Uncategorized

Macroeconomia

O nome do livro é Macroeconomia – Teorias e Aplicações à Economia Brasileira, de Carlos J.C. Bacha e Roberto A. de S. Lima. Acho que está esgotado, mas vou falar dele assim mesmo.

Bom, em primeiro lugar, há tempos eu queria ver uma reedição do antigo Branson & Litvack – um livro que me foi apresentado no início dos anos 90 pela Roseli (do blog Random Walk) – e que era de 1976 ou algo assim. O que era bacana neste livro era a abordagem detalhada no que hoje se chama de fundamentos microeconômicos da macroeconomia. A função consumo de Friedman, Duesenbarry, o ciclo da vida…estava tudo lá. Em segundo lugar, um livro geralmente pouco lembrado, mas muito útil, era o de Ivo Torres. Bom, poderíamos continuar com o antigo Dernburg, o famoso Dornbusch & Fischer, etc. Todos livros muito bons em vários aspectos do ensino de macroeconomia.

Bem, Bacha e Lima conseguiram fazer uma espécie de reedição de todos estes livros em um só, com alguns exemplos de economia brasileira, o que eu acho muito, mas muito bom mesmo. Pena que os exemplos não são amplamente discutidos, mas já é uma inovação e tanto (achei até amigos citados lá como o Aguirre e o Fábio Gomes). Qualquer um que lecione sabe que não é fácil encontrar exemplos didáticos de pesquisas acadêmicas para uma disciplina como Macroeconomia e, muito menos, exemplos nacionais.

Eu não marquei a página, mas os autores deixaram passar um Edmond Phelps (ao invés de Edmund Phelps) em algum lugar. Há uma vantagem deste livro para gente da minha idade, mas que talvez não agrade alguns alunos mais novos: a recorrente citação a livros-textos mais antigos (como os que citei acima). Para mim foi ótimo porque posso acompanhar exatamente o que os autores quiseram fazer. Para um aluno mais novo, não sei, pode ser inócuo.

Gostaria de ter visto mais citação de artigos originais e menos de livros-textos, mas não sei se esta era a idéia dos autores. Também ficaram muito pequenas as seções de macroeconomia aberta e teorias da inflação.

Uma coisa que eu não gostei muito no livro foi a abordagem aos novos-clássicos. Gostei da oferta de Lucas, embora os autores não enfatizem muito o caso em que ela fica vertical (nada demais, já que o bom leitor concluirá facilmente sobre isto ao acompanhar o exemplo lá no capítulo 9. Mas acho que a questão do Banco Central e a inflação (o jogo de Barro-Gordon) poderia ter sido citado com mais detalhes. Quanto aos novos-keynesianos, não sei se a ênfase ao modelo do outro Bacha, o Edmar Bacha, como um modelo novo-keynesiano ficou um pouco exagerada, já que outras contribuições são citadas de forma muito rápida.

Outra coisa que não verifiquei detalhadamente é se as curvas desenhadas correspondem às formas funcionais dos exemplos. Lembro-me de ter encontrado este erro em uma das edições de Dornbusch & Fischer, quando era estudante e isso atrapalha um pouco o aluno que gosta de álgebra. Principalmente diante de um livro tão didático como este de Bacha & Lima.

Agora, é ótimo poder acompanhar o mesmo modelo por todos os capítulos, como os autores o fazem. Achei genial e fica bem mais fácil não apenas para o estudante, mas também para o professor. Mas na parte 4 do livro, os autores poderiam ter tentado fazer algo similar ao que faz o manual de macroeconomia de Sachs & Larrain, com um modelo de dois períodos usado tanto para consumo quanto para investimento. Particularmente, não gosto do texto de Sachs & Larrain, mas acho a abordagem de um único modelo que é ampliado capítulo a capítulo muito boa, em termos didáticos (entretanto, a parte da economia aberta deste manual me parece sempre confusa).

Ah sim, na minha opinião, os capítulos 12 e 13 sobre funções de demanda e oferta de moeda ficaram ótimos. Isto faz falta em outros livros-texto. Se eu fosse sugerir algo aqui, seria a discussão de padrões mono e bi-metálicos e mais exemplos brasileiros (os autores poderiam se aproveitar de algumas estimações de Nathaniel H. Leff em seu Subdesenvolvimento e Desenvolvimento no Brasil, 1991, como a estimação da PPP para o Brasil lá nos idos do século XIX, ou os achados de Peláez & Suzigan com a TQM).

Em poucas palavras, se fosse para dar uma nota para este livro, seria um belo 9.5 em 10.

Uncategorized

Liberdade nos EUA, impostos no Brasil e gente que só pensa em populismo…

Não se trata apenas da liberdade econômica, mas da liberdade em seu conceito mais amplo. A iniciativa é ótima e foi pouco divulgada no Brasil (as usual…), mas não apenas vale citá-la como também adaptá-la para verificar nossa baixíssima liberdade econômica, vítima, inclusive, de políticas sem sentido algum, mas com um apelo populista enorme.

Por falar nisso, lembrando do bom lembrete do Ronald Hillbrecht, eis uma campanha cujo custo marginal é praticamente zero e o benefício marginal é positivo: o abaixo-assinado por menos impostos e mais eficiência no Brasil. Não, não é uma campanha liberal. O movimento popular que endossa o abaixo-assinado tem o – sempre elogiado pelo sr. da Silva – Delfim Netto, o heterodoxo Nakano e o liberal Rabello de Castro.