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Inflação é coisa séria e pessoas sofrem com isso…e outras

A(s) mantegada(s) de hoje vai(vão) para as risadas, contradições e indecisões. Veja o trecho abaixo da entrevista do ministro.

1. Tem ou não tem? E quem causa o quê, exatamente?

Repórter:  A presidente Dilma tinha dito que a intenção era não mexer no câmbio devido a dificuldade de convergir a inflação para a meta. O que mudou?
Ministro: As medidas que nós tomamos não têm impacto na inflação. O quadro se agravou. Tem gente vendendo títulos dos EUA e buscando alternativas de aplicação.

Repórter: Por que não tem impacto na inflação?

Ministro: O câmbio tem um impacto relativo na inflação. Ele tem colaborado muito com a inflação, pois tem caído. Mas não precisa colaborar tanto assim (risos)! O dólar a R$ 1,20 ia colaborar tremendamente, mas aí acabava com a indústria brasileira.

2. A BM&F está segura ou pior por conta das medidas do governo?

Repórter: O mercado está engessado com os superpoderes do Conselho Monetário?
Ministro: Não estamos engessando o mercado brasileiro, que é um dos mais dinâmicos e por isso tem também muita atratividade. A BM&F é segura, a Cetip é segura, o mercado brasileiro é muito atrativo porque ele é seguro e permite rentabilidade. Engessar, de jeito nenhum. Só aumentamos a segurança. Até poderia dizer que, no futuro, isso vai atrair mais capital, mas o sadio, que se sentirá mais protegido.

3. Competitividade? Com o incentivo a formação de grandes “grupos”?

O resumo da reportagem:  O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirma que o governo não vai manipular o câmbio para combater a inflação e que a estratégia é garantir competitividade da indústria nacional. Em entrevista à Agência Estado, na última quinta-feira, ele defendeu as medidas que dão superpoderes ao Conselho Monetário Nacional (CMN) para conter a especulação financeira e a valorização do real.

4. Esqueçam o que eu disse?

Repórter: Se for preciso conter ainda mais a demanda, a Fazenda apoia?

Ministro: Se tiver algum repique inflacionário, tomaremos medidas adicionais para reduzir o nível de consumo. Podem ficar tranquilos.

Em Mantega (1979), in Mantega & Moraes (1979, p.102), sobre “medidas para reduzir o nível de consumo” e também ilustrando a “preocupação” com a indústria brasileira…

“Para estabilizar a dominação capitalista os ‘empresários-de-vanguarda’ sabem que é preciso dotá-lo de maior legitimidade, o que significa engajar boa parte da população em um projeto de desenvolvimento que, pelo menos na superfície, vise o bem-estar social. Naturalmente, isso vai implicar em algumas concessões, como a supressão de métodos mais drásticos ou traumáticos de apropriação de sobre-trabalho (fim do arrocho salarial) (…). [Mantega, G. & Moraes, M. “Acumulação Monopolista e Crise no Brasil”, Paz & Terra, 1979, p.102]

Ok, os tempos mudam e, como disse a esquerda sobre FHC, ele “esqueceu o que disse” (ou não?).