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Capital Humano…de novo

Dia 02 de Janeiro. Quinta-feira. Paulicéia fervente de calor e, no meio de tanta gente, num pequeno “box” de vendas, vejo duas vendedoras chinesas. Uma, com um pequeno caderno, e outra à sua frente. No caderno, as vogais em chinês e em português. Uma lia e a outra corrigia a pronúncia. Bonito, não?

Na passagem do ano, nada mais ilustrativo do futuro que podemos esperar para este país. Sim, já posso ver nossos futuros políticos discutindo cotas para brancos pobres que não estudaram ou que ficaram para trás na corrida da vida.

Não se iluda! Nem todo chinês é rico. Grande parte dos ambulantes no bairro da Liberdade são chineses. Mas é fascinante ver o salto econômico deste pessoal. Há cinco anos, quase todos eram ambulantes ou empregados. Hoje, na minha percepção de consumidor, é quase o oposto: a maior parte é dona de pequenos e médios negócios. O que não parece ter mudado é a vontade de trabalhar e estudar.

A tradição japonesa diz que não se deve trabalhar até o terceiro dia do novo ano. Pois é. Não vejo um chinês fechar restaurante em feriados. Os japoneses, em esmagadora maioria, fecham. Os chineses de hoje lembram muito os primeiros imigrantes japoneses que vi crescerem economicamente ao longo dos anos 70 e 80. Acho que restaurantes japoneses eram menos, digamos, tradicionais…

Não me entenda erradamente. Não quero que você não descanse no seu feriado. Apenas entenda a diferença de atitude quanto ao uso do próprio tempo: alguns escolhem pavimentar seu futuro; outros, curtir o presente. Há uma lição de vida aqui, claro.

Pois é. Por mais que eu tente, a imagem das vendedoras estudando na quente tarde do segundo dia do ano não me sai da cabeça. Deve ser o fantasma de Adam Smith me lembrando de que nada mudou mas leis econômicas. Chinês, japonês, brasileiro ou americano… não importa. No final, todos sabem qual é o jeito correto de se fazer as coisas.