2013 in review

The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2013 annual report for this blog.

Here’s an excerpt:

The Louvre Museum has 8.5 million visitors per year. This blog was viewed about 81,000 times in 2013. If it were an exhibit at the Louvre Museum, it would take about 3 days for that many people to see it.

Click here to see the complete report.

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A educação, as instituições e o PIB (atualizado com novos dados)

Observação inicial: a atualização está no final deste post. Basicamente, o que há de novo é que temos também o ranking com os dados totais (isto é, incluindo o setor privado). Assim, os leitores podem apreciar a diferença (se é que alguma há) nas correlações quando se considera também a educação privada dos estados. Pela falta de tempo, deixarei aqui as correlações novas e ficam os leitores convidados a fazerem comentários. A planilha com os dados já foi atualizada e está no mesmo endereço anterior.

Desejo a todos boa passagem de ano!
O Estadão de hoje nos deu os dados estaduais do PISA (no caso, apenas do ensino público estadual). Segundo eles, a fonte é o INEP e, claro, eu acredito, mas foi impossível, para mim, achar os dados lá para download. Assim, tive que tabular os dados a partir da edição digital do jornal (é, eu o assino). Como isto aqui não é um estudo exaustivo, peguei apenas a pontuação do PISA agregada (não peguei os exames separadamente) e fiz umas correlações.

Obviamente, há teorias a serem testadas aqui. Basta pensar em toda aquela história de capital humano e desenvolvimento econômico. A correlação mais óbvia é entre o PIB e  o PISA. Podemos imaginar que estados mais ricos também têm melhor desempenho escolar. Bem, é o que os dados mostram.

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Claro, você tem toda razão se me disser que correlação não é causalidade, mas eu não disse que o gráfico acima era uma causalidade. Pode bem ser…uma casualidade (desculpem-me, não resisti à piada). Mesmo assim, há teorias que nos dizem que esta correlação é esperada. Aliás, imagino que o PIB de 2013 seja favorecido pelo PISA de 2012: a boa educação hoje deve gerar mais riqueza no futuro. Ou poderíamos falar de taxas de variação, mas não temos dados suficientes do PISA para análises de mais fôlego.

Outra boa história sobre desenvolvimento econômico tem a ver com instituições econômicas. Alston, Melo, Muller & Pereira, em um artigo apresentado na ANPEC há alguns anos (agradeceria muito ao leitor que me fornecer a referência completa do artigo, caso já tenha sido publicado), construíram um índice de qualidade institucional para os estados brasileiros. Fizeram-no para dois sub-períodos: 1999-2002 e 2003-2008.

Bom, para não falar que não falei da importância das instituições, eis as correlações.

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Para você que é leigo, o experimento mental é dividir o retângulo em quatro partes e imaginar que o quadrante nordeste é o melhor dos mundos (maiores resultados em ambos os indicadores) e o sudoeste, o pior (menores resultados em ambos os indicadores).

Não há grandes diferenças, há? Observando os três gráficos, percebe-se que o distrito federal (DF) possui uma elevada renda per capita, mas não vai tão bem assim na avaliação do PISA, embora, em geral, sua posição seja uma das melhores nos gráficos. O Maranhão (MA), sempre no sudoeste dos gráficos, mereceria uma verdadeira revolução institucional. Para os entusiastas das charter cities, eis aí um estado que mereceria ser submetido a este experimento (ou alguma variante do mesmo…para todo o estado).

O Rio Grande do Sul (RS) parece estar à frente nos indicadores de qualidade institucional e também no PISA, embora, neste último item, perca para Santa Catarina. Aliás, a ordem, no PISA, é: 1o – SC, 2o – RS e 30 – MG. Neste sentido, note que MG precisa melhorar bastante seu desempenho institucional. Eu diria que o PIB per capita aumentaria  (é minha aposta) com melhores instituições, embora eu não possa dizer a magnitude deste aumento (não fiz um estudo aprofundado sobre isto).

Os gráficos acima são apenas uma ilustração de uma realidade que envolve muito mais realidades, claro. Você pode explorar os dados do PISA com mais variáveis. Por exemplo, usando uma reportagem do Estadão de algum tempo (só consegui este link), vi que estados que arrecadam mais não necessariamente apresentam melhor desempenho no PISA. Uma correlação como esta pretende ilustrar que instituições mais extrativas nem sempre geram melhores resultados sociais (você pode discordar, mas é uma proxy). Outra boa hipótese a ser testada é se há diferença entre o desempenho em termos do ensino público e privado. Aliás, uma boa discussão sobre o tema deve sempre começar pelo estudo detalhado destes dados (um pouco sobre isto aqui).

Obviamente, a discussão econométrica pode ser mais profunda e a análise deste post é bem superficial (para detalhes, veja, por exemplo, isto aqui). Eu não sei não, mas aposto que qualquer estudante (inclusive os de Ciências Econômicas) com um pouco de boa vontade e imaginação, certamente conseguirá fazer algo mais detalhado e interessante sobre o tema. Claro, minha aposta é a de que instituições importam e a hipótese de que instituições causam melhores resultados de bem-estar (instituições -> bem-estar) é algo razoavelmente verificado na literatura.

E agora, para algo mais interessante

Este é meu presente para os leitores deste blog. Primeiro, a base de dados está aqui. Em segundo lugar, os comandos para fazer alguns gráficos (como os que fiz acima) usando o R estão abaixo.

# copy and paste a base de dados

base <- read.table(file = “clipboard”, sep = “\t”, header=TRUE)
head(base)

library(lattice)
library(latticeExtra)

xyplot(base$PISA_2012~base$PIB_cap_2010) +
layer(panel.ablineq(lm(base$PISA_2012~base$PIB_cap_2010)))
xyplot(base$PISA_2012~base$CB_99_02)+
layer(panel.ablineq(lm(base$PISA_2012~base$CB_99_02)))

xyplot(base$PISA_2012~base$CB_03_08)+
layer(panel.ablineq(lm(base$PISA_2012~base$CB_03_08)))

xyplot(PISA_2012~CB_03_08, data=base, groups=estado, panel=function(x,y,groups) {
ltext(x = x, y = y, labels = groups)})

xyplot(PISA_2012~CB_99_02, data=base, groups=estado, panel=function(x,y,groups) {
ltext(x = x, y = y, labels = groups)})

xyplot(PISA_2012~arrec_bruta_2006_milhoesreais, data=base, groups=estado, panel=function(x,y,groups) {
ltext(x = x, y = y, labels = groups)})

Conclusão temporária

Pois é. Este deve ter sido o post mais longo deste ano (senão o mais denso). Algumas correlações, poucos resultados e um bocado de questões que ficam sem resposta até o estudo mais detalhado por parte de outros pesquisadores. Tomara que esta pequena análise tenha despertado seu interesse para um tema tão importante em um país tão mal educado. Não se trata de “guerra psicológica”, como quer a presidente, em recente devaneio midiático. Trata-se de capital humano. Quer apostar?

UPDATE: Thomas Kang, meu amigo e professor da ESPM, enviou-me outro ranking que, parece, considera os dados não apenas das redes públicas estaduais, mas também as do setor privado. A nova planilha está no mesmo endereço anterior. Os novos gráficos estão aqui embaixo. Primeiro, o do PIB per capita.

newpisa3

Em seguida, os dois gráficos com os índices de qualidade institucional. Como estou com pouco tempo agora, não posso analisar os novos gráficos com cuidado. Fica para os amigos que estiverem com tempo e disposição, a dica para usarem os comentários. Valeu pelo envio dos dados, Thomas!

newpisa2 newpisa1

Como não tenho muito tempo para refazer tudo, fica aqui a dica.

Cliometria

Para quem está nos EUA (e para brasileiros que acham que “cliometria” não existe…):

Schedule of 2014 Clio and EHA sessions at ASSA

Cliometric Society Sessions

Spatial Allocation of Conflict, Individuals, and Economic Activity
January 3, 2014, 12:30 – 2:15 pm, Philadelphia Marriott, Meeting Room 406
Organizer: John Murray (Rhodes College)
Chair: Mary Hansen (American University)
Discussants: John Brown (Clark University), Allison Shertzer (University of Pittsburgh), Hugh Rockoff (Rutgers), Chris Vickers (Northwestern)

“Railroads and the Regional Concentration of Industry in Germany 1846 to 1882,” Theresa Gutberlet (Rensselaer Polytechnic Institute)
“Segregation (Forever?): Measuring the Short- and Long-Term Consequences of Segregation,” John Parman (College of William and Mary) and Trevon Logan (Ohio State University and NBER)
“Military Conflict and the Economic Rise of Urban Europe,” Mark Dincecco (University of Michigan) and Massimiliano Onorato (IMT Institute for Advanced Studies)
“Murder and the Black Market: Prohibition’s Impact on Homicide Rates in American Cities,” Brendan Livingston (???)

Enterprising America: Businesses, Banks, and Credit Markets in Historical Perspective
January 3, 2014, 2:30 – 4:30 pm, Philadelphia Marriott, Meeting Room 406

Organizer: John Murray (Rhodes College)
Chair: William Collins (Vanderbilt and NBER)
Discussants: Carola Frydman (Boston University and NBER), William Collins (Vanderbilt and NBER), Matt Jaremski (Colgate University and NBER)

“Corporate Governance and the Establishment of Manufacturing Enterprises in New England,” Eric Hilt, (Wellesley College and NBER)
“Economies of Scale in Nineteenth Century American Manufacturing Revisited: A Resolution of the Entrepreneurial Labor Input Problem,” Robert A. Margo (Boston University and NBER)
“How Does Governance Matter? An Examination of the Long-Term Evolution of Bank Boards in the United States, 1800-1933,” Howard Bodenhorn (Clemson University and NBER) and Eugene White (Rutgers University and NBER)

Technology and Property Rights
January 4, 2014, 2:30 – 4:30 pm, Philadelphia Marriott, Meeting Room 406
Organizer: John Murray (Rhodes College)
Chair: David Mitch (University of Maryland-Baltimore County)
Discussants: Lisa Cook (Michigan State), Carol Shiue (University of Colorado), Ahmed Rahman (U.S. Naval Academy), Susan Wolcott (Binghamton University)

“Copyright and the Diffusion of Classical Music,” Petra Moser (Stanford University) and Jerry Lao (Stanford University)
“The Great Divergence and the Economics of Printing,” Luis Angeles (University of Glasgow)
“Turning Points in Leadership: Shipping Technology in the Portuguese and Dutch Merchant Empires,” Claudia Rei (Vanderbilt University)
“Industrial development and technology adoption in late nineteenth century Japan,” John Tang (Australia National University)

Economic History Association Sessions

Poverty from a Historical Viewpoint
January 4, 2014, 12:30 – 2:15 pm, Philadelphia Marriott, Meeting Room 307
Organizer: Martha Bailey (University of Michigan)
Chair: Robert Margo (Boston University)
Discussants: Tom Vogl (Princeton), Robert Margo (Boston University), Melissa Thomasson (Miami University – Ohio), Rob Gillezeau (New Democratic Party, Ontario Canada)

“Up from Poverty? The 1832 Cherokee Land Lottery and the Long-run Distribution of Wealth,” Joseph Ferrie (Northwestern University) and Hoyt Bleakley (University of Chicago)
“The Effects of Childhood Means-tested Cash Transfers on Mortality: Evidence from the Mother’s Pension Programs,” Shari Eli (University of Toronto), Anna Aizer (Brown University), Adriana Lleras-Muney (UCLA), and Joseph Ferrie (Northwestern University)
“Interactions between Social Insurance Programs: The Impact of Medicare on the Characteristics of Petitioners for Bankruptcy,” Megan Lynn Fasules (American University) and Mary Eschelbach Hansen (American University)
“Poverty and Progress among Canadian Immigrants, 1911-1931,” Chris Minns (London School of Economics), Kris Inwood (University of Guelph) and Fraser Summerfield (University of Guelph)

Reception hosted by the Cliometric Society
Saturday, January 4th, 6:00-8:00 pm
Philadelphia Marriott Downtown – Meeting Room 403

Banking
January 5, 2014, 10:15 am – 12:15 pm, Philadelphia Marriott, Meeting Room 307
Organizer: Martha Bailey (University of Michigan)
Chair: Hugh Rockoff (Rutgers)
Discussants: Dominick Bartelme (UC Berkeley), Joshua Hausman (University of Michigan), Jonathan Rose (Federal Reserve Board)

“American Banking and the Transportation Revolution Before the Civil War,” Matthew Jaremski (Colgate University), Jeremy Atack (Vanderbilt University), and Peter Rousseau (Vanderbilt University)
“Central Bank Credibility and Reputation: An Historical Exploration,” Pierre Siklos (Wilfrid Laurier University) and Michael Bordo (Rutgers University)
“Financial Liberalization and Bank Failures: The United States Free Banking Experience,” Philipp Ager (University of Southern Denmark) and Fabrizio Spargoli (Erasmus University)

Homenagem aos que se dizem presos políticos

Minha homenagem aos heróis que se dizem presos políticos.

Não pode haver maior desgraça, no mundo, que converter-se, a um doente, em veneno a teriaga que tomou para vencer a peçonha que o vai matando. Ferir-se e matar-se um homem, com a espada que cingiu ou arrancou para se defender de seu inimigo, a arrebentar-lhe nas mãos o mosquete e matá-lo, quando fazia tiro para se livrar da morte – é fortuna muito má de sofrer. E tal é que acontece em muitas Repúblicas do mundo, e até nos reinos mais bem governados, os quais, para se livrarem de ladrões – que é a pior peste que os abrasa – , fizeram varas que chamam de justiça, isto é, meirinhos, almotacéis, alcaides; puseram guardas, rendeiros e jurados; e fortaleceram a todos com provisões, privilégios e armas. Mas eles, virando tudo de carnaz para fora, tomam o rasto às avessas e, em vez de nos guardarem as fazendas, são os que maior estrago nos fazem nelas, de sorte que não se distinguem dos ladrões que lhes mandam vigiar em mais senão que os ladrões furtam nas charnecas e eles no povoado; aqueles com seu risco e estes com provisão e carta de seguro. [Arte de Furtar – anônimo, séc. XVIII (apresentação de João Ubaldo Ribeiro), p.25, Clássicos Nova Fronteira, 2a edição,1992 (original português de 1744]

Reconheceram-se?

Cronismo…você sabe o que é isto?

Não??? Então você não deve estar morando no Brasil. Ok, você mora, mas não sabe do que se trata. Um livro que divulgou este conceito no Brasil é o do Lazzarini. Mas você pode aprender também sobre isto neste video. Este blogueiro (junto com o Leo Monasterio) já falava de rent-seeking no Brasil desde o final do século passado. A galera, contudo, custou a nos acompanhar na literatura. Ao longo destes primeiros 13 anos do século, vimos vários autores e artigos sobre o tema. Claro, tudo começou com o Jorge Vianna Monteiro (embora muita gente não pareça saber fazer pesquisa científica direito e, portanto, não faça a revisão da literatura corretamente).

O termo rent-seeking nunca saiu muito das conversas de economistas e alguns poucos cientistas políticos esclarecidos. Claro, havia também a competição dos marxistas, sempre receosos de perderem sua platéia para teorias concorrentes. Mas, aos poucos, as coisas mudaram. Aí alguém, acho que foi o Gary Becker, popularizou o termo capitalismo de compadres (ou de compadrio). Paralelamente, a mudança de gerações nas redações de jornais e a tecnologia ajudaram a popularizar as idéias de Tullock, Olson, Buchanan e outros. Mesmo assim, convenhamos, “capitalismo de compadres” não é um termo muito retórico, no sentido da McCloskey.

Aí, agora, veio este novo termo, o tal “cronismo”. No fundo, no fundo, fala-se do mesmo fenômeno. Mas parece que este termo está se popularizando com certa facilidade. Ajuda, claro, a corrupção desenfreada que assistimos no Brasil desde a primeira administração da Silva (agora também conhecido como “Lula”, “Lula da Rose”, “o Barba”, dentre outros divertidos apelidos). O desencanto dos eleitores não deixa de ter um impacto positivo: o aumento do ceticismo e do grau de exigência quanto às suas demandas políticas. Claro que isto não necessariamente melhora a qualidade do setor público ou diminui a corrupção, mas o realismo trazido pelo ceticismo é sempre saudável.

Amo muito o bem público produzido pelo setor privado

20131227_101803

Pois é, leitor. Sempre que alguém vem a BH eu fico sem saber o que dizer. Aqui, convenhamos, não tem nada. Nada mesmo. Mas aí o setor privado, muito mais do que esta prefeitura ineficiente (vem assim desde a época do Célio de Castro e seus sucessores, mas não era muito melhor antes…enfim…), consegue me salvar.

Bem público produzido pelo setor privado com motivos “egoístas” (se ganhar dinheiro para pagar as contas é egoísmo, então Luis F. Verissimo e eu somos os mais egoístas do mundo…junto com você, leitor). Exemplo que poderia estar em qualquer livro-texto de Economia. Gostei tanto que fiz todo um malabarismo para comer na bandeja sem sujar o sanduíche e as fritas (e, sim, eu consegui fazer isto!) para guardar esta excelente peça de propaganda.

Aliás, gostei tanto que a empresa ganhou o direito a uma propaganda gratuita aqui.

E agora, para algo mais técnico…

O que é um bem público? Antes que você pense no senso comum, esta é uma definição técnica, um conceito teórico. Um bem público é um bem não-excludente e não-rival. O melhor exemplo disto está no livro-texto do Mankiw. Uma estrada com pedágio é excludente (sem pedágio, portanto, não-excludente). Uma estrada congestionada é rival (porque o espaço entre carros diminui. O consumo do mesmo pedaço de chão é rivalizado com outro motorista e seu pequeno SUV…). Sacou?

Bom, então fica meio óbvio – ou então você dá uma pesquisada na internet, ok? – que alguém que busque lucrar não tem muito motivo para produzir um bem público…em princípio. Por que? Porque não dá para lucrar tanto quanto se você produz um bem privado (rival e excludente). Claro que esta classificação do bem ou serviço em “privado” e “público” é uma questão de grau (além do fato de existirem bens rivais, não-excludentes e não-rivais, excludentes). Mais ainda, o grau pode ser alterado conforme a tecnologia mude. Pense no caso da TV. Há algumas décadas, era impossível vender um pacote de canais como um bem privado (o que se fazia era vender um bem público (o pacote de canais) com um financiamento via propaganda).

O que isto tudo tem a ver com o McDonald’s? Simples. A informação turística é um bem público. Supostamente, o governo poderia criar uma secretaria de turismo (esqueçam a ironia da coisa…ou melhor, dêem uma boa risada e prossigam) para prover os turistas de informações como esta. Bem, a coisa mais difícil do mundo é achar um guia turístico desta cidade de fácil acesso e na hora que você precisa. Aí entra a campanha da cadeia de fast-food, em busca de lucros com a praça específica de Belo Horizonte. De forma inteligente, percebe-se que homenagear a cidade torna o consumo do sanduíche mais agradável. A experiência de se comer dois pães e carne não se distingue, em princípio, por conta do lugar onde você o compra. Contudo, diferenciar o produto é uma prática mais antiga do que a prostituição (se é que não nasceu com a mesma…).

Portanto, ao vender um sanduíche (bem privado) com uma folha de papel destas, com uma propaganda da cidade, agrega-se à experiência de consumo um certo valor que, imaginam os donos do boteco, aumentará suas vendas. Bem, não estou eu aqui falando bem da propaganda?

Voltando ao hambúrguer…

Pois é. Eu pensei até em voltar hoje para comer um outro hambúrguer deles, mas não sou tão fã assim do consumo diário de McDonald’s. Mas fica aqui o exemplo, a evidência (talvez a milésima, neste blog) de que bens públicos podem ser produzidos de forma eficiente pelo setor privado. Eu diria, neste caso, até mais eficientemente do que o setor público municipal sequer poderiaimaginar alcançar um dia.

Antes de me despedir, eu me pergunto: burocratas, sempre tão invejosos dos sucesso alheio (dentro ou fora de seu mundinho, a repartição), adoram sabotar a concorrência com um papo furado muito bonito de “proteção às crianças, índios, animais domésticos, mulheres, etc”. Papinho bem ruim mesmo. Mas, às vezes, há até uma boa justificativa para tal, embora raramente me pareça ser a regra seguida por eles. Eu me pergunto quando vão proibir a cadeia de fast-food de produzir informações turísticas porque “apenas o fazem pelo lucro”. Como se os burocratas não maximizassem nem mesmo seu orçamento…

Vovô não quer BigMac. E agora, Ricardo?

Eis aí algo que é verdade aqui ou no Japão. O texto do casal de blogueiros é recheado de elementos que você pode usar para discutir com seus amigos, professores ou, claro, com seu avô. Eu ainda destacaria um ponto específico, além do demográfico: a questão ricardiana. Cito com negrito por minha conta:

If the central point of Abenomics is to boost prices and thus wages and consumption — the old “raise all boats” metaphor — then to a certain extent the plan has succeeded over the last year. Consumers don’t seem to be fixated on cheap goods and services any more, though, to be honest, it’s difficult to tell if this willingness to spend more is a function of anticipation for April’s consumption tax hike.

Pois é. A administração do Primeiro-Ministro Abe sabe que a política fiscal não é um saco sem fundo (até o do Papai Noel não tem buracos, vale lembrar…). Portanto, mesmo com o estímulo fiscal, a antiga promessa de aumentar o imposto sobre o consumo foi aprovada pelo parlamento.

E agora, para algo completamente diferente…ou pelo menos mais técnico.

A aprovação legal nos traz uma redução na incerteza jurídica, já que todos sabem que a lei, em um país desenvolvido (= civilizado) será cumprida sem maiores problemas. Mais ainda, o aumento tem data e foi anunciado. Então estamos diante de um clássico problema de Macroeconomia de se saber qual é o impacto de uma política anunciada em um mundo em que as expectativas racionais opera.

A proposição Barro-Ricardiana de livro-texto nos diz algo bem simples: se eu sei que vou ter que pagar impostos amanhã, eu poupo hoje. Já num mundo não-Ricardiano (ou não-Barro-Ricardiano), o reduzido imposto de hoje, sob a expectativa de aumento do mesmo amanhã, provavelmente me induzirá a consumir mais. Tudo isto, claro, ceteris paribus.

Mas quando se fala do Japão, é bom ter em mente um ponto muito importante que não tem nada a ver com aquela lenda de “cultura oriental”, mas sim com a demografia (o tal bônus demográfico que meus amigos Salvato, Ari e Bernardo explicam aqui, para o caso brasileiro). Os autores do post falam do desejo dos mais velhos em consumir produtos de qualidade maior (embora exagerem na ênfase). Não apenas isto, mas “mais velhos” no Japão significa que estamos falando de pessoas cujo padrão de consumo alimentar é bem distinto do moderno fast-food norte-americano que os jovens tanto parecem gostar.

Barro, na própria discussão de sua proposição, já havia discutido a questão demográfica ao falar do argumento do altruísmo (herança) que justificaria o efeito da equivalência no, digamos, longo prazo. No caso do post dos autores, a demografia não está tanto no longo prazo, mas no curto prazo (acho que se fala “coorte” lá em demografia). Estamos falando de um modelo de overlapping generations destes simples. Ou seja, no mesmo período de tempo convivem duas gerações distintas: a mais velha e a mais nova (estou supondo, por simplicidade, apenas duas gerações). Só que, ao contrário do modelo de livro-texto, estamos dizendo que o padrão de consumo das gerações é distinto: uma prefere consumir mais fast-food e outra prefere alimentos de maior tempo adicionado (é, eu pensei em algo como household production models que o Tyler Cowen, implicitamente, usa aqui).

A pergunta, portanto, neste caso, é a seguinte: em um modelo simples, com dois períodos, o que acontece quando tornamos o bem “consumo” (que é, lembre-se, estudante de graduação, sempre sinônimo de consumo de bens não-duráveis) heterogêneo? Primeiro, à la ciclos reais, temos duas gerações e, adicionalmente, agora, colocamos a heterogeneidade do consumo. Suponha que o restante do modelo funciona tal como antes. Ah sim, é importante fazer o destaque didático-científico: mantenha as expectativas racionais. Afinal, pode ser que algo mude (ou não) no modelo, mesmo que não haja nenhuma mudança no tipo de racionalidade dos agentes (esta é uma observação para os eternos apressados que desejam, loucamente, jogar fora a racionalidade sem antes relaxar outras hipóteses do modelo. Interessados vejam isto).

Será que a equivalência barro-ricardiana se mantém? Poderia ser uma questão de prova, mas fica para o espaço de comentários. Preferencialmente, gostaria de ver citações de papers que trataram do assunto com hipóteses semelhantes.

 

As melhores de 2013

1. Campeão disparado: Mantega, por suas previsões notoriamente erradas e viesadas para o crescimento econômico e inflação.

2. Minha sobrinha, Tetê, por sua reiterada bronca sobre o fato de eu não ser o Papai Noel pois: (a) o de verdade está no Shopping Center, veja a foto! e (b) sua barba não é de verdade.

3. Os militantes do partido da presidenta, por explicitarem o seu sincero racismo quando da decisão do juiz Joaquim Barbosa.

4. O jornalismo brasileiro, por se furtar a investigar os fatos, rotulando pessoas (como no caso do Partido Novo), pela falta de vontade de cobrir os fatos (como no caso do vandalismo durante as manifestações), etc. Ponto negativo para vocês.

5. Os podcasts do Reaçonaria e do EPL, pelo excelente conteúdo e bom humor.

6. O Porta do Fundos, por renovar o humor nacional, embora tenha começado com o pé esquerdo, afirmando que não fariam piadas com muçulmanos (quanta concessão ao autoritarismo, portenhos….sem medo de ser feliz, né?).

7. A indústria de DVDs nacional, capitalista e burguesa – por trazer, finalmente, em vídeo, filmes como o “Omega Man”, com Charlton Heston. Falta ainda trazer o “Logan’s Run” (“Fuga das Estrelas”), tanto o filme quanto a série! Vamos lá, esforcem-se!

8. Seth MacFarlane – por nos trazer o Ted.

9. José Serra – por finalmente parar de encher o saco (principalmente quando falava de economia).

10. Luis Fernando Verissimo – por continuar mantendo morta sua titia de Taubaté, mostrando que, no fundo, no fundo, ele só a mantinha viva para criticar os seus desafetos políticos. Mostrou que escritor, tal como qualquer um de nós, é um ser humano e, portanto, não se o deve levar mais a sério do que a moral de suas crônicas.

É isso aí. Feliz 2014!

Os melhores filmes (que eu assisti) em 2013

1. Iron Sky – óbvio!

2. Machete – óbvio!!

3. Os Vingadores – óbvio!!!

4. Planeta Terror – óbvio!!!!

5. Fuga de Los Angeles – fazia tempo que não revia! Mais que óbvio!!!!

6. Meu Malvado Favorito 2 – preciso dizer mais?

7. _________________________ (preencha com algum filme iraniano com legenda em belga só para seus amiguinhos “cult” não ficarem falando mal de você, Claudio).

Os melhores livros de 2013

São tantos bons livros…tentarei falar de alguns. Reparem que nem todos foram lançados neste ano e nem eu terminei a leitura de todos. Digamos que eu tivesse que selecionar cinco livros (não sei se é o caso), seriam estes.

1. Desenvolvimento Econômico – Fabio Giambiagi e Samuel Pêssoa

Finalmente um manual em português com bibliografia atualizada e relevante.

2. The not so wild, wild, west – Terry L. Anderson e Peter J. Hill

Direitos de propriedade podem servir ao comércio pacífico? É necessário que o governo intervenha? Questões como estas nunca serão respondidas sem bons estudos de caso. Bem, com o trocadilho infame, este é o caso deste livro.

3. The Rational Optimist – Matt Riddley

Não terminei de ler, mas é, certamente um dos melhores livros do ano. Leitura obrigatória.

4. The Institutional Revolution – Douglas W. Allen

Outro grande livro sobre História e Desenvolvimento Econômico. Não vá para o debate sem ele.

5. Second Nature: Economic Origins of Human Evolution – Haim Ofek

Este eu comecei a ler. Não é tão novo. É de 2001. Entretanto, pela proposta, fiquei curioso. Fica aqui pelo índice promissor.

 

As instituições bolivarianas

A notícia mais aterrorizante da semana – aterrorizante em qualquer aspecto – é a de que, no Brasil, um monte de gente pode se juntar (exceto para fazer flashmob, porque isto a nossa prefeitura (?) proíbe) e chantagear qualquer entidade privada porque a polícia não fará nada. Não, não é apenas questão de polícia, eu sei. Mas os juízes também vão se esconder embaixo da cama. E os políticos farão de conta que não existem.

É fato que ninguém, em sã consciência, é contra aliviar a situação de pobres. E falo isto sem ganhar um tostão de bolsa do governo para fazer uma “pesquisa” econométrica com “evidências” de que pobre só morre se for negão ou que bolsa-família é melhor que o sistema de metas contra a inflação. Muitos supostos “Ph.D.s por Chicago, MIT, etc” vivem muito bem com a grana recebida para fazer pesquisas que “encontrem provas” a favor das políticas do governo. Muitos outros, claro, são mais sérios e éticos. Mas o fato é que a cara-de-pau aumentou.

Aumentou e aumentou muito, devo dizer, nos últimos anos. Não, não acho que é uma política inventada pelo suposto líder sindical e ex-presidente Luis Inácio L. da Silva. Não acho que seja um sujeito tão sofisticado assim e nem tão bem assessorado. Afinal, é bom lembrar que ele sequer sabia do esquema do mensalão que existia sob suas barbas. Embora muita gente fale do suposto “mensalão mineiro”, lembro que devemos encontrar o mesmo cenário: o nosso político, Eduardo Azeredo, tal como o ex-presidente, também não devia sequer saber da existência de tamanho esquema. Afinal, vale para o ex-operário – que não era burro só porque não estudou – como vale para o ex-governador.

Agora que já colocamos os pseudo-argumentos em seus devidos lugares, voltemos ao ponto central, título deste post. A conivência da população – construída por anos de convivência com a corrupção – é tanta que bastou condenar um bando de políticos que os militantes petistas e seus simpatizantes acharam o fato suficiente para expressar todo seu racismo em redes sociais. Acusaram Ali Kamel de ser racista por publicar um ótimo livro, mas não resistiram a chamar o presidente do STF de macaco por discordarem…de sua sentença.

Sim, é verdade. O governista – antigo opositor – Kassab teve sua suposta homossexualidade ventilada de maneira safada pela suposta sexóloga petista durante uma destas campanhas para a prefeitura. Um outro membro desta suposta minoria, lá em Porto Alegre, oposição ao então governador Olívio Dutra, foi esculachado e impedido de participar de uma daquelas comemorações da tal Farroupilhas (e não me refiro à zona de prostituição, obviamente…) por querer se vestir de prenda. Fosse ele um militante do partido do ex-governador, provavelmente teria sido levado ao desfile sobre os ombros dos valorosos militantes democratas da esquerda.

Falamos muito de genocídio e de vítimas da ditadura militar, mas não temos coragem de falar da fome na Ucrânia, das valas comuns de poloneses, tchecos, lituanos, etc no Leste Europeu criadas pelo massacre socialista. E o Camboja? Alguém estudou o Camboja na escola? Ou vamos critictar apenas o suposto imperialismo dos EUA no Vietnã? Revolução Cultural de Mao…o que foi aquilo? Um simples “desvio” da revolução? Matar homossexuais em Cuba pode porque tem médico cubano no interior?

A conivência, portanto, não é sinônimo de tolerância, valor vital para a democracia. Trata-se da conivência unilateral, geradora de desigualdades, e viesada, maniqueísta. Prega-se um discurso de que a “diversidade é bonita”, enquanto se trabalha para que a diversidade desapareça. Qualquer voz – com o perdão da piada – diversa é combatida como se fascista fosse. Aliás, ninguém mais sabe o que é fascismo. Nem a filósofa da USP parece ter estudado a História “para além” de seus autores favoritos. Sim, porque se o tivesse feito, veria que fascismo e socialismo deram-se as mãos com muita alegria no campo teórico e, bem, a Polônia, esquecida por nossos militantes e supostos professores de História, pode dizer mais do que eu jamais poderia.

Conivência sem tolerância, pois, é o que eu chamo, com a consciência limpa e tranquila, de a mais inovadora instituição bolivariana do século XXI. Uma instituição que consegue trazer o que há de pior no passado da história da humanidade para o presente, sob uma roupagem bonita, supostamente progressista, supostamente popular, com olodum, tambor, artesanato, meio ambiente, Jesus Cristo Superstar, etc.

A roupagem, infelizmente, não parece cobrir muito. Mas quem sou eu para dizer que a presidenta está nua? Prefiro a velha história, mais tradicional, eivada de valores antigos (machistas?), aquela que me contaram quando criança. Aquela na qual o rei é quem está nu.

Wikipedia-PT

A questão do viés da Wiki-PT (como é chamada) não parece ser algo isolado ou recente. Vejam só isto e isto. Vale dizer, não vai demorar muito para alguém colocar uma petição no AVAAZ (ou outro destes sites da moda) para que a Wikipedia deixe de ter este viés ideológico.

Ainda acho que uma boa auto-regulação e mão na consciência ajudariam muito, mas não podemos contar sempre com anjos…

Walter Oi

Acabo de saber que faleceu, no Natal, o economista Walter Oi. Caso você não saiba porque ele é importante, eu te digo: o problema favorito dos economistas (tentar entender a precificação de um parque como a Disneyland) tem uma das soluções mais famosas por conta do prof. Oi. O artigo original dele está aqui e outras respostas podem ser encontradas no ótimo Hidden Order de David Friedman e afins (como o próprio Armchair Economist do Landsburg cuja nova edição eu ganhei de presente do sempre generoso Philipe).

Walter Oi, eu não sabia, era cego (e não entrou em Chicago por cotas, até onde sei, o que mostra o quão longe as pessoas podem ir se não derem a mínima para suas “limitações”).

Enquanto o Natal não chega…

…este blogueiro agradece a todos que passaram por aqui (tendo permanecido ou não) pela audiência. Prometo me esforçar para incomodá-los mais ainda no ano que se aproxima.

Após o arrasante final do semestre, no qual o tempo desapareceu da minha agenda de lazer e blogosfera, entrei em um período de semi-hibernação e talvez fique um tanto quanto ausente nos próximos dias. Tentarei, contudo, postar algo esporadicamente. Sim, se eu fosse mais organizado, conseguiria programar posts para os dias. Quem sabe eu não tento fazer algo assim?

As leituras de final de ano devem me dar mais material para um outro video-curso ou, simplesmente, para alguns pequenos textos aqui.

Best 10 de 2013

1. O Rstudio – eu não usava…agora não consigo não usar.

2. O Mercado Popular – Este sim, de 2013.

3. O Manual de Sobrevivência do Leo.

4. O Reaçonaria.

5. O Estudantes pela Liberdade.

6. O canal do Shikida no YouTube – totalmente reformulado.

7. O filme do PhD Comics.

8. O Instituto Ordem Livre.

9. O Diogo’s Capitalismo para os Pobres.

10. O Porta dos Fundos.

Ok, meio misturado. Bom seria se eu fizesse com categorias, mas…e a preguiça?

Macarrão instantâneo para todos

O funcionamento da oferta e da demanda é um dos mais estudados – e nem sempre de fácil compreensão – mecanismos inventados pelos homens para resolver problemas. Diga-se de passagem, uma invenção anônima, provavelmente voluntária e muito mais pacífica do que guerras e assaltos. Mais ainda, a oferta e a demanda em mercados específicos merecem – e deveriam merecer mais e mais…e mais – atenção de qualquer interessado na própria História.

Veja, por exemplo, o caso do macarrão instantâneo. Foi inventado por Momofuku Ando (nascido na Taiwan colonial japonesa, como Wu Pai Fu). Veja como são as coisas. Taiwan já foi colônia japonesa. Resquício do mercantilismo imperial, das guerras de uma nação que se via como atrasada em relação às potências militares da época (e que humilhou a Rússia czarista em 1904-5). Obviamente, como toda dominação colonial, nem tudo foram flores.

Mas vejam como são as coisas. Uma mini-globalização imperialista não precisa resultar apenas em mortes e tristeza. Momofuku foi para o Japão, virou cidadão japonês e foi tocar sua vida. Um dia inventaria o macarrão instantâneo, não sem antes passar por uma temporada na prisão por evasão fiscal.

Eis aí a primeira lição: instituições sérias funcionam. Não é todo dia que um sujeito sai da prisão e limpa seu nome na sociedade. Um paradoxo para os que acreditam em uma fantasiosa característica maligna dos empreendedores? Vai saber. E esta história de que toda colonização exige reparação histórica de gente que nem sabia disto? Quanta imprecisão e injustiça pode ser gerada por políticas de reparações feitas de maneira ineficiente? Quem não se lembra do que disse Keynes sobre as pesadas reparações de guerra impostas na Alemanha pós-I Guerra Mundial?

Mas deixemos de lado as paixões políticas. Voltemos ao macarrão instantâneo. Já fui mais fã do mesmo nos tempos de bolsista do mestrado e do doutorado. Hoje, uso o famoso “myojão” como tapa-buracos em momentos mais raros. Nunca fui muito fã do tempero nacional em macarrões orientais. Sempre que posso, compro os importados.

E por falar em comprar e vender macarrão instantâneo, que tal dar uma olhada nos dados? Com um pouco de boa vontade (o que significa usar a Wikipedia em língua inglesa, menos viesada e mais completa…inclusive no que diz respeito aos dados), a gente consegue encontrar o consumo per capita de macarrão instantâneo (pacote ou cup) em alguns países. Por exemplo, no caso do Brasil, em 2008, o consumo per capita era e 9.08 pacotes. Em 2009, 9.92. Em 2010, 10.48. Em 2011, 11.12 e, finalmente, em 2012, 11.9. Ou seja, quase um macarrão por mês. Acho que entendi corretamente os dados originais e estamos falando de pacotes ou cups mesmo.

Os hábitos alimentares não são os mesmos aqui e na Ásia. Vejamos dois mercados tradicionais: China e Japão. Na China, 32.11 em 2008 e, em 2012, para resumir, 32.53. No Japão, 39.94 em 2008 e, em 2012, 42.46. Claro que estamos falando sobre os níveis do consumo per capita. A taxa de crescimento deste consumo (2008-2012) é expressiva para o Brasil: 27.56%. Os mercados tradicionais (Japão e China) são mais estáveis (1.29%  e 6.12%, respectivamente).

O mercado brasileiro ficou mais “asiático”? Não necessariamente. É verdade que mais chineses devem ter migrado para o Brasil nos últimos anos, mas não no montante necessário para 27%, não é? Provavelmente temos aqui mais uma evidência do crescimento econômico acelerado para as classes de mais baixa renda sobre o qual já falamos antes. Problemas de obesidade e de saúde pública podem ser, pelo menos parcialmente, resultado disto? Talvez. Mas até que se façam estudos mais sérios, isto é só uma conjectura.

Já são quase 10 da matina. O almoço terá macarrão instantâneo? Não hoje.