Este é o vôo 2011

Bem vindos a 2011.

Pedimos que prestem atenção nas instruções a seguir, mesmo que já sejam viajantes experientes.

Em caso de despressurização do ano, máscaras de oxigênio cairão do teto. Alguns poderão ficar sem máscaras por conta dos impostos e da burocracia, mas se preencherem os formulários (e não houver greve dos aeroviários), receberão a máscara em seu endereço residencial por meio do monopólio dos correios brasileiros (…se não houver greve dos correios).

Estique o elástico e coloque sua máscara primeiro antes de colocar as das crianças. Bem, cuidado porque se houver um político ao seu lado, ele tentará roubar a da criança com algum argumento como “cota” ou “política social”, para não falar em favorecer alguns grupos com grana do BNDES para concorrerem (concorrerem?) no mercado internacional.

Este ano tem três saídas laterais. Duas na frente, duas no meio e duas na parte traseira. Lembro que os cidadãos que sejam funcionários públicos do núcleo governista terão prioridade na saída da frente. A patuléia deve fazer fila para sair pela parte traseira que, aliás, é por onde sempre transita a patuléia em qualquer vôo mesmo…

Caso 2011 vá por água abaixo, observe que o assento de sua poltrona é flutuante. Bem, na verdade, o chão em que pisamos também o é porque fundamentos econômicos para um crescimento sustentável só mesmo em discurso de político. Mas não se preocupe porque, uma vez no mar, ninguém é de ninguém e aí sim, a democracia brasileira funcionará…para os predadores marítimos. Lembrando, claro, que peixe grande como o pequeno e ambos podem ser engolidos por um tubarão ou mesmo se afogarem mas, pelo menos, não será no mar de lama (exceto se 2011 cair próximo a um pântano algo similar).

Pedimos que obedeçam os avisos luminosos de não fumar e apertar os cintos porque 2011 pode passar por turbulências e, claro, nem tente fumar porque há detectores de fumaça até nos banheiros. Aliás, por favor, após despejarem seus dejetos no banheiro de 2011, não esqueçam de dar a descarga porque de cheiro ruim no ano estamos todos cansados.

Recomendamos a leitura do cartão que se encontra no banco à sua frente. Se você é analfabeto funcional, ainda assim não terá como não entender: o cartão é só desenho. Tem que ser muito imbecil para não entender nada dele. Vá lá que um ou outro desenho possa lhe deixar em dúvida, mas só morre no início de 2011 quem der muita chance para o acaso.

A tripulação de 2011 e seu comandante lhes desejam um boa viagem e….Feliz Ano Novo!

p.s. esta mensagem não deve ter o mesmo impacto se 2011 sofrer atrasos nos aeroportos…

Há anônimos e anônimos…

Há gente como o Coronel, que nem sempre se sai bem com a estatística, mas é uma voz importante na oposição ao governo e é um crítico mordaz do mesmo. Há também o “O” anônimo do Mão Visível, que nos brinda com boas análises econômicas. Gente assim é anônima mas é educada e argumenta.

Contudo, há anônimos como a Kátia (ou Paulo), cujo email é falso e, portanto, o nome deve ser falso. Assim, não sei se é Paulo, Cátia, Roberta, Telma ou Jerônimo. Gente como ele vem aqui, lê um argumento, não concorda e tenta ridicularizá-lo. Basta acompanhar os últimos posts para ver como Cilene (ou Paulo) pensa ser o procedimento de uma argumentação educada: ele lê o texto, não gosta, dá uma explicação tentando desqualificar a outra. Agressivo, como se estivesse em um daqueles programas de tarde em TV aberta, pensa estar ganhando a discussão.

Provavelmente nem sabe o que é efeito substituição, porque ele usa (sem o saber) o argumento do efeito renda e ridiculariza o outro com um ponto bem ilógico (“trazer o exemplo dos EUA para o Brasil”), como se o efeito substituição fosse uma exclusividade geográfica do norte.

Além disso, Marlene (ou Paulo) tem dificuldade em lidar com o fracasso (ou mesmo com o engano) e a falta de conhecimento (já que não sabe o que é efeito substituição). Sem falar na óbvia dificuldade que Joelma (ou Paulo) tem em revelar sua identidade. Medo de represálias não deve ser já que não detenho cargo público no Brasil.

Enfim, parabéns aos bons e educados anônimos. Aos outros, bem, sempre existe um cantinho de comentário em algum lugar. Que se divirtam lá, não aqui.

Gol contra

Como eu já havia previsto aqui, a viagem de Ano Novo sofreu seu primeiro ataque com a greve disfarçada dos aeroviários. A Gol me informa que o serviço de marcação de assentos em seus vôos é uma “facilidade” que disponibiliza aos clientes e que, na prática, não tem valor algum já que pode mudar conforme “necessidades de outros passageiros” e qualquer outro motivo.

Se não fosse pela pouca concorrência do setor – parte da filosofia “desenvolvimentista” que marcou os últimos quatro anos da administração da Silva e foi reeleita pelos eleitores da presidenta – isso não ocorreria com a mesma intensidade. Sem falar na imprensa, que está bem gentil com a “greve-que-não-é-greve”, ao contrário dos anos anteriores.

Gol contra da Gol.

O derretimento do desenvolvimentismo bolivariano-dentro-do-armário

É o estilo da administração da Silva, em seu melhor momento desenvolvimentista. Coletâneas de textos de supostos “desenvolvimentistas” (sic) não poderiam ser mais eloquentes do que os trechos citados.

Isto é o que os eleitores da sra. Rousseff desejaram para o Brasil ao fazerem suas escolhas. Sim, porque não foi por falta de aviso.

Kokoro

Natsume Souseki já foi citado neste blog como um dos maiores escritores japoneses do final do século XIX. Seu mais popular livro – creio – ainda está sem tradução para o português: Botchan. Contudo, já se tem Eu sou um gato e, agora, Kokoro. Ontem eu me dei este livro como um presente de Natal. Espero não iniciar e terminar a leitura no aeroporto, mas que eu o começo logo, eu começo.

Desta vez não vou colocar links. É só dar uma busca no google, ou mesmo neste blog, para encontrar algumas referências sobre o autor.

UPDATE: a edição nem é tão nova, mas eu só a encontrei agora. De qualquer forma, fica a propaganda gratuita…

Uma parte disso é o efeito substituição

Com a greve anunciada dos aeroviários, diversas famílias resolveram viajar de carro ou ônibus. Bem, então, uma parte dos acidentes nas estradas se deve à greve. Este é um dos motivos pelos quais greves como esta podem ter consequências inesperadas. Obviamente, nenhum aeroviário quer matar pessoas, mas infelizmente, isto era previsível pela teoria econômica.

Mesmo que a greve acabe, a decisão de comprar passagens de ônibus ou encher o tanque já foi tomada e poucos a reverterão. Uma pena.

Lembro-me da história contada por McKenzie, em seu excelente livro de economia sobre algo parecido ocorrido nos EUA. Mas lá, a discussão era sobre o aumento no preço das passagens aéreas causado por uma regulação governamental.

Financiamento privado de bens públicos

Como sempre a sociedade nos provê exemplos de financiamento privado para bens públicos. Quem já estudou a Teoria dos Clubes sabe que isso é possível em termos teóricos e, bem, quem nunca pensou sobre o tema encontrará nesta notícia um exemplo notável de que um bem público (e suas variantes) não necessita ser financiado por algum governo, mas sim por entidades coletivas privadas como um simples grupo de amigos.