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E depois da marcha?

Após tantas notícias, já está claro para todo mundo que brasileiros conseguem sair às ruas e protestar. Não foi muito diferente da época das “Diretas Já”, exceto que, agora, não se enfrenta uma ditadura. A máscara do anonimato caiu e vimos a truculência partir do lado dos manifestantes: não adianta culpar a polícia. Ela, sozinha, não causa violência. Há dois lados na história da violência, como o próprio Caco Barcelos poderá contar, com serenidade, em alguns anos.

Algumas cidades, numa óbvia demonstração de incompetência, voltam atrás e dizem que o preço pode, sim, cair. Ouvem-se algumas comemorações, mas agora o discurso espalhado por alguns, de que não era apenas por vinte centavos, não nos permite parar. Temos que marchar, marchar, marchar. Até onde?

A luta atual é para se apossar deste capital político. Grupos de esquerda e centro-esquerda lutam para se fazerem como porta-vozes do movimento. Nada poderia ser mais simples, já que as exigências que alguns dos grupos divulgaram são tão vastas e diversas que fica difícil ser contra a marcha.

E todos continuam marchando.

O discurso do governo se inverte e, como no livro 1984 de George Orwell, os militantes virtuais alteram suas queixas. “Bateu no Caco Barcelos? Vamos ficar quietinhos. Tem como acusar o governador de SP e isentar o prefeito? Vamos berrar, postar videos, etc”.

Não é ilegítimo falar bobagens e mentir é parte da política. Mas seguir este comportamento é como repetir o que supostamente estamos condenando (e marchando, é bom lembrar).

Vamos esquecer, por alguns instantes, a truculência da polícia, dos manifestantes, as forçadas de barra dos militantes que pretendem representar todo este povo e vamos nos perguntar: e depois da marcha?

Depois da marcha, vamos discutir, de fato, soluções realistas para o transporte público? Ou era só para sacanear com este ou aquele político?

Depois da marcha, você vai, mesmo, parar de estacionar em fila dupla? Vai denunciar políticos ladrões? Vai recusar subornos?

Depois da marcha, você lutará por sua liberdade? Ou vai lutar para levar um Castro, um Chávez, um Morales, um Correa ou um outro ditador para o poder?

Depois da marcha, você vai voltar a pedir cadeia para os mensaleiros? Afinal, é por muito mais do que vinte centavos, né?

Depois da marcha, você vai assistir a Copa nos estádios que condena?

Eu gostaria mesmo de saber se, depois da marcha, você vai apoiar um líder autoritário, super-intervencionista, que vai “colocar a classe média e estes liberais no seu lugar” ou se vai lutar para que haja mais liberdade e tolerância.

Fala para mim, de verdade, o que você vai fazer depois da marcha?

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