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A polêmica, na blogosfera

Cristiano resumiu bem o que eu penso aqui. Alexandre nos lembra que há pontos a se debater (mas de uma forma séria). Leo Monasterio, de forma elegante, chamou a nossa atenção para a importância dos estudos econométricos, sem “carteirada“.

Claro que a indignação é a reação natural de qualquer um que fosse autor do citado artigo. Mas ela não deveria ser a reação a ser apresentada ao que insulta. No final de tudo, a gente tem que lembrar que o dia-a-dia é cheio de gente que não entende de Economia tentando falar da mesma. É com eles que você tem que dialogar, apesar de tudo.

Obviamente, se alguém joga pedras, você pode jogar pedras de volta. Mas é a melhor forma de esclarecer a confusão? Não. Afinal, qual o objetivo de responder àquele texto do Tio Rei? Ganhar publicidade (negativa) para o artigo? Brigar no mesmo tom com quem te ofende? Esclarecer ao que oponente que suas ofensas foram desnecessárias e explicar o artigo? Fazer uma catarse?

Acho até que JMello exagerou. Não era preciso dizer que era Ph.D. para sustentar o óbvio fato de que ele sabe mais economia do que Tio Rei (e seus comentaristas mais exaltados). Lembro que ser Ph.D. não é condição necessária, nem suficiente para se dizer um bom economista (nossos leitores sabem disso, certo?). Ficou com um tom algo arrogante e o Tio Rei foi na ferida. Novamente, mais lama para a blogosfera. O que nos diz a divisão do trabalho (com a cabeça fria, claro)? Se você entrar na especialização do polemista (economista), tem que, no mínimo, ser um bom polemista (economista).

Se não fui claro até aqui, resumo: (a) minha solidariedade está com os autores, (b) há um problema não-esclarecido sobre o que Tio Rei leu (o que não lhe dá justificativas para ofender, claro), (c) obviamente há limitações no método econométrico, mas isso não desqualifica o trabalho. Pelo contrário, mostra que cientista sério sabe das limitações de sua ferramenta; (d) devemos repensar o jornalismo econômico (item ligado ao que disse em (b)).

Esta seria uma ótima oportunidade de se discutir esta questão de nosso jornalismo econômico tão carente de análises mais sólidas. Entretanto, parece que tudo o que vamos ver são externalidades negativas desta discussão sobre a importância da econometria.

Não é uma droga?

 

10 comentários em “A polêmica, na blogosfera

  1. Xará,
    Acho que vc tem a mesma opinião que eu. Duas pessoas que eu considero como profissionais, ainda que sejam de áreas diferentes, brigando (e não discordando)…
    Abraço
    Claudio Lucinda

  2. Creio que autor de trabalho científico não tem o direito de se sentir ofendido com críticas justas ou injustas a esse trabalho. A partir do momento que sai em jornal vira “Geni”, ele que não tivesse dado entrevista (publicidade) e tivesse apenas publicado em revistas acadêmicas (parece que foi recusado). Mas resolveu dar uma de medalhão e está apanhando em público.

    1. Mas você acha que o que o Reinaldo fez foi criticar? Ou ofendeu? Se eu dissesse: “JV, este seu comentário é estúpido”, seria uma crítica ou uma ofensa? Eu acho que seria uma baita falta de educação.

      Outra informação: acho que você não viu, mas se quiser ler a carta do JMello, verá que o artigo está em processo de revisão para publicação em revista acadêmico. Então, sim, vira “Geni”, mas, não, não é assim que pessoas discutem cientificamente.

      1. No máximo poderia dizer que você foi despolido. Se você provar que meu comentario é estúpido terei que ficar quieto. É claro para mim que RA não foi gentil, mas não ofendeu a pessoa do autor, apenas chamou sua obra de ruim. Olha, “cientista” tem que ter casca mais grossa se quiser algum respeito. E achar que econometria é a nova pedra filosofal, ou que PhD merece mais respeito (educação), tenha a paciência, acabou o temnpo de amarrar cachorro com salsicha (lembra do Felipão?). Já vi que ele é muito querido no meio, mas deu um baita tiro n´água.

      2. Discordo. Entendi seu ponto, mas acho que uma crítica à obra não é a mesma coisa de chamar o autor de “petralha” ou de “vigarista”, como ele fez no post original.

  3. Se alguém diz que um paper meu é “cascata autoevidente” eu vou, sim, me ofender. Uma coisa é o cara dizer: veja, o que você acha dos fatores X e Y? Isso é natural, e todos já apanhamos em seminários desse jeito. OUtra é o sujeito te chamar de picareta, dizer que sua pesquisa é cascata, e deixar implícito que você possui interesses escondidos. Foi uma super bola fora do RA, que deve ter alienado um bocado de leitores que sabem economia. Agora, isso não esconde o fato de que o JM errou ao mandar aquela carta; ele deveria ter feito uma versão mais técnica e humilde, que trouxesse o RA para seu campo de debate, ao invés de permiti-lo ir para a desconstrução do autor.

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