Matinais

Grandes momentos do pensamento econômico pterodoxo brasileiro nestes tempos…(leia o artigo de Rogério Werneck, hoje, no Estadão, para um pouco de lógica em meio à balbúrdia). Por outro lado, a censura governamental da época da ditadura volta com força total, defendendo os bons costumes e a imagem governamental das mulheres que não podem ser bonitas, usar biquinis e ter bom humor (humor inteligente) ao mesmo tempo, apoiando a disseminação da hipocrisia entre nossos filhos, netos e, quiçá, colegas.

Enquanto Chavez naufraga, os irmãos Castro são forçados (pela realidade) a liberarem (ainda que timidamente) os mercados, nossos gestores de políticas (não apenas as econômicas) se fazem de bobos diante do rocambolesco abandono do pensamento econômico (qual? Aquele que estabilizou seu custo de vida e lhe deu grana para, por exemplo, abrir seu blog ou twitter e mantê-los a custo baixo até então…)  na formulação das políticas monetária e fiscal (e sua substituição por algo ainda incerto), pedem para o TCU fechar os olhos para as irregularidades, falam de vassouras embora não se mexam proporcionalmente aos discursos quando uma juíza é assassinada no RJ, fingem não enxergar a importância de se investigar o “mensalão” e usam uma desculpa a posteriori que envolve o tal “financiamento público de campanhas”.

A sociedade brasileira, ao contrário do que vimos até agora, não parece tolerante e paciente com a perda de opções de consumo atrelada à pterodoxia inflacionária. E já há quem tenha se cansado do papo furado que tudo justifica em nome de uma ideologia amorfa, indefinida, que ora é de agrado de alguns, ora de outros.

Até então, a mesma sociedade mereceu, com louvor, o título de doutor honoris causa em paciência com aqueles que lhe roubam o fruto do trabalho. Mas, tal título tem algum valor relevante para o futuro?

O que é empreendedorismo?

a) Ensinar ao sujeito que ele deve aprender a correr riscos sozinho e lucrar com o sucesso ou;

b) Ensinar ao sujeito que ele deve sempre procurar privilégios para ele, sem se preocupar com mais nada?

Na sua cabeça, qual é a resposta correta e qual é a resposta que alguns acham ser correta?

O Capitalismo Rentista

Sabemos que uma coisa é o capitalismo e outra coisa é esta monstruosidade que existe no Brasil. Há várias facetas horrosas do mesmo, mas esta dica do SB, o texto do Augusto Nunes, é cruelmente verdadeiro e talvez ilustre uma das piores características deste capitalismo: o lado governamental/paroquial.

A diferença entre os economistas brasileiros sérios e os pterodoxos é…

Simples. Basta olhar a arrogância com a qual os pterodoxos, agora, dão declarações surreais sobre como “os países ricos deveriam resolver seus problemas”. Muitos deles estão empregados por conta do governo atual, claro, mas não são os únicos.

Já os sérios continuam dizendo que não existe almoço grátis e que é preciso desenhar bem os incentivos.

Entendeu?

Chucknomics

  • Chuck não segue a lei de demanda. A lei de demanda segue Chuck.
  • Chuck tem um bem que é de Giffen e normal ao mesmo tempo.
  • A distribuição normal converge para Chuck com T indo ou não para o infinito.
  • Chuck faz os ruídos brancos amarelarem.
  • Chuck causa a causalidade de Granger, e não o contrário.
  • Chuck sempre acha uma log-verossimilhança maior que o seu máximo.
  • O Banco Central não segue a regra de Taylor, segue a de Chuck.
  • Corolário: Os pesos da regra de Chuck são desconhecidos, mas certamente são bem pesados.
  • Chuck zera o desemprego natural.
  • Chuck quebrou e consertou a demanda quebrada de Sweezy (versão marxista de Chuck)
  • Chuck é centro e periferia ao mesmo tempo (versão estruturalista)
  • Chuck inverte qualquer matriz (quadrada ou não) singular.
  • Existe a programação linear, não-linear e a de Chuck, que lhes é superior.
  • Não existem externalidades ou quaisquer tipos de falhas de mercado com Chuck.
  • Não existem falhas de governo com Chuck (versão Public Choice).
  • Chuck possui vantagem comparativa em tudo (além da absoluta, também em tudo).
  • Chuck desagrega a demanda.
  • Não existiam mercados de capitais eficientes até Chuck aparecer.
  • Os investidores são aversos ao risco, mas o risco é averso ao Chuck.
  • Dick, suck my Chuck!
  • O R2 com Chuck é sempre igual a 1.
  • Com Chuck não há problema da escolha ótima: basta olhar para a escolha de Chuck.
  • Erro tipo 1 = aceitar uma hipótese que deveria ser rejeitada
  • Erro tipo 2 = rejeitar uma hipótese que deveria ser aceita
  • Erro fatal = discutir com Chuck
  • Chuck jamais comete erro do tipo I e nem do tipo II.
  • Com Chuck não teve esta de “inflação: gradualismo ou tratamento de choque”. Foi tratamento de Chuck. E ela acabou.
  • Com Chuck existe log de número negativo.
  • Com Chuck economia comportamental é coisa de pederasta.
  • Chuck não faz hedge cambial; o câmbio pergunta a Chuck qual a taxa que ele deseja.

     

    Elaborado pela equipe de professores do Ibmec Minas.

Programas de transferência afetam a pobreza no Brasil?

Descubra a resposta aqui. Pode-se não gostar da conclusão, mas é importante que este debate seja feito. Um governo que berra por impostos mas é incapaz de mostrar um mínimo de racionalidade econômica (ex. trem-bala) não é um bom governo. É um péssimo governo. 

Caso queiramos discutir políticas públicas, não basta o texto machadiano ou a prosa bem estruturada: há que se fazer o dever de casa, ou seja, a análise de custo-benefício. 

Vai um cafezinho aí?

Eis um estudo pequeno, mas didático para quem acabou de aprender a lei de demanda e não sabe o que fazer com ela.

Where to sell the next cappuccino? Income per capita and coffee consumption
Arturo Jose Galindo – Inter-American Development Bank

Abstract
This paper estimates the world demand for coffee using a dataset for 88 countries from 1990 to 2005, and dynamic panel data estimators. Results suggest that the income elasticity of demand is non constant and varies according to a country’s income level. Higher income countries have lower income elasticities than middle and low income ones. Differences in price elasticities are not significant across income groups

Por que didático? Porque geralmente o pessoal tem uma visão muito limitada – quando aprende – da lei de demanda ou melhor, da função (de) demanda. A falta de noção sobre o caráter científico da economia, muitas vezes, impede que o sujeito perceba como aplicar a econometria em problemas do mundo real.

Por exemplo, muitos alunos desistem do curso porque acham a “função demanda muito abstrata”. Entretanto, se você tem uma boa base estatística e entende a ligação entre teoria e prática, as coisas ficam bem mais simples. 

Um preconceito comum acerca disso é o famoso: “mas eu não quero ficar na academia”. Ok, então você está me dizendo que nem precisava ter feito vestibular, certo? Ok, imaginemos que a bronca é só com a aplicabilidade. Neste caso, um bom profissional de marketing poderá lhe dizer sobre a importância da coleta de dados, de seu tratamento estatístico e da estimação. Obviamente, nem todos os profissionais são bons ou tratam de análise de dados, mas pense nisso. Enquanto isso, fique com um café. Eu, por acaso, hoje, estou no chá verde. ^_^

Vida

O bom de assistir estes seminários é que a gente entra em um ambiente muito mais estimulante do que o dia-a-dia. Digo, o papo bom é a exceção na rotina, já que temos que fazer outras coisas para pagar a conta da internet. Aí vem um sujeito, mostra um baita modelo bem feito, com muito capital humano incorporado, dá uma baita aula e você se pergunta: caramba, até hoje eu não consegui chegar neste nível de excelência!

Não, não dá tristeza porque você se lembra que é um daqueles que se incomoda com as falhas e está sempre tentando fazer o melhor possível, com ou sem dor de garganta, gripe ou qualquer outra doença idiota.

No final, o custo marginal se iguala ao benefício marginal e a gente dorme feliz.

SEBH

O SEBH esteve ótimo. Não pude assistir toda a apresentação do Frank sobre seu modelo estatístico para mercados financeiros, mas deu para reafirmar minha crença de que estatística é algo muito bonito e útil. Assisti às apresentações de artigos de Felipe, Sílvio, Salvato. Acho que consegui dar uma boa sugestão para o Salvato, custei a entender o artigo do Sílvio e creio que o Felipe tem um bocado de trabalho pela frente.

Depois do almoço, o Mansueto deu uma verdadeira (mesmo!) aula de economia do setor público no Brasil, seguido do sempre didático (um dos melhores professores de Micro e Econometria que já tive) Marcelo Portugal, falando sobre inflação, metas e, acho, como ele aceitou fazer um trabalho com calibragem (inside joke).

Ah, a apresentação de ontem, com Hollanda Barbosa, o veterano da macroeconomia, foi muito bacana. Alguns pontos comuns com a palestra do Mansueto e, melhor ainda, com discordâncias. Claro, discordâncias, entre economistas sérios, não é a mesma coisa da baixaria dos “cabeças-de-Word” que “besteiram” por aí todos os dias.

Mais uma boa edição do seminário concluída.

Clube do Capital Humano

Enquanto os nacional-inflacionistas – apoiados pelo novo Banco Central? – fazem o que mais gostam que é falar de capital físico, máquinas e tudo o mais, eu, o humanista aqui, preocupado com o capital humano das pessoas, portanto, “economista ortodoxo” e, quiçá, até liberalzão, fico a me perguntar sobre como nosso capital humano pode ter piorado tanto.

Não, não me refiro ao desastre do ENEM. Falo de coisas mais simples ainda.

Leo Monasterio no Ibmec

No Ibmec Minas Gerais, claro. O Leo Monasterio (IPEA) apresentará seu último texto para discussão em co-autoria com Roberta Vieira no qual aplicam a função de bem-estar social na discussão sobre os pesos do Fundo de Participação dos Estados (FPE).

O horário? Começa às 15: 30 h. Não fui informado pelos encarregados sobre em que sala será feita a apresentação, mas não será difícil nos encontrar na faculdade.