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Piada papal: o dinheiro deve servir, não governar

Pois é, o papa argentino disse isto e eu logo pensei: o papa é hayekiano, virou free-banker. Depois, com mais calma, pensei que o papa poderia ser, na verdade, um fervoroso defensor da política monetária sob regras, não discrição.

Mas aí eu me lembrei que o papa é só um argentino. Bateu aquela depressão.

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Elogio ao Bernanke

Michael Munger tem uma excelente peça hoje, no blog. Trechos:

I know that it is hard to think of Bernanke as even mediocre, let alone exceptional, because of the massive strident criticism he’s faced from an array of monetary cranks all convinced that they have the magic bullet to achieve prosperity and only Bernanke’s stupidity or cowardice kept him from firing it.

If only he’d target nominal GDP! If only he’d raise the inflation target to 4%, If only he’d promise to keep inflation above its 2% target for years after the economy has fully recovered.

It is true ladies and gentlemen that if the Bernank had wheels, he’d be a bicycle. But he’s not a bike, he’s an economist and the Fed is not so powerful as to be able to fix our economy with a new nominal target or a new promise.

(…)
The Fed can avoid screw ups. It can prevent rampant inflation and it can stand as a supplier of liquidity and a lender of last resort in a crisis. But the notion that monetary policy can hit any desired output target in normal times or abnormal times is a foolish and dangerous notion, sadly often promulgated by macroeconomists in the Fed’s employ.

Perfeito. Esta história de criticar Bernanke porque ele não fez o que você queria (e sem a menor decência de apresentar um contrafactual razoável) é fácil. Além disso, ok, se Bernanke tivesse rodas, seria uma bicicleta e, bem, Munger nos lembra das palavras de Milton Friedman sobre a política monetária: ninguém é capaz de determinar claramente todas as relações entre todas as variáveis e, portanto, não é à toa que fazemos (ou devemos fazer) política monetária de maneira cautelosa, conservadora, cuidadosa. O poder de influenciar a economia de um Banco Central não é, obviamente, desprezível, mas devemos nos lembrar do mesmo muito mais como um poder sobre o qual pouco se conhece do que um poder devidamente “domesticado”.

Munger acertou no ponto. Agora, uma coisa é ser humilde, outra é ser passivo. Eu diria que a grande diferença entre a política monetária passiva e a ativa é que a última só funciona com a dose certa de humildade. Sim, você pode lembrar do significado tradicional de política monetária passiva e associá-la com a arrogância de uma autoridade fiscal que, leia os jornais para se inteirar do contexto brasileiro, atira para todos os lados, inclusive no próprio pé.

É engraçado. Entra ano, sai ano e o número de pessoas que fala mal de Milton Friedman sem ter lido A Monetary History of the United States, 1865-1960, só parece aumentar. Uma pena. De qualquer forma, parabéns ao Bernanke por ter administrado a maior economia do mundo em uma de suas piores épocas. Este povo que fala que “bastaria extinguir o FED” ou “socializar os meios de produção encontram-se no mesmo nível quando se trata da qualidade do argumento no que nos interessa: solução de problemas do mundo real. Qual é o nível? Adivinhem.