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Burrices “Jabuticábicas”

Já que falei (mostrei) do Simonsen, eis um bom trecho do livro. Todos os meus seis leitores já ouviram algum argumento do tipo: “esta economia ensinada não serve para o Brasil”. Pois bem, nas palavras dele: “Somos um país diferente. E, nossa infelicidade está em seguir os tecnocratas, que nos impõem os modelos monetaristas importados de outros países. Precisamos de soluções brasileiras para os problemas brasileiros”. [já cito direitinho a seguir…]

Eis o que diz o falecido Simonsen:

Essa idéia de originalidade brasileira é em parte um truísmo, em parte uma sandice. Truísmo porque entre dois países quaisquer sempre há certas diferenças. Sandice porque existem leis gerais de comportamento que não parecem variar com a latitude ou com a longitude. Uma analogia esclarece a questão. O Brasil distingue-se de qualquer outro país pelos seus acidentes geográficos. Mas nem por isso a lei da gravidade aqui funciona ao contrário, impelindo os corpos para cima; nem o princípio de Arquimedes traga os navios para o fundo do mar em nossas águas territoriais. [Simonsen, M.H., Brasil 2001, 6a edição, 1977, p208]

Genial, né?

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Romantismo e Liberalismo

A imaginação romântica só podia florescer dentro de um profundo respeito pelas fantasias pessoais; por isso o romantismo era liberalismo em literatura, na sua desconsideração pelo decoro clássico e na sua subversão de regras clássicas. Igualmente, o liberalismo sustentava que o domínio pessoal era algo de inestimável em si mesmo e não apenas um meio para outro objetivo. [Merquior, J.G. “O Liberalismo – Antigo e Moderno”, Nova Fronteira, 1991, p.61]

Não consigo, mesmo, entender porque algumas pessoas insistem em dizer que o “liberalismo é malvado e feio pois acaba com a diversidade”. É justamente o oposto e Merquior coloca isso muito bem no trecho acima.