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Para onde foram aqueles tomates?

Os últimos meses de politicagem econômica têm sido fartos na queda do capital humano brasileiro. Na primeira vez em que li sobre ciclos econômicos reais, como tanta gente, achei muito estranho o fato de choques tecnológicos serem, porventura, negativos e positivos. Como o leitor comum, sempre me acostumei com avanços tecnológicos, não retrocessos.

Mas a vida vai além da minha interpretação cerebral dos fatos. Ao abrir um jornal, vejo centenas de choques tecnológicos negativos. Políticos fazem proposições de políticas as mais loucas – umas por interesses ocultos, outras por burrice mesmo – e se a gente pensar um pouco no assunto, choques tecnológicos realmente podem ser negativos. Afinal, seres humanos não são perfeitos.

A América Latina é um exemplo acabado disto. Embora todos saibamos que tomates não causam inflação, autoridades políticas que ocupam cargos econômicos afirmam que sim. Não apenas isto, a arrogância (mais que) fatal chega a tal ponto de loucura que se pretende ter “extirpado o político do ciclo político-econômico”. Nada mal para quem acredita em tomates ou em “pactos sociais”, mas péssimo para o desenvolvimento.

O problema, sabemos todos, é que a gente aprende ao longo do tempo – o que é bom – mas o aprendizado morre com você. Enquanto os foguetes e a TV de LED continuarão, a boa gestão econômica será sempre vítima de choques ideológicos. Não me cansei de ver supostos liberais (libertários) e supostos democratas (marxistas) dançarem em torno da fogueira do deus-bezerro ideológico, acusando os que usam a econometria ou a estatística de hereges, fariseus, etc. Achou um resultado que contraria a fé do sujeito em quotas raciais? Então você é um ignorante que usa dados. Achou um resultado que mostra que leis específicas para minorias são-lhes prejudiciais? Então você é um “conservador malvado”. Note que o inverso dos exemplos também vale. Ache um resultado favorável e você é um “socialista ignorante”.

E por aí vai.

Isso nos leva aos problemas que nunca me abandonam e que dizem respeito ao viés do double standard, à irracionalidade racional, à educação como sinalização (apenas) e outros microfundamentos que precisam ser melhor estudados porque, afinal, choques negativos na acumulação do capital humano de um país são gerados por indivíduos. Enquanto eu discuto as quotas, uma senhora que ganha R$ 15 mil por mês prefere xingamentos sobre sua própria condição social afim de gerar um discurso que, dificilmente, não será interpretado como um discurso do ódio.

Difícil mesmo é imaginar que possamos resolver os problemas do país sem, antes, resolvermos, cada um de nós, nossos problemas em interpretar a realidade. De um jeito ou de outro, é claro, a inteligência avançará, mas este avanço não será contínuo e…nem gratuito.

O preço da inteligência é impedir o florescimento da ignorância, principalmente aquela que serve a políticos que ganham com o discurso do “Brasil ignorante, pobrezinho e explorado contra o dragão da maldade”.