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Momento R do Dia e Econometria

Três dicas:

Fui.

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Você pode ser mais islâmico do que pensa :)

Sim, as video-aulas voltaram. Não tenho nenhum curso planejado, mas acho que você vai se divertir com esta pequena aula. Assim espero.

Há uns três semestres que alunos passam por este texto comigo. Há dois, eles o apresentam. O livro tem mais, claro, mas acho que já é hora de chamar a atenção para o tema do livro de maneira mais, digamos explícita.

Preste atenção. Tem uma economia política lá nesta história dos espanhóis. Assista o vídeo até o final. Comentários? São bem-vindos.

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「やゆfish」 no Brasil

Ouvir esta música dá saudades do evento que promovemos eu e o Gustavo, em BH, no ano em que ocorreu aquele dramático grande tsunami. Na verdade, o planejamento foi anterior à desgraça e tivemos pouca oportunidade de arrecadar dinheiro para as vítimas. 

A modernização da música folclórica era algo que eu não via com bons olhos no início. Entretanto, ao conhecer o trabalho da dupla Yayu Fish, minha opinião mudou radicalmente.

A música folclórica japonesa talvez não seja tão popular assim entre os jovens (mas não se engane, há muita gente boa por aí), mas é de uma riqueza imensa. No link você perceberá que este tipo de música causa muita polêmica por lá. Aqueles que inovam nem sempre são bem recebidos. E há a tradição oral, o que exige um trabalho de memorização dedicado para várias músicas.

No Brasil (ou devo dizer, São Paulo?), com a imensa massa de imigrantes de Okinawa, o pessoal passou a conhecer mais as músicas folclóricas de Okinawa. Mas eu sou da opinião de que a música do norte do Japão, neste estilo, ainda é a mais bonita.

É bem verdade que eu queria estudar este mercado: o mercado musical japonês, um dos mais movimentados do mundo, se não me falha a memória. Mas, na falta dos dados, a gente segue ensaiando e buscando informações (e ouvindo música, claro).

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Um Bookholder para cada aluno

bookholder

Governantes adoram aparecer. Gostam de grandes projetos, pontes, “reformas educacionais”, buscam mexer na sua vida para serem notados. Falam de tabletsnotebooks. Aliás, neste último caso, eu me lembro muito do que eu chamo de erro de Celso Furtado.

O que seria o erro de Celso Furtado? Seria esta ânsia de industrializar, encher o país de máquinas achando que o capital humano para operá-las ou já existe ou vem em segundo plano. Podem falar o que quiser, o fato é que Celso Furtado não enfatizou – ele mesmo um auto-didata – o capital humano. Talvez tenha achado que todos poderiam ser auto-didatas (embora seus descendentes políticos inibam o homeschooling, por exemplo).

Eu tenho uma proposta mais modesta. Ontem, conversando com nossa profissional do Apoio Educacional da faculdade, eu lhe apresentei meu gagdet (entre aspas) favorito: o bookholder (propaganda gratuita, neste caso). Antes de ir para os EUA, eu não conhecia esta maravilha. A gente falava mal dos EUA por aqui, nas faculdades, falava do declínio de um império que jamais declinou e, para piorar, tinha bookholders.

Desde então, todo amigo que vai para os EUA e me pergunta se quero algo, eu peço um. Tenho uns três de reserva, dois do mesmo modelo do link acima. Conversando com o Ronald Hillbrecht (aliás, acho que foi ele quem me mostrou o primeiro bookholder que vi na vida) um dia, ele me disse algo como: o pessoal não entende o que é tecnologia. Acham que são computadores, etc. Mas veja o bookholder.

Eu consigo imaginar centenas de brasileiros lendo em qualquer lugar com um destes, de fácil transporte, leve, prático, ajustável. Não tenho nada contra ebooks – eu mesmo tenho vários e os leio – e sei que a demanda por conhecimento é muito baixa. A qualidade dos comentários na internet, a superficialidade de alguns textos e, claro, os resultados do PISA, dizem muito sobre como nossos alunos não aprendem a ler e escrever, embora nossos burocratas queiram que tenham classes de piano, tambor, filosofia marxista, sociologia marxista, história marxista e geografia marxista. Como se vivêssemos tentando “despoluir” os meninos de um regime militar que desapareceu há mais de 40 anos e não tivéssemos que fazê-los ler.

Algo genial aconteceu no Brasil recentemente: crescemos com pobres enriquecendo. Estes novos membros da classe média não são idiotas: querem boas escolas, querem melhorar, querem enriquecer. O blogueiro sociólogo pode chorar, dizer que dinheiro não é tudo, que o capitalismo é isto ou aquilo, mas o pobre quer se sentar na mesa do mesmo restaurante que o blogueiro frequenta para ouvir ricos fofocando e escrever seus pretensos tratados sobre o mal (?) do século: a ética burguesa.

Tem gente pobre que acha que cachorro defecando, criança lendo e comida na panela são ações que se pode fazer no mesmo local, fisicamente falando. É triste, mas o aprendizado só vem com a educação. Ensine o pobre a tomar banho e ele será um novo homem. Ensine-o a estudar e eu aposto que a curva de crescimento do PIB potencial sofre uma inflexão positiva. Dê a um moleque que gosta de ler livros e, bem, ele lerá. Agora, dê-lhe um bookholder e ele lerá em praticamente qualquer lugar. Sim, meus caros.

Obviamente, nosso governo imagina que este complexo artefato é uma ameaça à indústria nacional (que nunca sequer pensou em inventar algo tão inusitado e complexo, com tanto “valor adicionado”, entendido, na lógica do erro de Furtado, como chips, microcomponentes, etc). Tente importar um destes e você terá de pagar um imposto elevado para a Receita Federal. Fale dele para um político e ele lhe falará de tablets. 

Não são nem dez dólares por um artefato tão simples e útil. O quanto você acha que, ceteris paribus, a produtividade de um estudante aumenta com isto? O conforto de ler o livro sem ter que me inclintar tanto (e, portanto, talvez com menos incentivos para dormir), a facilidade de ajustar sua altura e largura para diversos livros, enfim…é tão simples que certamente só um político desavisado poderá  apoiar o fim de restrições à sua importação. Ou um bem maquiavélico (mas inteligente). Ou um que seja liberal.

Pois é. O governo tem sua campanha bonita, pomposa, com muito (do meu e do seu) dinheiro, para falar de tablets. Eu tenho uma mais simples: dê um bookholder  para cada um de seus filhos(as) e lhes mostre o prazer de aprender. Você fará mais pelo seu filho do que todo o sistema educacional tem feito e poderia fazer (mesmo que quisesse, creio).

erro de Furtado, portanto, parece ser o de nunca ter conseguido compreender exatamente o significado de choques tecnológicos. Ironicamente, seus seguidores mais fanáticos (pouco afeitos à ciência) falam muito em tecnologia, em pólos tecnológicos ou qualquer outra tentativa de engenharia social centralizada. Mas noventa e nove por cento deles sequer ouviu falar do bookholder. Dirão para você: “- inútil, nunca precisei e olhe onde cheguei”? E você lhe responderá: “- Precisamente. Olhe até onde você só conseguiu chegar”.

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Recessão? O IBC-Br

PaperArtist_2014-02-15_09-43-20O que vem a ser o IBC-Br? Diz o Estadão:

Chamado de ‘PIB do BC’ e considerado um termômetro para o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado nesta sexta-feira, 14, aponta para um crescimento de 2,52% da economia brasileira em 2013.

Ele é chamado de ‘PIB do BC’ porque, supostamente, tem uma forte aderência com o PIB. Isto é verdade? O Vitor Wilher mostrou que evidências de que, sim, é (neste post).

Para saber o que é o IBC-Br, bem, a gente vai até a fonte. Eis a definição:

Índice de Atividade Econômica do Banco Central – Brasil. Desde 2010, retroagindo a janeiro de 2003, o BC divulga o IBC-Br. Esse índice, de periodicidade mensal, é uma medida antecedente da evolução da atividade econômica. Incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, assim como os impostos sobre os produtos. É, portanto, um indicador que incorpora a trajetória de variáveis consideradas como proxies (medidas aproximadas de outras) para o desempenho dos três principais setores da economia.

Ninguém sabe exatamente porque o índice parou em 2003, se por motivos políticos ou técnicos (metodologia de cálculo aqui, ainda que pouco detalhada). Vamos dar uma olhada na série sem aplicação de métodos de dessazonalização (para facilitar a visualização, dividi em dois períodos a amostra, só para os movimentos da série ficarem mais óbvios).

IBC_Br1

O leitor pode observar que o índice tem uma suave tendência de crescimento desde o início da série, além de movimentos sazonais bem marcados. As causas destes movimentos sazonais, claro, devem ser buscadas nas séries que compõem o indicador (olhe lá na metodologia).

Uma série sazonal?

Para aqueles mais aficcionados da Econometria, eis como fica a série quando lhe aplicamos um filtro de decomposição para separar, especificamente o efeito sazonal.

exemplo_sazonal

Você percebe que a série dessazonalizada é mais “suave” do que a série original (em azul), não? Obviamente, eu não apliquei o mesmo método de dessazonalização do pessoal do Banco Central (um X-12, se entendi corretamente a nota de rodapé do texto explicativo), mas dá para se ter uma idéia de para onde vai a série, não?

Mesmo usando um método de dessazonalização diferente, podemos ver que o mesmo faz efeito. Por exemplo, considere o gráfico das médias mensais que já usamos em outros posts.

ibc_br_sazonal

No primeiro gráfico temos a série original e, no segundo, a série dessazonalizada. Percebe-se que o efeito sazonal na média diminuiu consideravelmente. Isso mostra porque analistas gostam de divulgar séries dessazonalizadas: eles têm um problema a menos para explicar que são os ciclos sazonais.

Alguns pontos para se lembrar (se você gosta de detalhes)

Pois é. Agora, vamos nos ater a uma questão que o Vitor citou no seu post (citado acima). Ele se perguntou o que acontecia com a relação entre o IBC-Br e o PIB. Bem, ele tem, na verdade, dois problemas. O primeiro pertence à literatura dos chamados indicadores antecedentes. Ele quer saber, por exemplo, se uma série antecipa os movimentos da outra. Esta é uma questão.

Mas ele tem um segundo problema: como comparar dados em frequências distintas? Afinal, o PIB é trimestral e o IBC-Br é mensal, certo? Neste caso, você não pode comparar as séries. Claro que alguém pode querer fazer como aprendeu lá no 1o ano da faculdade e calcular uma média móvel. Não está errado, mas não é a única forma. Por exemplo, neste texto, você encontra dicas de como fazer para converter dados trimestrais em mensais (algo mais aqui e aqui). Ah sim, e é bom lembrar que é melhor não criar pseudo-ciclos com a conversão (não me lembro onde li isto, mas algo me diz que não estou errado). De qualquer forma, esta história de mudar a frequência de uma série pode ser tão complicada quanto se queira.

Aos que gostam de análise de regressão, eu já não recomendo que se faça uma regressão destes dados com a PIM-PF, por exemplo. Afinal, o IBC-BR já é construído a partir da PIM-PF e, portanto, a regressão não vai dizer muita coisa. Muito mais razoável é pensar em ambas como proxies uma da outra. Na verdade, o pessoal, em geral, usa o IBC-BR como proxy do PIB como explicado pelo Vitor e pelo pessoal do Banco Central.

Recessão? 

Não sei se vamos para uma recessão e nem vou fazer um ajuste de um modelo ARIMA aqui. Mas sei que, quando eu disse ao pessoal do Nepom que eu queria de algum deles um comentário sobre o IBC-Br, eu tinha em mente algo similar ao que fiz neste breve texto.

Para se analisar a questão da recessão, creio, o melhor é conjugar a análise destes dados com outras séries importantes. Acho que o pessoal do Nepom vai mostrar um pouco deste tipo de trabalho na próxima apresentação (sim, é aberta ao público), dia 25 de Fevereiro, lá na faculdade. Geralmente começa às 16:00 horas.