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Mais um encontro de blogueiros (sério)

Não, não é sacanagem, nem encontro de mendigos que pedem dinheiro do governo. É o pessoal da FEA-RP copiando nosso evento. Bem-vindos ao clube!

p.s. não levem a mal o “copiando”, mas aposto que o Cristiano pensou o mesmo ao ler a notícia, embora ele provavelmente esteja de ressaca hoje. 🙂

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Educação de verdade (um repeteco do texto publicado aqui, em 2008)

Tesshu’s life bridged the time between feudal and modern Japan. Tesshu held a position as a bodyguard for the last Togugawa Shogun. Tesshu even played a role in the transition of power. Then Tesshu became a tutor for the Emperor Meiji during the emperor’s early adulthood.

On one occasion the young emperor challenged Tesshu to a wrestling match. The emperor enjoyed sumo wrestling but he had acquired the inappropriate habit of challenging his aids to impromptu wrestling matches. On one occasion, following a bout of sake drinking, the emperor challenged Tesshu to wrestle. When Tesshu refused the challenge, whereupon the emperor tried to push and pull Tesshu, but the emperor found Tesshu to be immoveable. Then the emperor tried to strike Tesshu, but Tesshu moved slightly aside. The force of the emperor’s blow caused him to fall down, whereupon Tesshu pinned the emperor to the ground. The emperor’s other aids were furious with Tesshu and demanded that Tesshu apologize to the emperor. Tesshu asserted that he was in fact doing his duty and would commit suicide if the emperor requested, but he would not apologize. The emperor saw the wisdom of Tesshu’s way and gave up (temporarily) both wrestling and drinking. From then on Tesshu was one of the emperor’s most trusted advisors.

On another occasion, the emperor, observing how worn Tesshu’s clothing was, gave Tesshu some money to buy new clothes. Tesshu, however, had little regard for material possessions and gave the money to the numerous poor people who sought the hospitality of his household. The next time Tesshu appeared before the emperor, he was wearing the same old clothes.

“What became of the new clothes?” asked the emperor. Tesshu responded back, “They went to you majesty’s children.”

Ao invés de dar um “carteiraço” (como é hábito no Brasil), o jovem Meiji aprendeu as lições de Tesshu Yamaoka. Não é à toa que ambos tenham se tornado tão famosos…

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Dia dos professores – Escolha Pública e História Econômica

Hoje eu me lembrei de um professor que nunca me deu aula. Na verdade, ele fez a transição entre meu primeiro orientador de mestrado – que de ocupado não pôde me orientar – e meu, então, orientador de mestrado (que seria também o do doutorado).

Ele era do doutorado e acabara de arrumar uma vaga em outra escola. Durante o curto período em que me orientou pude ler e ler e ler e conhecer uma bibliografia sobre Escolha Pública que não conhecia. A ele sou muito grato. Não o vi mais nem na época da minha qualificação ou da defesa, mas sempre tenho notícias dele pelo trabalho que desenvolve.

Outro professor que me recebeu com atenção e me incentivou a seguir em frente com meu tema – já polido pelo professor supracitado – era um de uma faculdade do Rio de Janeiro. Hoje, aposentado, mantém um blog que todos deveriam ler.

A gente se espanta com o profissionalismo que se pode encontrar em algumas figurinhas da área acadêmica. Estes dois, dentre outros tantos que eu poderia citar (como meu orientador e meu co-orientador, ambos do doutorado), ajudaram-me a entender um pouco o mundo a minha volta, pelo menos sob a ótica econômica. Há também um grande professor da minha época de graduação, mas ele extremamente averso à exposição pública e, assim, não vou citá-lo.

Um dia destes eu falo sobre os professores de Econometria ou dos professores que são da minha época (ou seja, estudaram mais ou menos comigo e lecionam por aí). Tenho bons exemplos para citar também.

Parabéns, professores! Vocês fizeram a diferença (ou a soma)!

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Dia do professor

Eu tive um bocado de bons professores em minha vida. Alguns não tão bons, mas bem-intencionados. Claro, também tive um punhado de professores mal-intencionados, que viam sua profissão apenas como uma catapulta para o poder.

Os melhores foram aqueles que me ensinaram lições básicas (para professores/alunos) como:

1. Você é o responsável por seus atos – Não me venha com esta de trânsito ruim, cachorro comendo cadeerno, quarta avó morrendo ou, claro, a famosa “os pais e o senhor são os culpados”. Cresça rapaz! Como diriam os americanos: go get a life!

2. Prestar atenção é sempre bom – Não tem jeito, gente. Desde a Grécia é assim.

3. Vá ao banheiro antes da aula começar – Na minha época, as pessoas tinham maior controle sobre a própria bexiga. Hoje, por algum problema de saúde disseminado, a meninada não consegue segurar a urina por muito tempo. Vai saber, né?

4. Tem dúvida? Pergunte. – E eu adiciono: pense antes de perguntar e seja paciente. Tem gente que ouve o “bom dia” e já quer perguntar. Outros não sabem a hora de perguntar. Já vi gente encontrar o professor no banheiro e, por algum motivo bizarro, perguntar uma dúvida que não existiria se não o encontrasse. Talvez Freud explique, mas pega mal pacas. Tem hora para tirar a água do joelho, tem hora para perguntar e tem hora para comer. Simples assim.

5. Jamais menospreze o aluno: forneça-lhe desafios – Afora a mediocridade, que adora permanecer no jogo de encaixar círculos, quadrados e triângulos, há, dentro de cada aluno, um desejo por desafio. Muitas vezes, pais irresponsáveis fazem de tudo para que este desejo seja suprimido. Entretanto, pela própria natureza humana, o aluno pede por um desafio. Assim, dê-lhe exercícios desafiadores. Os inteligentes tentarão resolvê-los (note bem: eu não disse que conseguirão), os não-inteligentes copiarão as respostas cegamente.

6. Tente primeiro, antes de perguntar – Faz parte da construção do conhecimento, sob qualquer teoria pedagógica (até as mais estúpidas não negam isto) o sujeito dialogar com ele mesmo antes de dialogar com os outros ou com o professor. Negar esta simples lei universal do comportamento é como dizer que “quem sabe o melhor para mim não sou eu, mas o fulano”. Até alunos esquizofrênicos dialogam com si mesmos…

7. Busque honrar seu nome – Uma lição muito esquecida, nos dias de hoje, é esta tão simples quanto bela. Com tanta esmola do governo, corrupção justificada em nome da revolução socialista (às vezes até com manifesto de apoio de “intelectuais”), como é que você explica para o seu filho que ele tem que honrar seu nome na escola? Não é fácil. Mas bons pais tentam e o resultado aparece no dia-a-dia da sala de aula.

8. Nem tudo na vida é sala de aula – Claro que não. Aprendi com meus bons professores que poderia estudar em casa. Na verdade, aprendi que estudar não é sempre se agarrar a um livro. É mais que isso. É pensar nos problemas do dia-a-dia de forma organizada, científica ou, diria eu, inteligente. Aprendi isto com alguns professores que nunca caíram no lenga-lenga da “abordagem pluralista”, mas faziam melhor que isso com seus exemplos e sugestões. Claro, claro, você deve saber, à medida em que se diz adulto (e, portanto, deve ser tratado como tal), como fazer o melhor uso de suas horas no dia entre o balé, o curso de chinês, as matérias da escola, o judô, a corrida, a TV, o videogame… opa…já percebeu, né? Claro, se a escola não é para você, saia e mostre ao mundo como é bom sem precisar estudar. Não falo com ironia, mas você deve se responsabilizar pelo seu próprio futuro, não é? Não é a escola o melhor lugar? Pegue na enxada e mande ver!

9. Organização – Ser organizado é algo que se aprende duramente (ou já se nasce com este dom…). Temos que lutar contra a desorganização, sempre. Tenho estado nesta luta há anos e ainda me pego desorganizado aqui ou acolá…

10. A sala de aula não é um campo de batalha, mas também não é uma caminha rosada – Aprender, já dizia alguém, dói. Lúdico, uma ova. Pode até ser menos dolorosa, mas estudar é algo que incomoda. Isto não quer dizer que a sala de aula seja uma batalha que você deva vencer concentrando-se nas fotos do seu celular ou com uma conversa initerrupta com seu colega do lado sobre algum tema de sua vida triste e sofrida. Também não quer dizer que o professor deva passar a mão na sua cabeça e aceitar que você entregue trabalhos em papel higiênico escritos com carvão. A sala de aula é um local de interação e você não deve entrar nela se não estiver preparado. Aliás, preparar-se previamente é uma vantagem única que poucos percebem nos primeiros anos de escola.

11. Biblioteca e monitores são seus amigos – Uma vez eu vi um aluno reclamar que tinha que usar a monitoria. O argumento? Ele queria aprender tudo em sala, digo, na sala de aula. Como foi a infância deste sujeito eu não sei, mas sei que algo estava errado. De qualquer forma, bibliotecas e monitores são seus amigos. Não, eles não tomam cerveja com você (pode até acontecer, no caso de alguns monitores). Mas eles são seus amigos na sua busca por auto-conhecimento e conhecimento sobre o mundo. Algumas respostas, aprendi com bons mestres, você só encontrará na religião. Outras, na ciência. Em ambos os casos, você precisará estudar. Irônico? Belo? Assustador? Não sei, mas que é um fato, é.

Talvez eu pudesse listar mais uns dez ou doze bons princípios. Talvez não. Afinal, se eu tivesse tantos pontos para comentar, faria um livro. Mas eu realmente posso dizer que aprendi com todos os professores, bons ou ruins. Isso não me tornou um ser perfeito, mas, pelo menos, muito melhor do que eu era. Estes onze itens ajudarão alguém a descobrir onde tem errado? Pouco provável. Afinal, não disse nada de muito novo e, na verdade, todo mundo sabe como tirar as pedras de seus sapatos. Não é segredo. Mas talvez o papel do professor seja o de repetir e relembrar novamente estes fatos. Não custa tentar, não é?

Feliz Dia do Professor para vocês, meus colegas!

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Roth & Shapley

Matching rules! Desenho de mercados ganha o Nobel que já merecia há algum tempo. Explicações sendo dadas exatamente agora no site do Nobel.

UPDATE – Dica para os jornalistas: aqui.

UPDATE 2:

Lloyd Shapley used so-called cooperative game theory to study and compare different matching methods. A key issue is to ensure that a matching is stable in the sense that two agents cannot be found who would prefer each other over their current counterparts. Shapley and his colleagues derived specific methods – in particular, the so-called Gale-Shapley algorithm – that always ensure a stable matching. These methods also limit agents’ motives for manipulating the matching process. Shapley was able to show how the specific design of a method may systematically benefit one or the other side of the market.

Alvin Roth recognized that Shapley’s theoretical results could clarify the functioning of important markets in practice. In a series of empirical studies, Roth and his colleagues demonstrated that stability is the key to understanding the success of particular market institutions. Roth was later able to substantiate this conclusion in systematic laboratory experiments. He also helped redesign existing institutions for matching new doctors with hospitals, students with schools, and organ donors with patients. These reforms are all based on the Gale-Shapley algorithm, along with modifications that take into account specific circumstances and ethical restrictions, such as the preclusion of side payments.

Even though these two researchers worked independently of one another, the combination of Shapley’s basic theory and Roth’s empirical investigations, experiments and practical design has generated a flourishing field of research and improved the performance of many markets. This year’s prize is awarded for an outstanding example of economic engineering.