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Então você quer um diploma para seu filho, Severino?

Diploma ou produtividade? A pergunta parece importante, mas não importa muito para os estudantes. Quase todos querem o diploma para sinalizar ao mercado que são – supostamente – produtivos. Caso não o sejam, em um ambiente pouco competitivo, podem se manter em suas vidas economicamente ineficientes (do ponto-de-vista da empresa) que ninguém os incomodará.

Este é um problema que os estudos sobre educação no Brasil não atacaram. Não vi um economista publicar algo sobre o tema que tenha reverberado na mídia. Só se fala em impacto econômico do Bolsa-Família – embora ainda não seja claro quais os custos e benefícios medidos – e há um silêncio sobre os problemas da qualidade do estudante que chega à faculdade.

Mesmo que não consideremos nada disto, há um fato empírico claro: todo mundo quer um diploma. Tanto que se endivida para isto, como mostra uma recente pesquisa. Resultado? Não se trata apenas de uma questão de orçamento familiar, ou de padrão de consumo. Trata-se também de um dilema, uma encruzilhada que colocará em xeque o modelo (fracassado) de política econômica atual. O tal “contrato social” que a sociedade “escolheu” pelo voto com o governo gastador – e, portanto, tributador – pode não suportar o que vem por aí. As pessoas querem ensino de qualidade e não o encontram em escolas que, vamos falar a verdade, marginais ameçam professores.

Claro que há uma solução para isto que é mudar o modelo e incentivar o ensino básico de qualidade, privado ou público. Mas também é claro que há interesses contrários a esta mudança. Alguns, por ideologia, preferem destruir o ensino privado, mantendo um “ensino” (o nome correto seria “doutrinação ideológica”) público de baixa qualidade. Resultado: diploma que vale menos que um rolo de papel higiênico (no Brasil, não na Venezuela).

Este modelo, que segue com apoio de sindicatos poderosos, já conseguiu muito estrago? Eu acredito que sim e creio que a tentativa de adiar o aperfeiçoamento do Bolsa-Família – com a explícita “janela de saída” – é uma evidência de que a elite deseja manter seus pobres no cabresto para que não demandem uma escola melhor, que exigirá menos impostos, logo menos recursos, portanto problemas de financiamento da elite (sim, da elite política), diminuindo os empregos públicos para seus afilhados, etc.

A questão que vai se delineando é se esta nova classe média será capturada pela mentalidade bolivariana (castrita, morales-kirchneriana, etc) e vai se acomodar a um modelo econômico de pedintes com alguns empresários protegidos pelo governo lhes dando pão e circo, bem na linha do que observamos na América Latina – e no discurso de quase toda a esquerda brasileira – ou se vamos seguir um caminho de prosperidade sócio-econômica fundamentado em valores como “trabalho árduo”, “mérito da iniciativa individual”, “liberdade individual (de expressão econômica ou política)”, etc. Imagino que o sujeito que saiu da classe baixa para a classe média enfrente este dilema agora e vai enfrentá-lo com mais força quando colocar seu filho na escola privada.

Podemos pensar no eleitor mediano da classe média emergente, Severino, neto de gente que migrou do Nordeste para o “Sul Maravilha” nos anos 70. Severino provavelmente tem três filhos, é casado e mora na periferia. Com muito suor, escapou da marginalidade e hoje tem orgulho de conseguir colocar almoço, lanche e janta na mesa para sua família. Sua esposa, Maria, provavelmente tem uma vida digna, trabalhando como diarista (era doméstica, mas o governo mudou a lei e ela perdeu seu emprego e agora divide seus dias da semana com sua antiga patroa e outras). Seus filhos, bem, um deles já estuda em um colégio privado.

O que vai ser, Severino? Vai pedir para baixar o nível e passar seu filho? Ou vai lhe ensinar que o caminho está no trabalho árduo? Eu vejo a elite rica adotando o caminho fácil da “geração Y brasileira” que é uma tentativa de baixar o nível para não atrapalhar as viagens e festinhas, Severino. Eu vejo a elite rica adorando o capitalismo de compadrio que já é estudado há anos e, só recentemente, ganhou alguma popularidade com o livro do Lazzarini), enquanto que você, Severino, está aí, tentando obter um plano de saúde melhor para sua família.

Severino, agora é com você.

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Mais CEPAL

Um leitor não concordou com meu critério de rejeição da hipótese cepalina e fez um comentário pertinente. Explico meu argumento: a hipótese nunca foi fundamentada cientificamente (não há modelo teórico) e, portanto, não aceito evidências empíricas que achem resultados “mistos” como “favoráveis” ao argumento. É o meu critério, mas o leitor pode discordar.

De qualquer forma, eis outro artigo sobre o tema. Claro, eu não sou destes engraçadinhos que dizem que não é preciso mais do que “apenas olhar o gráfico” para dizer se há ou não tendência (um parecerista, certa vez, disse isto de um artigo sobre quebra estrutural, o que me parece a maior besteira que alguém poderia dizer a respeito, embora sim, sempre se deva olhar para o gráfico…), mas quem quiser ler o excelente livro-texto do pessoal da USP sobre economia brasileira verá um gráfico em que dificilmente se encontra uma tendência decrescente.

Então, podemos ler a CEPAL – e eu recomendo os textos do Colistete – mas acho que teste de hipóteses, só mesmo aqueles do Fernando Holanda Barbosa no livrinho do IPEA lá dos anos 80 (quem é da minha idade provavelmente conhece), embora eu prefire as críticas ácidas do grande Simonsen simplesmente porque sua retórica é tão boa quanto a de Marx…(mas aí fugimos da ciência para a retórica pura).

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Instituições e Desenvolvimento

O que acontece quando três excelentes pesquisadores encontram uma ótima base de dados com uma pergunta interessante nas mãos? Isto. Só não fica muito claro o que seria a instituição “informal” citada nos comentários finais do texto (sim, eu geralmente pego no pé deste tema porque é o que me interessa mais).

A análise institucional é muito importante e este é mais um artigo com evidências interessantes a este respeito.