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O último samurai e o primeiro burocrata

Sempre que eu penso na grana que paguei pela anuidade na Cliometric Society eu concluo: não me arrependo. O journal da nossa associação é uma das coisas mais legais de se folhear. Vejo, por exemplo, o resumo deste artigo que ainda será publicado:

The notion that professional, efficient and non-corrupt bureaucracies foster economic growth is virtually uncontested. In spite of this wide consensus, central questions remain unanswered. Thus, while the harmful effects of dysfunctional administrations are extensively covered in the theoretical literature, little is known about the empirical relevance and the expected costs of insufficient administrative rationalization. And while efficient bureaucracies are considered a key ingredient to institutional performance, the existing research rarely investigates how desirable administrative structures have been implemented in history or which concrete policy measures constitute feasible reform strategies for present-day development countries. The present paper therefore aims at providing empirical evidence to dose this lacuna; to do so, it relies on the case of administrative reforms in the last three decades of the nineteenth century in Meiji Japan. Building on an exceptionally detailed set of official statistics and documentary sources, it constructs a panel of 45 Japanese prefectures and assesses the impact of heterogeneous reform implementation on canonical indicators of economic performance including measures of regional GDP, business activity and financial market development. The central results of the econometric analysis are that delayed administrative rationalization came along with a statistically significant and robust penalty on all development indicators. Moreover, this effect was remarkably persistent over time, as the data show that late-reforming prefectures performed systematically worse than the administrative forerunners until well into the twentieth century.

Pois é. Todo mundo fala, na escola (bem, existe uma lacuna nas aulas de história do colégio, mas vamos lá…) sobre a Revolução Meiji. Alguns decoram umas datas – 1896? – e os meninos visualizam ninjas ou samurais comendo peixe cru. E só.

Bem, cada evento histórico é único e cheio de fatos interessantes, como a vida. A mudança institucional não foi nada tranquilo como todo nerd de jogos de computador sabe (ou aquela galera que adora uma menina de cosplay). A Restauração (ou Revolução) Meiji não foi pacífica. Foi preciso o Tom Cruise fazer o trabalho de centenas de professores de história que folgaram no dia da aula para que os alunos não-japoneses aprendessem um pouco sobre o período. (o moço aí ao lado, por exemplo, tem um papel importante nesta transição da ditadura (Bakufu) para a monarquia constitucional)

Não é realmente estranho que ninguém pare para se perguntar sobre estas coisas? Então existe lá um bando de gente armada com espadas, um status quo estabelecido e, de repente, alguém vem e promove uma reforma institucional destas? Não é algo que deixaria você curioso? Eu sei que se você pesquisar um pouco mais descobrirá até coisas interessantes. Por exemplo, sabia que este escocês (e não falo de Adam Smith) teve papel importante nestas tramas políticas da época? Sabia também que ele faz parte da história da Kirin Beer?

A evolução institucional do Japão é um daqueles capítulos da história econômica que eu ainda vou estudar com calma, quando me aposentar. Aliás, eu preciso parar de prometer estudar mundos e fundos quando me aposentar porque, pelo que já percebi, eu não vou me aposentar…

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