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Coisas da vida

Aí você vê alunos fracos mudando de atitude e passando com notas que sempre puderam tirar (repito: sempre puderam!). Ao mesmo tempo, alunos com base melhor se acomodam, não exploram todo seu potencial e quase são reprovados.

Tem uma lição aí, né?

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Os pobres Trolls

Os pobres “Trolls” buscam a fama. Contudo, vivem em um mundo paradoxal: se famosos se tornam, ninguém os conhecerá. Se não têm sucesso, permanecem como moscas tentando picar aqui ou ali.

Assim, os valentes comentadores tentam polemizar com quem tem CPF, endereço físico e rosto. Valentes? Deveria dizer…covardes?

É interessante como a internet funciona como válvula de escape para os “Trolls”. Como não conseguem estudar e aprender, preferem investir seu tempo em um mundo da fantasia, um reino místico, no qual sua sabedoria é onisciente, onipresente e a eles é concedido o benefício exclusivo da razão, da verdade (se é que isto existe) e o monopólio do conhecimento humano.

Para a sorte de alguns deles, há quem lhes troque as fraldas, passe talquinho e lhes dê a mimação (ou mamação) que tanto precisam para se acreditarem heróis da revolução imaginária.

Fica aí nossa homenagem a eles.

 

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Do amadorismo

Lembro-me sempre deste trecho quando o termo “amadorismo” surge em minha mente. Mais ou menos assim. Lá pelos anos 50, o sujeito tocava um cavaquinho e já saia fazendo análise econômica como se entendesse o significado de “análise”, “econômica” e, o mais importante, da junção dos dois.

Este fenômeno se manifestou nos anos 80, quando uma senhora saiu por aí dizendo, para quem quisesse ouvir, que o bom do Dilson Funaro (aquele que começou a desastrosa era dos “planos heterodoxos”) ser ministro e tocador de planos era que ele…não era economista.

Algo como dizer que o bom de eu não entender de semiótica me torna um capacitado crítico de…semiótica.

Não é necessário, eu sei, usar econometria para ver que há algo de muito errado nestas situações todas. Claro, isso não quer dizer que eu não possa falar sobre semiótica, mas indubitavelmente é fato que a chance de eu falar alguma besteira sobre algo que não entendo (e que não procuro entender porque, valente que sou, acho que tudo o que não saia da minha brilhante mente é bobagem, errado, feio e tem cara de abacate podre) é muito maior do que quando alguém que estudou o tema abre sua boca.

Obviamente, só posso pensar assim se entendo o mínimo de estatística. Ou alguém não entendeu que aumentar a chance de X, neste caso, significa que há uma diminuição da chance de não-X? Obviamente, alguém poderia querer dizer que não é bem assim, que probabilidades somadas podem ser sub-aditivas, mas é preciso muita matemática para entender isso (além da estatística) e não vou me arriscar a falar bobagem gratuitamente.

Mas há quem goste de se sentir bem com uniformes militares, ditaduras, arrochos e todas as demais expressões – como direi? – de duplo sentido envolvendo autoritárias figuras. Vejam só o que encontrei:

“Tem um certo cunho irônico a escolha, pelo Presidente, de Getúlio Vargas como Ministro da Fazenda para executar suas políticas: Vargas, que havia sido indicado por Borges de Medeiros, líder político gaúcho, confessou ao Presidente não ter absolutamente nenhuma competência em assuntos financeiros, ao que o Presidente retrucou ser irrelevante, visto que ele necessitava de um homem que cumprisse à risca o programa presidencial. (…)

Durante a gestão ministerial de Vargas (1926-28), um semanário financeiro do Rio observou que “[seu] conhecimento de matérias bancárias tanto na teoria quanto na prática [era] na maioria dos casos extremamente deficiente”. [Neuhaus, P. (1975)  História Monetária do Brasil 1900-45. Ibmec, p. 85, nota de rodapé 162, 198p.]

Este trecho é esclarecedor. Poderia ser o Pelé, o Ronaldinho, a Ana Maria Braga, o autor deste blog ou os comentaristas da coluna do Agamenon, n’o Globo (olha o estilo, gente!). Desde que cumpra as ordens do presidente-gerentão (sim, porque “gestor” é meio fraquinho, né?), tá valendo.

Assim se encarava a seriedade de assuntos como a economia de um país nesta selva de intelectualidade surrealista. Ainda bem que acabou. Bom, sempre há o risco de que este tipo de mentalidade volte a imperar na sociedade. Confunde-se – e alguns promovem esta confusão com interesses bem claros – o direito de criticar com o direito de ofender.

Só porque não entendo de _______, não quer dizer que não posso criticar.

Pode, sim, criança. Mas vamos usar os neurônios por um pouco mais de tempo.

a) Só porque você critica, não quer dizer que não falará bobagem. Se o fizer, vai pedir desculpa ou se esconder?

b) O fato de se poder criticar não quer dizer que você precisa ser virulento. Aliás, para que você quer ser virulento? Tem que provar que é macho? Isso me cheira a alguma impotência psicológica…

c) Poder criticar não significa bancar o espertinho e mudar de assunto, distorcer a argumentação e se basear apenas na boa ou má retórica. Você pode ter uma grande popularidade, mas não quer dizer que é onisciente. Se quer criticar a física, vá estudar física primeiro, oras.

Agora, o mais interessante do brasileiro é esta paixão por generais, ditadores, etc. Borges? Caudilho. Vargas? Sem comentários. Todo brasileiro parece ter orgulho de nomear praças e avenidas com nomes de gente de uniforme, paternal, esta figura forte, máscula, sarada e de tanga…opa…

Não deixa de ser divertido ser brasileiro. Desde que você tire o Brasil de dentro de você.