Aula 9 – A Economia Política dos Gibis (histórias em quadrinhos e Mancur Olson)

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Momentos Inacreditáveis de nossa história

Em 18 de março de 1694, uma ordem régia ‘considerando a representação do governador’, resolve por elevar em 10% a moeda no Brasil sobre o levantamento de 20% que houve no reino. Para tanto, era necessário refundir, ou melhor, fundir uma peça provincial e abrir uma casa da moeda na Bahia para se ‘lavrar nela com novo cunho’. Em outra carta régia, do dia 22 do mesmo mês, d. Pedro II resolveu, em razão ‘do amor e lealdade’ com que serviram os moradores do Brasil, demitir ‘da minha Real Fazenda o direito de senhoriagem’. Na mesma ocasião, nomeou João da Rocha Pita como superintendente da Casa da Moeda, José Ribeiro Rangel, como juiz da moeda, e Manuel de Souza como ensaiador. Foram cunhadas moedas de ouro e prata. [Pedro Puntoni “O mal do estado brasílico”: a Bahia na crise final do século VII. In: Carrara, A.A. & Santiró, E.S. (coord). Guerra e fiscalidade na Ibero-América colonial (séculos XVII-XIX). Editora UFJF e Instituto Mora, México, 2012]

Pedro Puntoni é autor de um excelente livro sobre as guerras indígenas no Brasil colonial. Agora, neste artigo pequeno, ele fala da moeda na Bahia colonial. Claro que, para mim, o paradoxo é o da renúncia do rei à senhoriagem. A pergunta que fica, para o leitor interessado em História Econômica, é: quais os motivos para se renunciar à senhoriagem?

No caso de Brasil e Portugal na época, talvez a senhoriagem arrecadada no Brasil fosse insignificante no período. Falar do lado “errado” da curva de Laffer não me parece ser relevante aqui. Enfim, fica a pergunta para os amigos.

Quando políticos pensam no curto prazo…o coletivismo supera o individualismo…e estagnamos!

Resultado muito interessante destes dois autores. Basicamente, o coletivismo aumenta a eficiência estática, mas o individualismo aumenta a inovação. Em resumo, no longo prazo, todos estaremos mortos com uma chance bem maior no coletivismo, eu diria.

O texto traz uma discussão muito importante para o debate: a da ideologia de certos economistas que se dizem a favor do desenvolvimento econômico quando, na verdade, pensam apenas no curto prazo.

Eu diria mais.

Eu diria que se o economista é mais egoísta, no sentido de não se preocupar com sua descendência, mais coletivista ele será. Já os que se preocupam com o futuro (crianças, netos, enfim, próximas gerações) geralmente são mais individualistas. Uma evidência anedótica curiosa que carrego em minha memória é que vários amigos meus coletivistas da faculdade menosprezavam o casamento ou os filhos, embora muitos deles tenham mudado de opinião depois (e também se tornaram menos coletivistas e muito mais cínicos, no sentido “rent-seeking” da coisa).

É ou não é algo testável?

p.s. vejam só:  eles estimaram que: “…a one standard deviation increase in individualism (say, from the score of Venezuela to Greece, or from Brazil to Luxembourg) leads to a 60 to 87 per cent increase in the level of income, which is a quantitatively  large effect.

Meta nominal do PIB?

Se você se alinha com os auto-deonominados “monetaristas de mercado”, então é bem provável que você goste deste artigo. McCallum é um respeitado (respeitadíssimo) macroeconomista e ele não se dá rótulos. Eu diria que a discussão é bem relevante lá. Aqui, infelizmente, não conseguimos sequer dar à Autoridade Monetária uma autoridade estável que dure mais de 12 anos…

Não eram só vinte centavos… era por muito mais

Sim, agora ficou claro. Incentivos importam e a economia política não deve ser nunca desprezada. Interessante, claro, é ver como mensaleiros se calam diante disto e os militantes, sempre tão afeitos ao discurso da ética na política, também.

É um silêncio que dói de tanto barulho. A oposição ganhou mais munição, gratuitamente, do governo. Quem diria. O gigante acordou para fazer o que disse ser indefensável: usar passeatas como moeda de troca.

Ok, não foram todos, mas isso não ajuda a melhorar a imagem não. Quer saber o porquê? Simples: aposto com você que os “indignados” não sairão às ruas para protestar contra o uso político dos protestos. E nem sairão na quantidade que saíram antes. Pronto. Pode atirar a primeira pedra.

Liberdade Econômica

Uma das mais importantes dimensões da liberdade é a econômica (os abolicionistas nos mostraram que era melhor deixar o ex-escravo ser dono de suas horas de trabalho para poder usá-las como achassem melhor). Como ela está atualmente? O mundo está mais livre? O que é que isso tudo tem a ver com a economia? Tudo. 

Comece explorando o índice mais completo já construído para fins de mensuração da liberdade econômica.

Citação do dia

“(…) potential gains from specialization bring forth not only markets and dealings between strangers, but also the laws, customs, and cultures that reduce suspicions of and antagonistic actions toward strangers. It is not so much the result of persuasion by moralists, intellectuals, and religious leaders that is the source of civil society as it is the productivity gain offered by scale-favoring specialization”. [Demsetz, H. From Economic Man to Economic Systems, Cambridge 2008: 17]

Inédito! – A Economia Política dos Gibis

Dada a escalada do autoritarismo no Brasil e a apatia do tal gigante desperto, da geração Z, que se diz muito esperto, mas não entende o que é um embargo infringente na hora da briga, o curso A Economia Política dos Gibis adiantou duas aulas (e também o dia).

Somente nesta semana, antecipando o dia, duas aulas irão ao ar. A aula 7 e a aula 8. Depois voltamos à programação normal.

Assim, amanhã de manhã, duas aulas para você assistir com calma no conforto do seu lar.

Ciclos econômicos

Ciclos econômicos, por excelência, o tema favorito de 9 entre 10 macroeconomistas. Este artigo é simples, mas muito bom na exposição da metodologia adotada. Dificilmente encontro um artigo no qual o autor se proecupe em mostrar para o leitor o que ele fez no trabalho básico dos dados. O artigo está aqui.

O mais interessante é que qualquer aluno de macroeconomia da América Latina terá interesse no artigo. Por que? Grande parte do PIB da região está lá. Confira.

Quem disse…

“In the process, which turned out to be more arduous than expected, I learned to appreciate the wisdom of Hayek’s (1974) dictum: “It sometimes almost seems as if the techniques of science were more easily learnt than the thinking that shows us what the problems are and how to approach them.”

Acho que o Ronald Hillbrecht vai gostar (se é que já não sabe quem é).

Muita gente preconceituosa vai cair do cavalo…

Dez perguntas que sempre ouço sobre o movimento libertário

1. Eu preciso usar gravata borboleta para ser libertário?

Não. Libertários podem ter gostos estranhos sobre moda. Alguns idolatram a gravata borboleta por algum motivo que desconheço, mas não, não precisa.

2. Para ser libertário eu preciso querer bater em todos os não-libertários se não conseguir mostrá-los a luz?

Se você é um libertário, sabe que não há luz. A luz deve ser descoberta por cada um e, aí sim, você será um libertário se achar que a melhor forma de fazer isto é com mais liberdade. Sobre bater nos outros, tal como na esquerda raivosa, o movimento libertário tem pessoas com doenças similares. Não, não acho que isso seja compatível com mamíferos bípedes inteligentes.

3. Só existem pensadores libertários nos EUA? Onde estão os libertários brasileiros na história?

Não. Existem libertários pensantes em vários lugares. O problema é que muitos libertários fazem parte da geração Y e, assim, são preguiçosos. Acham que serão sábios e poderosos por causa do twitter ou de textos superficiais que leram em uma página html. O problema gerado é que eles não pesquisam tanto quanto deveriam (ou quanto afirmam pesquisar) e, portanto, não descobrem o libertarianismo na história do próprio país.

4. Meu amigo libertário acha que eu tenho que ser a favor do aborto para ser libertário. Eu sou libertário em tudo, mas sou contra o aborto. E aí?

E aí, nada. A filosofia libertária não está escrita em um livro sagrado. Há uma gama de libertários muito mais interessante e diversificada, arrisco a dizer, do que, por exemplo, entre os socialistas. Lá a coisa é bem menos rica, diversa e complexa. Bom, esta é minha impressão.

5. Tá, eu li só o primeiro pedaço do livro “Quem é John Galt?” e tenho vergonha de falar isso para meus amigos libertários. O que fazer?

Como eu já disse, 90% dos libertários não leu tudo o que dizem ter lido. Ou estão lendo, ou estão mentindo. A diferença entre os bons liberais e os maus liberais começa por aí. Como é que pode um povo que fala de meritocracia aturar isto? Bem, nem todos aturam. Meus amigos libertários mais próximos lêem para caramba. Assim, não tenha vergonha, tenha, sim a vontade de melhorar e entender mais.

6. Um libertário me falou que Keynes era um imbecil. Tá certo isto?

Não. Seu amigo pode até achar isso, mas se ele leu alguma coisa do Keynes, ele poderá discordar dele, mas não será um sujeito mais inteligente apenas usando palavras de impacto com um tom meio proto-fascista no debate de idéias. Aliás, nem persuasivo é, já que ninguém gosta de debater com gente que xinga, ofende e grita só porque ouve nomes como “Keynes”, “Marx” ou “Fiat 147”.

7. A menina mais bonita da minha turma é libertária. Toda menina libertária é bonita?

Claro que sim. Todo libertário é lindo. Toda libertária é candidata a Miss Universo e Papai Noel existe. Bom, eu acho que podemos dizer que libertários não sentem remorso por ganharem dinheiro trabalhando para atender sua demanda, ao contrário dos não-libertários, que adoram tomar dinheiro dos outros e chamam isso de “trabalho”. Naturalmente, quem valoriza seu trabalho também se preocupa com sua beleza, externa ou interna. Tendo a achar que, libertário ou não, as pessoas querem melhorar. Bom, quanto à menina, vai fundo, cara. O pior que pode acontecer é ela te mandar ler “Quem é John Galt?”.

8. É verdade que libertários só conversam em inglês e são racistas?

Não. Embora a leitura de qualidade – libertária ou não, sorry – está toda em inglês, os libertários não conversam apenas em inglês. Eles não se consideram colonizados por imperialistas luso-hispânicos ou anglo-saxões.  Você poderá conversar com libertários em português (inclusive com sotaques regionais). Ah sim, “racismo”. Racismo, para mim, é aquele pessoal que quer criar uma sociedade diferenciada por critério de raça. Entendeu? Ou preciso desenhar?

9. Meu amigo libertário é cristão. Vocês são filiados à igreja do Reverendo Moon?

Libertários podem ser religiosos ou não. Aliás, quem gosta de igreja é o governo atual, que sempre se aliou a políticos ligados a uma igreja específica (e a militância adora bater em tudo que é igreja não-socialista). Este é um mito criado por detratores (mesmo) que não têm nada para fazer. Talvez seja “falta de namorada” ou de “vida” mesmo.

10. Li sobre libertários e gostei. O que fazer?

Ué? Ler mais, manter a mente aberta e não se deixar levar por gente que se diz conhecedor da verdade. Caso o sujeito insinue que “você não entendeu o libertarianismo porque não leu fulano, beltrano von ciclano ou beltrano da silva, fuja. Este é um panfletário profissional. Cara que não estuda, não sabe o que é pensamento crítico e, por algum motivo freudiano, sente falta de aprovação ou de certezas quase doutrinárias. Pode até ser que seja um socialista sabotador disfarçado. Ou apenas um quadrúpede (sem querer ofender cavalos, bois, zebras e afins).