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Não chore: invista no capital humano e você terá aumento de qualidade em seus produtos

Empresários brasileiros, pelo menos os que vejo nos jornais, passam metade do tempo reclamando da China. A China isso, a China aquilo, etc. Como já diziam os antigos: é o velho medo da concorrência.

Tanto os empresários são assim que, quando Gustavo Franco foi à FIESP dizer que não mexeria na taxa de câmbio, os socialistas (ou o Skaf não foi para o PSB?) prometeram nunca mais chamá-lo para nada.

Recentemente, no Fórum da Liberdade, na sua sucursal mineira, ouvi, espantado, um empresário que se declara liberal dizer que, sim, prefere um subsídio a nenhum por causa…da China.

Então a China é a bola da vez. Nos anos 80, era o Japão, mas não tínhamos tanto problema porque o curral da fazenda estava fechado e globalização era algo que nem passava pela cabeça dos brasileiros.

Diante disso tudo, vou dar meus pensamentos que não valem dois centavos: não chore. A vida é dura e você, empresário, está aqui para mostrar à sociedade as virtudes do empreendedorismo. Fica feio chorar porque não quer enfrentar a concorrência. Fica feio reclamar da carga tributária e correr para a fila dos subsídios por causa do Bruce Lee (ou do Jet Lee). Faça o seguinte: invista na qualidade da formação dos brasileiros – seus potenciais empregados – e você verá como tudo ficará mais fácil. Lembre-se: não é apenas derramar dinheiro em uma ONG que diz educar os outros mas prega o fim do capitalismo. Não seja tão idiota com seu dinheiro, invista na qualidade do que se ensina. O dinheiro é seu, você tem todo o direito de pedir que o currículo seja sério, decente, com o mínimo de doutrinação possível. Empregados doutrinados não são produtivos, são só pontos retransmissores de discursos malucos. Empregados educados são os que conhecem vários pontos-de-vista, por exemplo, na Filosofia, e são capazes, por si mesmos, de escolher o que acham ser o mais adequado para suas vidas.

Acho que ainda é tempo. Confio na burrice decrescente ao longo do tempo (acho que sou um iluminista otimista) e acho que um dia sairemos do nível incivilizado e selvagem de hoje, no qual nem políticas públicas são avaliadas e, quando o são, as análises são ignoradas pelos políticos e, pior, pelos pagadores de impostos.

Mais qualidade na educação, melhor ciência, soluções mais eficientes.

Precisa mais?

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Comecei a ler e já gostei

Este livro é um dos resultados dessa linha de pesquisa e, como tal, ele se desenvolve num plano distinto daquele em que o assunto costuma ser abordado em nosso país. Seja nas matérias jornalísticas, que em geral possuem como centro uma entrevista em que uma personalidade política ou por um integrante da Rede de Revitalização que coloca, em tom de magister dixit, a sua opinião, ou que são elaboradas por jornalistas que “cobrem” a área e que não raro participam, eles próprio (sic), da Rede, seja nos blogs e sítios da internet ou nas revistas que no Brasil se dedicam a acompanhar o tema. O material que apresentam quase nunca está amparado em fontes de dados, marcos analítico-conceituais, referências metodológicas, instituições acadêmicas, trabalhos científicos de analistas de competência reconhecida, etc”. [Dagnino, Renato. A indústria de defesa no governo lula, Expressão Popular/FAPESP, 2010, p.18-19]

Este trecho me animou a investir na leitura deste livro. Sabemos muito bem que a qualidade de certos argumentos, no Brasil, é péssima. Tudo porque se insiste no desprezo à ciência (por motivos ingênuos ou politicamente mal-intencionados), sob uma desculpa estranha de que, “no Brasil, a gente não precisa disso, companheiro, basta olhar nos olhos do povo”.

Este Dagnino teve muita coragem de escrever este trecho. Já está de parabéns, independente do restante do livro. Mas eu vou lê-lo sim. Em breve.

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Econometria e a lupa

Claro que toda análise de uma série de tempo começa por uma bela examinada do gráfico da mesma. Nada mais natural. Mas a econometria não foi feita para “confirmar” a intuição do pesquisador porque, aliás, o certo seria “não rejeitar” e, adicionalmente, só a vaidade e a pretensão fariam um pesquisador bater o pé em sua intuição a despeito do que os testes estatísticos dizem.

Eventualmente, a lupa (intuição) do mané pode até ser não rejeitada pela econometria. Mas nem sempre isso acontece. Assim como a Economia não foi criada para aceitar (não rejeitar) o que você pensa da realidade, e sim para testar sua intuição, a Econometria não foi feita para dar o aval a qualquer intuição que o sujeito veja no gráfico.

p.s. o mais fascinante é que a econometria evolui, possibilitando-nos usar novos testes contra os antigos e rever vários resultados importantes. Mas nada disso seria possível com a atitude “cabeça-de-Word” de que: “X ou Y é óbvio no gráfico”. A única coisa óbvia, em ciência, é a nossa ignorância (claro, como disse Ronald Coase, a ciência é o resultado dos interesses particulares dos cientistas e, portanto, outra coisa óbvia é a vontade de poder de certos cientistas…).