As instituições informais do capitalismo…novamente

Eis um argumento muito interessante sobre o porquê das pessoas terem preconceitos contra o mecanismo de mercado. Não, não se preocupe, não vou pedir privilégios especiais com discursos de “sou coitadinho porque meu tataravô era pobre, colorido e não sabia ler”. Trata-se tão somente de um argumento filosófico, aliás, muito bem calcado em fatos reais.

Ou você também não conhece um amigo que acha “lucro” imoral (ou que alguns lucros são “imorais”), sem explicar como pode, ele mesmo, ter o direito a lucrar, mas não os outros? Geralmente o argumento é o de que “eu sei o que é moral e bons valores, o outro não”. Com este pensamento, o sujeito pratica rent-seeking de maneira não, digamos, maldosa, e ainda piora o futuro da sociedade. Claro, quando a coisa ficar feia, ele genuinamente pensará que a culpa é do outro, desta coisa imprecisa e informal chamada “trocas”. Quem poderá salvá-lo? O governo.

Até onde este argumento vai na cabeça das pessoas é um problema. O outro é não corrigirmos o preconceito.

Amelia é que era mulher de verdade

Amelia Earhart não saía por aí com as costas pintadas com “Sexo Anal contra o Capitalismo“, mas fez, sim, o futuro de muitas mulheres algo mais nobre. Tão nobre que, na hora em que precisei responder a uma pergunta dos terríveis Gustavo e Renato, encontrei Amelia, digo, Amelia II.

Alguns alunos até tiveram problemas similares, mas não souberam procurar pelo tema na Internet. Isto me leva ao primeiro erro dos estudantes brasileiros: achar que encontrarão tudo que é útil em língua portuguesa. Basta olhar para a Wikipedia brasileira para ver o quão carregadamente ideológica ela é e também o quão pobre. Isso para não falar de verbetes que, na versão inglesa, são muito mais sérios, profissionais e verdadeiros. Outro erro, claro, é achar que dicas de econometria são iguais a Bolsa-Família: basta passar o cartãozinho no caixa eletrônico da CEF que você terá alguns trocados lá (mesmo que não dê para comprar um jeans, como exigem alguns despossuídos…).

A dica, então, é sempre usar o “tico” e o “teco”, preferencialmente juntos (porque a união faz a força) e lembrar deste meu conselho: procure em inglês se quiser ser um economista melhor. Procure em português se quiser um cargo de confiança no governo regional da ala oeste da cidadezinha perto da capital de Timor Leste.

Depois de…

Depois de incentivos fiscais, forçada de barra com a “contabilidade criativa”, gastos públicos, liberada no câmbio para agradar os exportadores financiadores de campanhas eleitorais, obras da Copa, criação de quotas e quotas, privilégios especiais, intervenção do mercado privado da saúde, regulamentações e regulamentações…eis o resultado. O governo sequer conhece a palavra “oposição”, navega de braçada e conseguiu este resultado medíocre no crescimento econômico.

Que tal tentarmos algo mais simples como voltar ao sistemas de metas de inflação, à política fiscal civilizada, à ênfase nos fundamentos do capital humano (nada de bobagem: matemática e português mesmo), desregulamentação de mercados, etc?

Que tal? Já que nada deu certo, vamos ser pluralistas e pensar em idéias novas? Ou os heterodoxos não conseguem conviver com as diferenças, a diversidade e com as distintas forças sociais? Heim? Heim?

Quem, no Brasil, faria mais críticas a Milton Friedman?

Antigamente, eu diria que seriam nossos heterodoxos que, no caso brasileiro, são apenas economistas de viés fortemente intervencionista. De uns tempos para cá, contudo, eu vejo críticas a Milton Friedman vindo de…supostos liberais. Esta é uma questão interessante para se pensar no longo prazo.

No curto prazo, contudo, o legal é ler este texto do Henderson sobre o que Solow fala sobre o Miltão.

O segredo do sucesso

According to Iwabuchi, the distinguishing characteristics of South Korea’s ability to develop talent include: the diligence to make efforts for self-development; a society that properly rewards those who work hard; and an international mind-set with a global perspective.

Preciso dizer mais? A entrevista completa com Iwabuchi está aqui. Instituições informais, diria North, importam. Quais são os valores que caracterizam as instituições informais de uma sociedade? Aí no alto estão alguns deles. Digo, só os que levam ao sucesso.

Pergunte ao seu professor de Geografia se estes valores são compatíveis com uma economia de mercado. Se ele negar, então você tem uma medida do grau de comprometimento ideológico dele, o que certamente não ajuda no seu aprendizado. Duvida? Pegue qualquer livro-texto de Economia utilizado em escolas do mundo como o bom e velho Mankiw. Ou o Samuelson. Ou ainda, se quer evidências empíricas, pesquise sobre instituições informais, valores e desenvolvimento econômico. Tenho uma pilha de artigos lidos que dizem o mesmo. Vários deles foram usados em meu trabalho com Ari e Pedro sobre tema correlato que foi publicado no Cato Journal (google it!).

Qualidade do ensino

Teorema Fundamental do Ensino: Se o professor não lê journals e não faz pesquisa, sua qualidade de aula é menor e muito mais baseada na repetição de aulas anteriores. Isso só agrada estudantes preguiçosos e demais despreocupados com a qualidade do que se ensina.

Se você nunca experimentou, colega, tente. Você verá como seu humor melhora, sua vida, etc. Talvez até melhore seu casamento e seu relacionamento com os amigos de futebol.

Agora mesmo, eu vou separar uns textos aqui para ler. Quero entender melhor a Grande Depressão e também preparar uma introdução ao “q de Tobin” mais interessante para os alunos. Contudo…

Teorema Fundamental do Ensino – dark side: Se o aluno faz Economia porque alguém decidiu para ele ou porque ele não está nem aí para sua escolha profissional, os esforços do professor que lê journals e também dos demais não terão qualquer efeito no aluno, aumentando sua probabilidade de reprovação.

Obviamente, haveria um Teorema para estudantes, mas ele é uma versão simplificada dos dois primeiros. É natural que um aluno que goste de Medicina se interesse por pesquisas em Medicina. Assim também o é em Economia ou Letras. Ocorre que a massificação do Ensino Superior (coisa boa, chance de diminuir o analfabetismo funcional do que chega na faculdade) significa que, estatisticamente, poucos se interessarão por pesquisas.

Outro desestímulo é a Burrice Encastelada, ou BE. Funciona assim: o cara vai fazer um estágio ou arruma um emprego, chega cheio de novas tecnologias para melhorar o processo produtivo mas encontra um chefe que não entende uma regra de três composta que acha que aprender novas tecnologias significa um “fardo” ou a chance de perder seu emprego. Não é à toa que muita gente boa queira trabalhar em empresas de tecnologia…

Incentivos e um pouco sobre bons “journals”

Os trabalhos mais interessantes em Economia, para mim, não estão no Quarterly ou no AER ou na Econometrica. Claro que há muita coisa importante lá, mas aplicações interessantes de economia ou econometria aparecem sempre em alguns journals menos considerados pelo radar hard science. Por exemplo, o excelente Cliometrica. Veja só que artigo bacana este sobre incentivos no século XVI.

Outro journal que aprecio muito é o Journal of Law & Economics (e seus parentes nacionais: o journal da AMDE e o da UCB). Há também o Economics and Human Biology, cuja ligação com a História Econômica é, hoje em dia, mais do que conhecida e, arrisco dizer, óbvia.

Claro, há os pequenos comunicados de resultados de pesquisa como o Economics Bulletin, com resultados de trabalhos sempre interessantes, não necessariamente ligados a um único tema. Neste sentido, também é bacana acompanhar os journals de econometria aplicada (fui “acusado”, no V Congresso da AMDE,  de não me interessar mais por Teoria Econômica e sim por Econometria Aplicada pelo malandrão do Ronald). Assim, melhor do que o R Journal, só mesmo o Journal of Statistical Software.

Bem, vamos lá ler um pouco.

Tragédia do Judiciário

Você conhece a Tragédia dos Comuns e dos Anti-Comuns, certo? E a Tragédia do Judiciário?

Ivo tem feito um trabalho raro entre a ala do Direito em Law & Economics no Brasil. Obviamente, tenho que ler a tese dele, mas pelo que vi no V Congresso da AMDE, vou aprender um bocado com seu trabalho.

V Congresso da AMDE e um BMW novo em folha!

Hoje tivemos o grande Eduardo Pontual Ribeiro, um amigo de longa data e cujo papo bom é inesgotável! Amanhã tem Ronald O. Hillbrecht, Ivo Gico Jr, dentre outros nomes importantes da área de Law and Economics.

Está ocorrendo perto da faculdade. Detalhes: http://www.congresso.amde.org.br/index.php/V_AMDE/V_AMDE

Veja só que coisa! Tem professor generoso que pode distribuir até pontos extras para quem comparecer ao evento. O Marcio Salvato (presidente da AMDE) e o Alexandre Cateb (ex-presidente da AMDE) me disseram que ainda se pode fazer inscrições pelo site e, melhor ainda, talvez até amanhã, no local.
Ronald fala de manhã e como o Ari deu no pé por compromissos familiares, apresento nosso artigo escrito pela ótima economista Fernanda, por mim e pelo supra-citado Ari.
Ah sim, o BMW novo em folha saiu por engano.

Para onde foram aqueles tomates?

Os últimos meses de politicagem econômica têm sido fartos na queda do capital humano brasileiro. Na primeira vez em que li sobre ciclos econômicos reais, como tanta gente, achei muito estranho o fato de choques tecnológicos serem, porventura, negativos e positivos. Como o leitor comum, sempre me acostumei com avanços tecnológicos, não retrocessos.

Mas a vida vai além da minha interpretação cerebral dos fatos. Ao abrir um jornal, vejo centenas de choques tecnológicos negativos. Políticos fazem proposições de políticas as mais loucas – umas por interesses ocultos, outras por burrice mesmo – e se a gente pensar um pouco no assunto, choques tecnológicos realmente podem ser negativos. Afinal, seres humanos não são perfeitos.

A América Latina é um exemplo acabado disto. Embora todos saibamos que tomates não causam inflação, autoridades políticas que ocupam cargos econômicos afirmam que sim. Não apenas isto, a arrogância (mais que) fatal chega a tal ponto de loucura que se pretende ter “extirpado o político do ciclo político-econômico”. Nada mal para quem acredita em tomates ou em “pactos sociais”, mas péssimo para o desenvolvimento.

O problema, sabemos todos, é que a gente aprende ao longo do tempo – o que é bom – mas o aprendizado morre com você. Enquanto os foguetes e a TV de LED continuarão, a boa gestão econômica será sempre vítima de choques ideológicos. Não me cansei de ver supostos liberais (libertários) e supostos democratas (marxistas) dançarem em torno da fogueira do deus-bezerro ideológico, acusando os que usam a econometria ou a estatística de hereges, fariseus, etc. Achou um resultado que contraria a fé do sujeito em quotas raciais? Então você é um ignorante que usa dados. Achou um resultado que mostra que leis específicas para minorias são-lhes prejudiciais? Então você é um “conservador malvado”. Note que o inverso dos exemplos também vale. Ache um resultado favorável e você é um “socialista ignorante”.

E por aí vai.

Isso nos leva aos problemas que nunca me abandonam e que dizem respeito ao viés do double standard, à irracionalidade racional, à educação como sinalização (apenas) e outros microfundamentos que precisam ser melhor estudados porque, afinal, choques negativos na acumulação do capital humano de um país são gerados por indivíduos. Enquanto eu discuto as quotas, uma senhora que ganha R$ 15 mil por mês prefere xingamentos sobre sua própria condição social afim de gerar um discurso que, dificilmente, não será interpretado como um discurso do ódio.

Difícil mesmo é imaginar que possamos resolver os problemas do país sem, antes, resolvermos, cada um de nós, nossos problemas em interpretar a realidade. De um jeito ou de outro, é claro, a inteligência avançará, mas este avanço não será contínuo e…nem gratuito.

O preço da inteligência é impedir o florescimento da ignorância, principalmente aquela que serve a políticos que ganham com o discurso do “Brasil ignorante, pobrezinho e explorado contra o dragão da maldade”.

Pluralidade também deve ser investigada

A mensagem do Thomas Sowell é clara e correta: este papo de que existem conceitos sagrados porque, sei lá, o Paulo Freire disse, é errada e também é caminho certo para a intolerância. Nada de double standards! Quantos brasileiros saem do ensino médio pensando assim? Nenhum. Minto. Talvez um ou dois.

Aliás, é este um dos motivos de nosso eterno subdesenvolvimento.

Socialismo para pesquisas escolares

Para você, que pesquisa sobre socialismo real, eis algo que seu professor de História conhece, embora nem sempre o diga: a fome na Ucrânia.

É importante lembrar deste e de outros fatos em tempos de silêncio do governo brasileiro no que diz respeito aos ataques explícitos, não-democráticos e sérios dos governos latino-americanos contra as liberdades (disfarçados, às vezes, de “nada-a-ver-porque-damos-vozes-aos-GLS-contra-pastores-imbecis”, ainda que os mesmos corajosos que protestem contra os pastores fiquem convenientemente calados quando mensaleiros condenados tentam calar o STF).

“Estamos na OMC…e apoiamos a carnificina da liberdade, alicerce de qualquer democracia”.  Este deveria ser o lema de nosso governo. Falamos da pobreza, mas barramos a entrada de haitianos. Falamos de facilitar as viagens aos EUA, mas evitamos cortar custos com vistos por conta de interesses políticos. Dizemos que apoiamos o livre comércio, mas não deixamos nosso povo comprar um produto estrangeiro que custe mais de U$ 50.00 (a classe média do Marcelo Neri já é capaz de comprar um produto deste, é bom lembrar) sem lhe jogar imposto de 60%…mesmo que não exista sequer a desculpa (que é péssima) do “similar nacional”.

Economia em tempos de obscurantismo porque a política (sim, ministro, a “política”, do “ciclo político-econômico”) chutou a lógica em prol dos interesses eleitoreiros.

Por que a inflação não cede?

Só lembrando:

1. o governo apoiou os supermercados proibindo sacolas de plástico

2. o governo tentou tornar lei (não sei se conseguiu) os 10% dos restaurantes

3. o governo aumentou custos para farmácias de manipulação e as demais: Anvisa e suas sucessivas regras

4. o governo aumentou os custos das operadoras de saúde com um discurso “pró-consumidor” meio “assim-assim”.

5. o governo gerou demissões de domésticas como consequência de seu desejo de mudar a economia de forma bolivariana.

Agora, venha me falar de logística, da falta de ação do governo, etc. É mais ou menos o oposto, né? Depois algum pseudo-economista aparece aqui e vem falar que o governo tem que “acabar com a teoria quantitativa da moeda” ou que “a inflação é inercial, não tem nada a ver com a moeda”, ou ainda que “a culpa é dos empresários que não baixam os preços”.

Quando o governo tenta amordaçar o STF e o ministro da fazenda tem a coragem de vir a público mostrar que não sabe nada de ciclos político-econômicos sem gerar qualquer protesto da sociedade (e mesmo da raquítica oposição), então está na hora de rever seus conceitos.

Quem ganha Bolsa-Família já percebeu que as ações do governo já corroem 6% de sua bolsinha. Alguns mais espertos já perceberam que a bolsa tem custo e parte do custo é coberto via impostos e endividamento público. Logo, seria desejável que o governo cuidasse de seu endividamento ou dos impostos. Papagaiar por aí que “vamos forçar a queda dos produtos da cesta básica” é um sinal de que o desespero atingiu o coração de quem não entende como a economia funciona mas tenta, a todo e qualquer custo, intervir nos preços relativos.

Resultado? Inflação, desemprego e crescente insatisfação.

p.s. Não, não adianta pagar uma guerrilha virtual para falar bem do governo no Twitter. Inflação é algo que se sente no bolso, não no Twitter.