excelente página do Banco Central). Admire o gráfico por 30 segundos.

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Pois é. Você achou bonito, né? Parece que o governo conseguiu estabilizar a inflação, né? Porém, lembre-se: a meta é 4.5% ao ano. O Excel, para otimizar a escala, jogou a meta lá embaixo. Isso mesmo, meu caro. A coisa está feia, muito feia.

Ok, eu sei que tem gente que adora chegar com aquele papo de “a meta não é adequada”, mas isto me cheira (embora eu possa até discutir méritos desta proposta em debate sérios) a picaretagem: perdeu o gol e diz que as traves deveriam ser mais abertas? Ora, ora…

Então é isto. Nada de muita análise estatística hoje. A coisa está feia demais sem precisar de muito esforço, infelizmente.

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Desmistificando o Keynesianismo de Bar

Todo leitor deste blog sabe que não há preconceitos contra a ciência aqui. Mas discurso de boteco a gente tem que destruir – quando errado está – pelo bem do país.

Aí o cara chega para você e diz:

” – Eu li no meu primeiro ano de Economia (imagino se o sujeito gostaria de ser operado por um novato de Medicina, mas vamos ignorar isto por enquanto) que quando o governo aumenta o déficit público, gera crescimento (mesmo que a gente seja bonzinho e considere aquela oferta agregada dos sonhos, toda rígidas nos preços, o argumento é terrível)”.

Logo, ele arremata:

“- Portanto, uma guerra é um bom negócio”!

Vamos ser sinceros. É muita falta de senso, né? Não vou gastar meu latim – aliás, não sei latim – com o tema. Apresento apenas uma evidência para reflexão: é a Ruanda o país mais rico do mundo?

Eu poderia fazer um desenho, mas alguém já fez uma tabela que mostra como esta história de guerra gera uma, digamos, queda no estoque de população.

Não se convenceu? Bem, pergunte a quem teve seus bens destruídos no vandalismo que caracterizou praticamente todos os protestos recentes no Brasil. Veja se eles estão mais ricos agora? Ou, claro, veja se quem financiou os vândalos teve suas próprias propriedades destruídas. Ficaram mais ricos? Talvez estejam pensando em enriquecer com a destruição alheia, o que é o oposto da definição de uma troca econômica (voluntária, logo, geradora de valor).

É, ler metade de um livro-texto não é suficiente. Nunca foi.

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Brasil: de neoliberal, só o discurso (e nem este)!

O Brasil é uma economia fechadíssima. Todos já sabem disto, mas agora é oficial: deu no jornal. Melhor dizendo, a OMC contabilizou suas estatísticas e, bem, somos campeões. A equipe econômica está de parabéns.

Não estamos falando de índice de liberdade econômica, mas sim de dados primários. Confesso que tentei achar os dados da notícia na página da WTO, mas não consegui encontrar nada muito específico. Provavelmente está em algum dos informes recentes ou neste documento (ou, melhor, neste).

Economia com mais tarifas….mas por que criaram as tarifas?

Um país mais fechado, entretanto, não significa apenas um país mais, digamos, enrolado com as trocas comerciais com o resto do mundo. A bijeção entre o mundo teórico e o mundo real é um caminho bem mais rico do que pode parecer à primeira vista (se é que é uma bijeção). O leitor mais atento poderá ver que, na barra lateral à direita, há índices para todos os gostos: índice de globalização, de liberdade econômica, etc. Em outras palavras, há várias formas de se medir o grau de “fechamento” de uma economia.

Por que, então, criam-se tarifas alfandegárias (em economês, em geral, “tarifas” dizem respeito às tarifas alfandegárias…não confunda com o vocabulário comum, ok?)? Ninguém gosta de tarifas, mas muitos nos dizem que elas são importantes pelos melhores e piores argumentos. Bem, se a questão é empírica, vejamos um pouco de história e evidências empíricas.

Neste artigo (Lampe & Sharpe (2013)), os autores encontraram que:

We argue for a new approach to examining the relationship between tariffs and growth. We demonstrate that more can be learned from time series analyses of the experience of individual countries rather than the usual panel data approach, which imposes a causal relation and presents an average coefficient for all countries. Tentative initial results using simple two-variable cointegrated VAR models suggest considerable heterogeneity in the experiences of the countries we look at. For most, however, there was a negative relationship between tariffs and levels of income for both the pre- and post-Second World War periods. However, in the second half of the twentieth century, the causality ran from income to tariffs: that is, countries simply liberalized as they got richer. Policy decisions based on the usual panel approach might thus be very inappropriate for individual countries.

Ok, eu sei que nem todo mundo aqui é super-versado em Econometria, mas o resumo é razoavelmente auto-explicativo. Um dos pontos interessantes deste artigo é mostrar que a Segunda Guerra Mundial pode ser um marco importante a se considerar nestas análises sobre se devemos ou não “fechar a economia por meio de tarifas”.

Claro, tarifas não são a única forma de se fechar a economia (pense nas famosas “barreiras sanitárias”, por exemplo). Logo, embora o artigo acima nos dê alguma visão do que acontece, há mais variáveis para se estudar. Só para lembrar, a abertura econômica pode criar e destruir empregos (aliás, ela faz isto). Obviamente, agentes (os racionais, ok? Os outros podem continuar rasgando dinheiro) reagem a este tipo de coisa. Formam-se grupos de interesse específicos e, bem, você conhece a história.

Grupos de Interesse também são importantes!

Aliás, existe até aquele ponto teórico bacana de Public Choice que nos diz que tarifas e quotas são diferentes em termos dos grupos de interesse (governos adoram tarifas, pela receita gerada e grupos de empresários adoram quotas de importação pelo monopólio que ganham) e, portanto, estudar a estrutura de “fechamento” de uma economia é algo que não se pode fazer de forma completa ignorando este detalhe.

É bom ou ruim fechar a economia?

No longo prazo, não há quem, em sã consciência – e conhecimento de Economia – diga que a abertura prejudica a sociedade. Pelo contrário. No curto prazo, há aí um debate que, veja bem, não está desconectado do longo prazo porque, embora exista a criação e destruição de empregos, o fato é que as bases para o desenvolvimento do país (o tal longo prazo) são construídas diariamente. Em outras palavras, ele é microfundamentado e está em constante processo de construção (ou destruição). De certa forma, deveríamos inverter a pergunta: quantos empregos deixam de ser criados ou destruídos quando o governo fecha a economia?

Ah, e não se esqueça do custo fiscal do governo: menos tarifas, menos receitas…no curto prazo. E no prazo mais longo? Um novíssimo texto para discussão (Cagé & Gadenne (2014)) faz as contas para países em desenvolvimento.

This paper puts the recent evolution of tax revenues in developing countries in historical perspective. Using a novel dataset on total and trade tax revenues we compare the fiscal cost of trade liberalization in developing countries and in today’s rich countries at earlier stages of development. We find that trade liberalization episodes led to larger and longer-lived decreases in total tax revenues in developing countries since the 1970s than in rich countries in the 19th and early 20th centuries. The fall in total tax revenues lasts more than ten years in half the developing countries in our sample.

E daí? Menos receitas significam menos recursos para bens públicos, mas também menos recursos para alimentar a besta da corrupção (olha aquela conversa de boas instituições reaparecendo “discretamente” aqui…).

Outro ponto: de que vale preservar empregos se a vida é miserável? Uma economia ultra-fechada é a Coréia do Norte e ninguém quer pular o muro para ir morar lá. Nem a galera mais radical do movimento estudantil pediu bolsa para o Ciência Sem Fronteiras para morar em Pyongyang (caso esteja enganado, por favor, mostrem-me as evidências!). Então, sim, embora os estudos empíricos sejam sempre recheados de polêmicas aqui e acolá (ou aqui e alhures, se você for um destes nacional-inflacionistas), o fato é que abertura parece, no fim do dia, ser uma boa idéia (e olha que nem tratamos dos aspectos culturais da abertura ou de todos os argumentos econômicos possíveis).

Não tem conclusão, amigo. Mas tem muita coisa para se pensar, né?