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Sou contra, sou a favor, sou contra, sou a favor…

 “Não sou ligado a nenhum grupo. A gente está tentando lutar por melhorias para todos. A grande maioria está para protestar pacificamente para serem ouvidos. Tem a parte mais violenta. Nenhuma revolução também é feita só com flores. Não apoio, mas acho que são necessários. Mas do jeito que está passou um pouco dos limites”, falou.

Pois é, fica difícil saber o limite das coisas. O Diogo Costa me conta sempre uma história de um colonizador inglês que se depara com um indiano que lhe fala algo como: “faz parte da nossa cultura apedrejar a mulher adúltera” (acho que é um pouco diferente, mas você entenderá meu ponto). O colonizador – descrito em nossos livros de História como um bárbaro malvado e feio – ouve e responde: “no meu país a gente enforca quem faz isso”. E aí a discussão geralmente causa embaraço nos ingênuos defensores “avatarianos” da auto-determinação dos povos e tal.

Quando o assunto é violência, há sempre gente falando de quebrar ovos para fazer um omelete, ou mesmo que a necessidade de alguns devem se sujeitar à de muitos (um argumento que, se levado a sério no século XVIII, não teria permitido o fim da escravidão em muitos países…).

O trecho acima é uma perfeita demonstração da angústia que o indivíduo sofre ao falar da violência. Ele quer mudar o mundo e acha que tem que haver algo além das flores (presumivelmente: a violência), mas não pode ser muita. O problema é que violência não é controlável. Abriu a caixa de Pandora, acabou.

O fato é que a violência que assistimos é bastante sem sentido, no pior estilo de milícias, grupos paramilitares que agem sem se identificar (embora sigam orientação de alguém em muitos casos). Quem pode achar que o dono de uma concessionária de carros sul-coreanos é o responsável pelos gastos com a Copa? Alguns militantes pensam assim, ou agem com algum outro objetivo em mente.

Ironicamente, em Brasília, onde os protestos foram organizados por gente…do governo (Senado?), não há depredação de um único prédio público. Ainda bem, não é? Mas por que gerar desemprego para alguns vendedores de automóveis se o objetivo é combater a  corrupção, a cura gay ou os mensaleiros? Ou será que o objetivo verdadeiro não tem nada a ver com isso?

Estas são perguntas muito boas para discussões filosóficas, mas não devolvem o emprego de quem vendia carros. Também não devolve a vida do estudante que morreu aqui em BH (ou os outros, em outras cidades). A violência, tal como tudo na vida, é uma questão de incentivos. Evidentemente, há pessoas mais ou menos violentas por causas genéticas ou de criação. Entretanto, para se impedir a violência, você tem que aplicar incentivos.

A ética do sujeito que protesta, acredito, é pelo respeito à propriedade privada e também à pública. Não é contra a apropriação imoral de ambas por alguns políticos que os manifestantes dizem marchar? Então fica a pergunta: quem é que deve ter o direito de estabelecer o limite da violência? Existe violência boa? Ou é boa só quando não me afeta?

Dias interessantes estes. Mas perigosos também.

 

3 comentários em “Sou contra, sou a favor, sou contra, sou a favor…

  1. Excelentes pontos de reflexão.
    Eu pensava essa semana, mas aonde estão os manifestantes contra o PCC, o Comando Vermelho, as Milícias?
    E nestes tempos tenho medo de dizer até que sinto medo. Vai que alguém me apedreja em nome da paz mundial ?!

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