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Contrafactuais e a Armadilha pela Liquidez

Hoje em dia o povo de políticas públicas fala de contrafactual para lá e para cá. É a moda entre o povo dos microdados. Entretanto, nem todos sabem que o termo ficou famoso com os estudos de História Econômica do falecido Robert Fogel. Pois bem. Anos se passaram, todos desprezaram os bons historiadores econômicos (e a sociologia da ciência explica como muitos economistas fingem reinventar a roda, ignorando, olimpicamente, a boa e velha revisão da literatura para ganhar status entre os pares), e chegamos a 2013.

Bom, em 2013, eu conto para vocês, a Cliometria está em alta e se há uma pergunta interessante a ser respondida por gente séria de História Econômica, esta pergunta é a de se a armadilha pela liquidez atrapalha ou não a política monetária/fiscal…na Grande Contração.

É ou não é uma boa pergunta?

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Teorema de Alchian-Allen…novamente

Este blogueiro tem um exemplo interessante do famoso teorema. Vejamos:

The Alchian-Allen Theorem has profound explanatory power when applied to the internet. The harder it is to gain access to cultural elements, the higher the quality of those elements will be consumed. On the flip side, if it is easy to access culture, people will prefer to consume shorter lower quality pieces of culture. In the middle ages, people had to travel long distances to view concerts, which were performed by live musicians. Thus, the fixed costs of consumption were very high. If you bothered to pay a huge amount of money and time, you might as well view a long complex opera or symphony. On the flip side, when fixed costs are as low as a Google search, people prefer short YouTube videos of cats doing cute things. Don’t think that this means that the quality of culture has gone down.

Este pesquisador, por sua vez, dá-nos um exemplo econométrico do teorema e, finalmente, aqui temos uma extensão recente do mesmo. Cá para nós, o exemplo do blogueiro é o mais interessante porque ele nos explica, de maneira simples, porque a demanda por bens de baixa qualidade é que aumentou, não necessariamente a oferta. Não que não haja bens culturais bobos (como os vídeos de gatos…), mas a queda dos custos fixos explica muito.

O bacana deste teorema talvez seja o fato de que ele mostra que o custo fixo, geralmente desprezado nas análises, não é nada desprezível. Isto me lembra um certo debate entre sunk costs (e, geralmente, dizem que estes são custos fixos, embora o contrário nem sempre seja verdade) e sobre os custos de oportunidade.

No final, aliás, voltamos sempre aos custos de oportunidade…

 

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Machbeth, Mantega e o faroeste caboclo

Pois é, leitor(es). a glória heterodoxa voltou (embora eles não divulguem porque, bem, ficam meio sem-graça de repetirem tudo). O ministro da fazenda diz que tem armas para enfrentar a alta do dólar, mas parece querer usá-la apenas após a eleição (que o manterá no emprego, creio). Ou então está sem munição.

Enquanto isto, aguardamos – já fazem 12 anos ou mais – a tal promessa “histórica”, “vinda das bases populares”, de que a esquerda traria ética para a política, numa leitura rasa, bem rasa, da boa Filosofia Política. Na prática, só os marchadores profissionais (que saem às ruas num mundo de conto de fadas no qual a esquerda ainda é monopolista das boas causas) acreditam nisto e insistem que o bom mesmo era não ter democracia, realidade, mas sim, ditadura e fantasia. Parece que estamos mesmo dentro de um romance, mas com muito menos qualidade do que gostaríamos.

A impressão que dá é que o faroeste caboclo do ex-presidente e seus aliados na área econômica ocorre durante o fim de um carnaval tropical, no qual as máscaras andam caindo por aí, uma após a outra, revelando os traços autoritários dos militantes “fora do eixo”, dos “dentro do eixo”, justificando o silêncio esquerdisto-heterodoxo quanto às ações autoritárias de Castro, Chavez ou Kirchner. Começaram a sentar no colinho gostoso dos que pretendem acabar com a inflação com bravatas e soldados quando mataram a velhinha de Taubaté?

Caso alguém queira olhar para o mundo real, deveria começar estudando os impactos de diferentes instituições (e não apenas políticas econômicas) sobre a prosperidade da sociedade. Não, não adianta choramingar dizendo que nunca poderá haver alguma desigualdade econômica ou que se houver um pobre nas ruas, devemos destruir concessionárias de automóveis até que o governo faça algo. Estamos falando de análise séria, científica (e não adianta dizer que números atrapalham seu desejo de implantar suas crenças como prática de governo porque…você está sempre certo), que leva anos e exige mudanças marginais e custosas. Afinal, ou é isso, ou é a barbárie. Aliás, não adianta tentar contar a história de um jeito diferente do que ela é. Barbárie é barbárie…