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Introdução à Abenomics – parte II

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Dando sequência ao post anterior, notei que faltou testar uma especificação, a última do quadro. Isto porque eu não havia reparado na significância da segunda defasagem da variável CA (Conta Corrente). Como eu falei anteriormente, temos que checar a questão da sazonalidade. Vejamos então, a última especificação com sazonalidade.

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Bem, aí está a nova estimação. Percebe-se que a inclusão das dummies mensais alterou o resultado, basicamente, apenas no ajuste dos dados (R2 e R2 ajustado, já que algumas dummies foram significativas e o sinal das variáveis relevantes não se alterou). Como estariam os testes de diagnóstico? Outras questões, como falei, continuam em aberto. Mas se fosse para levar em conta apenas esta tabela aí em cima, eu diria que o impacto da taxa de câmbio aumentou consideravelmente. A dummy da política do gabinete do primeiro-ministro Abe, contudo, perdeu significância. Em outras palavras, é provável que o efeito anterior fosse meramente um problema de má especificação do modelo (não tínhamos dummies sazonais, lembra?).

Isto significa que a política econômica de Abe é irrelevante? Muita calma! Lembre-se de que não discutimos os diagnósticos deste modelo. Também deixei em aberto a questão do teste de raiz unitária nas séries e, como nosso objetivo aqui é menos ambicioso, deixei o possível problema para o leitor interessado. Também temos a questão da especificação: não testei a causalidade das variáveis ou a inclusão de outras mais.

Neste caso, é bom lembrar, a inclusão de novas variáveis complica bastante a questão da causalidade e, não, eu não gosto desta história de “testes dois-a-dois” com o método de Granger. Erik, Ari e eu já tratamos disto em um working paper. Mas eu posso satisfazer sua curiosidade mórbida por testes de causalidade de Granger. Usando um defasagens de ordem 2, 3 e 4 encontrei p-valores compatíveis com a causalidade unilateral de que a taxa de câmbio Granger-causa o resultado em Conta Corrente (talvez menos para defasagem de ordem 2).

Ok, poderíamos continuar com isto, mas acho que já é uma boa hora para parar. Talvez eu volte ao tema, para falar dos testes de diagnósticos dos resíduos.

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