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O caso do aluno e do professor marxista

Muito debate, muita conversa, e acho que a poeira já baixou. Bom, há quem, como meu amigo Paulo Roberto Almeida, ache que o ponto válido é o protesto. Pode ser. O portal UOL fez uma reportagem super-tendenciosa, tentando caracterizar o rapaz como um “amante das armas” e “da violência”, sem sequer falar do professor. Não contribuiu em nada e nem merece link aqui.

Mas o que eu acho disso? Pensei um bocado nisto nos últimos dias. Primeiro, ok, eu não concordo que educar é doutrinar. Não adianta vir me dizer que isso é uma doutrina porque sabemos muito bem do que estamos falando: estreiteza versus diversidade. Como pode alguém que defende a diversidade defender que se estude como verdade apenas uma das visões da história? Então, estamos esclarecidos aqui.

Dito isto, não ficou claro para mim porque fazer um trabalho sobre Marx significa doutrinar. Pode ser que sim, mas nenhum jornalista parece ter conseguido fazer uma matéria simples sobre o tema. Eu não conheço o professor, nem o aluno. E não sou monarquista e nem marxista, é bom deixar claro.

Também não sei até que ponto o “decálogo de Lenin” que o aluno cita não é apócrifo. Muita gente cita, mas nunca vi a fonte e desconfio que não seja verdadeiro.

Eu acho o seguinte: no lugar do aluno, eu faria o trabalho, o melhor trabalho possível, entregaria ao professor e também entregaria um anexo com críticas, ponto-a-ponto. Eu também publicaria ambos na internet, como ele fez com a carta. Não sou o aluno e respeito a ação dele, mas eu penso que faria diferente.

Em todos os casos, sim, não concordo com doutrinação em sala de aula. Você deve ter acesso ao máximo possível de teorias. Respeito uma instituição privada que escolha seguir uma delas (como a Francisco Marroquin), mas universidades públicas não deveriam se dar a este luxo. Para estas, pluralidade é um dever.

Bom, mas não eu não estou na pele do aluno, nem do professor. Então, era só isto.