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Para quem eu devo um vinho

Os sinos dobram por mim…e eu devo um vinho para meu ex-aluno e amigo (espero que não seja ex-amigo, claro) que me presenteou com o “Desigualdades Sociais e Econômicas na História” no qual encontro capítulos do Leo com o Irineu e outro do Kang.

Realmente, um vinho não paga esta cortesia.

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Tem torradeira em casa? Cuidado: seus pais podem se divorciar….waaaait a minute?

Nada como pessoas que usam a Estatística de maneira errada. Foi por isso que, há alguns anos, elaborei este texto. A idéia era mostrar, de forma divertida, como pessoas podem acabar falando besteira por aí.

Ah sim, existe um outro texto, de pretensões didáticas, sobre logaritmos. Parece que eu o atualizo de 10 em 10 anos. Caso queira dar uma olhada, ei-lo.

Finalmente, caso queira usá-los, peço apenas que faça a citação correta e, claro, avise-me. É bom saber que usam seu texto por aí. Aliás, uma antiga – e até cheia de problemas – apostila de Econometria de Séries de Tempo que escrevi (primeiramente com o Daniel B. Soares, depois sozinho) parece circular até hoje por aí. Em breve, ahá, ela será substituída por uma nova apostila (e, creio eu, esta virará um livro!). Aguardem.

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Uma correlação não faz verão

idh_freedom

É claro que uma correlação não é sinônimo de causalidade e todo mundo sabe disso. Portanto, olhar para o IDH e para a Liberdade Econômica é algo que deve ser feito com muita cautela. O gráfico acima poderia fazer vibrar o mais otimista dos liberais (libertários), mas ele não nos diz muita coisa.

Primeiro, ele nos diz que se nada mais existisse, existiria uma correlação forte entre as duas variáveis. Segundo, se a teoria deste blogueiro estiver correta, então mais liberdade econômica significa mais IDH e, como todos estão em logaritmos, a leitura é que o aumento de 1%  na liberdade econômica aumenta o IDH em 1.47%. Seria ótimo se fosse assim, mas, lamentavelmente, uma correlação não faz verão.

Obviamente, eu creio que esta relação existe, mas nem os dados são suficientes para me dizer isto (nesta amostra) e nem a correlação pode me dizer mais do que ela consegue. Outra coisa é alguém usar o tico e o teco (em conjunto) e construir um painel de dados com o IDH, a liberdade econômica e…(aí sim!).

Ciência é ciência, fé é fé. Mas eu tenho fé que algum cientista utilizará estes dados corretamente. 🙂

 

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Venezuela: nada de especial em Chavez

Quer você meça de um jeito ou de outro (ver PWT 7.1), o fato é que qualquer país latino-americano, no período em que Chávez esteve no poder, teve desempenho similar no que diz respeito a uma das medidas mais simples de desenvolvimento econômico: a diminuição da fronteira econômica (em relação aos EUA, portanto).

Minto. Na verdade, um país fez bem mais bonito do que seus companheiros, o Chile. O conjunto (incompleto, eu sei, não tem lá o México, o Haiti ou o Suriname, dentre outros) de gráficos com duas alternativas de medidas de fronteira mostram isto. Para o Chile, por exemplo, vemos que ele inicia o ano de 1950 com algo em torno de 22.5% do PIB dos EUA (medidas ajustadas, etc) e termina em quase 35% do mesmo.

Chavez entra em 1999 e seu reinado dura até 2013. Observando os dois conjuntos de gráficos, vemos que ele não fez diferença. O crescimento econômico não está ligado tão fortemente a figuras que são embalsamadas após a morte.

distancia

distancia2

Você pode querer utilizar outros dados como, por exemplo, a distribuição de renda. É quase impossível fazer isto, dado que não existe uma base comparável entre países. Seria bom, obviamente, arrumar dados de distribuição de renda coletados por pesquisadores sérios. Assim poderíamos ver o quanto custou para a sociedade venezuelana crescer nas mãos de Chavez e aliados.

Claro, a análise não estaria incompleta sem a inflação e, quando o assunto é destruir o poder de compra dos pobres (e enganá-los com subsídios na outra ponta), eu duvido que alguém ganhe do faraó de Caracas, mas deixo a coleta de dados para os amigos leitores. Talvez uma boa fonte seja o Banco Mundial (eu devo ter colocado o link para o mesmo na barra lateral da direita).

UPDATES: Bem, não resisti e fui ao Banco Mundial olhar os parcos dados do índice de desigualdade de Gini (aquele que mais se usa por aí). Eis os resultados, escolhendo alguns países da América Latina.

GINI_INDEX

Nada muito extraordinário, não? Quanto à inflação, na mesma base, temos o resultado nada glorioso para Chávez.

inflacao_precosconsumidor

Ao que parece, o modelo bolivariano apoiado por nossos socialistas não é lá muito eficiente no combate à inflação: não se consegue crescer e redistribuir renda sem gerar perda de poder de compra para o trabalhador. Claro que este tipo de mecanismo gera conflitos sociais pois você retira de um para dar ao outro e deixa a inflação corroer o poder de compra de todos o que, no final, parece ter o efeito de empobrecer todo mundo sem nenhuma garantia de que haverá reversão no quadro no futuro.

O Brasil, até meados da primeira administração da Silva (ou talvez da segunda) e o Chile são exemplos de que as difamadas políticas ortodoxas de combate à inflação, crescimento e de diminuição da pobreza ainda são as melhores. Não adianta me falar dos direitos dos índios, das minorias (que não são minorias, né?), do boto, do mico-leão-dourado e afins. Na hora em que vamos falar de melhorar a vida da sociedade de forma sustentada (i.e., de forma que o crescimento se sustenta, nada a ver com o ridículo conceito de “desenvolvimento sustentável”), os números, ainda que sob pressões políticas, conseguem nos mostrar que certas políticas são melhores do que outras.

Quer discutir o tema seriamente? Aí tem que sair destes gráficos e tabelas e fazer algo melhor. Não vale o bate-papo de boteco do tipo “eu acho”, geralmente uma expressão que oculta o famoso “eu queria que fosse como estou dizendo que é”. Podemos até começar falando de Chávez jogando no lixo os direitos dos eleitores e usando seus votos para escolher vencedores e perdedores, para usar uma expressão comum a certos empresários rent-seekers e seus aliados governamentais.

p.s. Aposto que alguém na mídia chapa-branca se esqueceu de olhar com cuidado os dados antes de falar por aí que “Chávez pode ter roubado, matado e estuprado (sim, é uma expressão apenas, molequinhos…não se irritem)…mas fez. Nos anos 70, a esquerda usava a expressão para mostrar, corretamente, o problema ético dos brasileiros. Hoje a usa para justificar Chávez. Uma notável mudança de opinião, creio. Mas, como dizem, todos têm o direito de mudar de opinião, o que não quer dizer que mudem para uma melhor.