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Bryan Caplan…finalmente em português

Pelo menos um pequeno texto dele. Já não era sem tempo.

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Emoções, muitas emoções…e o capital humano

emocoes

 

Eu sei que vocês leram este post. Só de curiosidade, eu pensei: a gente fala tanto de capital humano e crescimento econômico, instituições…e nem sempre temos a oportunidade de rir com isto (leia o post para pegar o gancho da piada). Então, aí vai uma correlação com o nível de capital humano dos países e o tal indicador de “emoção” citado pelo Tyler Cowen. Não invoco nenhum caráter científico nesta correlação, mas suspeito que a velha verdade prevaleça: capital humano gera riqueza e riqueza gera bem-estar, alargamento das opções (maior e mais diversificado conjunto orçamentário) e, portanto…emoções, sorrisos e, creio, felicidade.

Então, é verdade, dinheiro traz felicidade. Mas se eu consigo ver isto só com esta correlação? Claro que não. Mas não custa brincar um pouco. Afinal, hoje é domingo.

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Introdução à Abenomics – parte III

Neste post vamos deixar de lado as regressões para comentar, rapidamente, esta matéria. O texto, de outro blog, comenta as perspectivas da política do gabinete de Abe para 2014. Sabe-se que, após muito tempo de espera, este ano haverá o aumento no imposto sobre consumo no Japão, uma medida que vai na contramão dos estímulos econômicos, embora não seja algo banal, dado o tamanho da dívida pública japonesa e sua sustentabilidade.

Diante disto, os blogueiros fizeram uma rápida pesquisa sobre o impacto do imposto e dos bônus, que trabalhadores ganharam recentemente, sobre o consumo. Esta é uma oportunidade para falarmos, novamente, de questões macroeconômicas.

Diamond surveyed 200 workers about their winter bonuses. Seventy-eight said they received no bonus at all, while 98 said their bonus was less than ¥500,000. Only 38 replied that their bonus was larger than last year’s, while 40 said it was less. The remainder said there was no change. This contrasts greatly with the widely reported news that the average winter bonus of an employee of a large company was ¥806,000.

More significantly, when Diamond asked the people who did receive a bonus what they used it for, 61 percent said it went into their savings, while 24 percent said it would go for “necessary expenses” and 19 percent used it to help pay off loans. In other words, only 6 percent, at most, bought something with it.

O que acontece em um mundo menos simplista, no qual decisões de consumo são intertemporais? Em um mundo como este, bem mais próximo de nosso dia-a-dia do que uma função consumo keynesiana, falar de consumo é falar de poupança. Afinal, como sabemos, consumir menos hoje (poupar) é consumir mais amanhã (despoupar). Logo, são importantes para a tomada de decisão: a renda do indivíduo, a taxa de juros, a taxa de desconto intertemporal e os impostos (ou a expectativa de aumentos de impostos).

Geralmente, um aumento na renda significa um aumento de consumo, com alterações no padrão de poupança, dadas as outras variáveis citadas. Na pesquisa acima, vemos que o bônus – equivalente ao aumento da renda – deve gerar um aumento de gastos e quitação de empréstimos. Note que não fica claro o que se quer dizer com “necessary expenses”, o que deixa a notícia do blog menos precisa. Afinal, 24% dos entrevistados vão gastar em alguma coisa e 6% vão comprar algo. Nada surpreendente ou contra-intuitivo, não?

Por que pessoas poupam? Bem, vamos a outro trecho:

(…)  The Cocomane website (…) did its own survey of 1,127 people, 80 percent of whom said they “economize” on a regular basis. Why are they always looking to save money? The number one reason is to “prepare” for future expenditures. The second most common reason was “loss of income,” and the third reason “not enough money saved.” (…)

But the most interesting responses were in relation to the consumption tax hike. Fifty-four percent of respondents said they have not made nor do they intend to make any “big purchases” before the increase goes into effect, and 62 percent of the people who are making big purchases say it has nothing to do with the increase. Essentially, most consumers either aren’t changing their already careful consumption habits in face of the tax increase, or they will try to spend less. Almost no one expects to spend more.

Percebe-se que o consumidor japonês nada tem de distinto em relação aos norte-americanos, brasileiros, etc. Poupa-se para gastos futuros ou por conta de incerteza quanto ao futuro. Claro, há também o problema de se acertar o nível de poupança desejado diante dos fatores aleatórios da vida. Em resumo, é o que nos diz o primeiro parágrafo.

No segundo parágrafo, contudo, vem a parte interessante, em termos da Abenomics: o impacto antecipado do aumento futuro do imposto. Não é de hoje que os economistas falam da importância de se distinguir entre políticas antecipadas  e não-antecipadas (isto sem falar no aspecto temporário  ou permanente, mas esta fica para depois). Todo mundo sabe que vem aumento de imposto. Logo, o que fazer? A teoria econômica nos diz que a reação natural não é gastar mais. Aliás, é o que as evidências da pesquisa indicam.

Mas, neste caso, como fica a Abenomics? Como o post noticia, o primeiro-ministro Abe saiu por aí em uma campanha para que as empresas aumentem os salários para estimular a economia. Caso isto aconteça, é possível que o efeito líquido seja de aumento de consumo, desde que, ignorando outras variáveis (ou seja, ceteris paribus, ou seja, tudo o mais constante), o aumento de salário mais que compense o aumento do imposto. Qual a probabilidade disto acontecer? Haverá aumentos de salários para todos os setores da economia japonesa? Eis aí perguntas difíceis de se responder.

Nos posts anteriores eu me dediquei a usar a Abenomics para introduzir alguns pontos de econometria aplicada. O foco foi sobre a questão da taxa de câmbio e do saldo em conta corrente da economia japonesa. Fizemos, agora, uma pequena pausa na discussão econométrica para comentar outro aspecto da política de Abe que diz respeito à política fiscal (sobre a política monetária, veja isto). Aliás, início do ano fiscal japonês se aproxima e devemos ter mais notícias em breve.

Qualquer adição ou comentário (ou mesmo sugestões de bases de dados ou de econometria aplicada) podem ser feitas por meio dos comentários, ok?