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Moedas privadas, benefícios públicos

Se fosse no Brasil, certamente já estariam tentando cobrar imposto e ganhar um por fora com esta invenção do dono da Amazon. Quando você pensa em um mundo com várias moedas, certamente você se lembra das hiperinflações e também do famoso livrinho do Hayek, o Desestatização do Dinheiro. Há várias idéias interessantes, umas com problemas, outras não.

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A ligação é óbvia, mas gerações de professores esquerdistas…

…insistem em separar o fascismo do comunismo. Claro que nem sempre o fazem de má fé, mas de boas intenções, sabemos, o inferno está cheio. Dói tanto assim admitir que ambos são farinhas do mesmo saco? Este deve ser o segundo livro que faz esta análise de ambos os regimes mais exterminadores da Terra sem se prender às preferências ideológicas dos supostos professores de História brasileiros.

Claro que é ignorado. Afinal, com o capital humano medíocre deste país, o que você queria?

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Quem você quer ser? Breno ou Bruno?

Era um dia de prova e Breno e Bruno entraram em sala. O professor distribuiu as provas, deu dez minutos para a leitura das questões afim de que os alunos pudessem fazer perguntas. A partir do décimo-primeiro minuto, a interpretação das questões faria parte da avaliação.

Postas as regras do jogo, Breno se esforçou para cumprí-las. Já Bruno, preguiçoso e desatento, resolveu iniciar a primeira questão da prova sem se preocupar com as regras. Passados vinte minutos, Bruno levanta a mão para perguntar ao professor se poderia fazer as questões “fora de sua ordem”. O que o professor fez? Negou-se a responder a pergunta. Bruno se fez de amuadinho e continuou com sua prova, com muito mais dificuldades do que Breno, seu colega.

Pronto. Com esta divertida (para Breno, talvez) estória, entramos no moderno mundo da teoria econômica. O leitor pode achar que estou preocupado com lições de moral. Bem, talvez eu tenha algum conceito de moral na cabeça, mas o argumento central deste artigo não depende do que eu penso ser ou não “moral”. Por que?

Pense na situação descrita. Ela mostra como Breno e o professor se preocuparam imensamente com suas respectivas possibilidades profissionais enquanto Bruno deu vinte passos para trás. Por que? Veja como fica nossa estória sob a ótica da sinalização. Fica mais ou menos assim: “postas as regras do jogo, Breno quis sinalizar para seus colegas e para o professor que é um sujeito comprometido com o cumprimento das mesmas. Em outras palavras, se algum dia ele for um candidato ao trabalho na empresa de algum colega ou de algum conhecido de seu colega (ou do professor), sua boa reputação construída ao longo dos anos de graduação será suficiente para mostrar que Breno é uma ótima contratação.

Já Bruno sinaliza que é exatamente o oposto de Breno. Talvez ele não faça isto de propósito, mas ninguém confia em uma pessoa somente por promessas, mas sim pelas ações. Finalmente, o professor mostrou-se preocupado em sinalizar para todos que as regras devem ser cumpridas, evitando tentativas de suborno, desonestidade e outras práticas que não costumam dar bons resultados na vida social e profissional.

Talvez você ache este caso estranho. Então, pergunte-se: se tivéssemos que contratar um indivíduo agora, decidiríamos apenas pelo seu currículo, ou também pelas habilidades que ele nos sinaliza voluntária ou involuntariamente (mediante testes psicológicos, por exemplo)?

Outro exemplo? Pense também nas declarações do presidente do Banco Central sobre o Sistema de Metas de Inflação. O que você pensaria se ele dissesse, a cada entrevista, que defende tal sistema e, ao mesmo tempo, que não deixaria a taxa de câmbio ficar abaixo de um valor X qualquer. Você apostaria comigo que ele esta realmente defendendo o sistema ou está nos dizendo que a prioridade agora é a taxa de câmbio?

A palavra-chave é, como dito, sinalização. Alguns economistas acreditam, até mesmo, que o sistema de ensino superior não contribui tanto para o aumento da produtividade dos indivíduos, tratando-se apenas de um gigantesco jogo de sinalização (veja, por exemplo, este post de Bryan Caplan). Assim, o estudante não aprende tanto assim nos seus anos de estudo, mas sinaliza para a sociedade que é um sujeito que tem sucesso em desafios os mais diversos (provas e trabalhos a que é submetido por diferentes professores ao longo dos anos). Não precisamos sser radicais. Podemos imaginar que, a escola ensine, de fato, alguns conhecimentos técnicos. Mas isso não significa que a sinalização não esteja presente (para maiores detalhes, veja este outro post do mesmo Caplan).

Concordo que o ensino superior tem algum papel no ensino de conhecimentos técnicos. Entretanto, também concordo que a sinalização está presente. Voltando a Bruno e Breno, veja a história sob o ângulo dos alunos: será que eles confiariam no sistema de avaliação do professor se ele descumprisse suas próprias regras? Do ponto de vista do professor, o que dizer de Bruno e Breno?

Como eu disse no início, não há nada de (i)moral no modelo de sinalização. Para os alunos, a mensagem é clara e talvez até óbvia (lembra um pouco aquela frase de Cícero sobre a mulher de César…): muito cuidado com suas ações (tentativas de cola, perguntas sem sentido e/ou óbvias, desleixo com trabalhos, etc). Elas podem sinalizar o que você realmente é (ou o que você não é). Lembre-se: se você é liberal, tem o direito de ser o que quiser (desde que não agrida fisicamente os outros), mas isso não é sinônimo de agir de maneira imbecil para com seus próprios interesses de forma sistemática. Quem você quer ser? Breno ou Bruno?