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Estelionato eleitoral e a crítica de Lucas

Em 1986, vários atuais ocupantes do comando da administração da Silva – e seus aliados – fizeram grande alarde sobre as mudanças no Plano Cruzado feitas após a esmagadora vitória do PMDB nas urnas. Longe de mim defender o Plano Cruzado e o congelamento insano de preços.

Mas é curioso que, agora, vários governadores do mesmo naipe do discurso “dilmasia”, popularizado em Minas Gerais pelos principais interessados nesta aliança, venham a público falar em prol de mais uma CPMF.

Em um seminário recente, vi um economista muito bom falar – em um mundo absolutamente sem instituições endógenas – que o gasto maior do governo era fruto do consenso social. Trata-se de um argumento bom e útil para explicar a dinâmica do governo, mas ignorando qualquer traço de economia política da análise. Pois mesmo que tomemos este argumento como certo, não duvido que agora vamos ouvir o mesmo conteúdo sob a roupagem de uma justificativa normativa para aumento de gastos. Parece mesmo com uma versão verborrágica da crítica de Lucas.

Agora, o curioso é imaginar em que votou o eleitor mediano. Realmente ele votou pelo aumento de impostos para manter o mesmo nível de gastos governamentais? Sem olhar os dados, eu afirmo categoricamente: não. Já temos fartas evidências comportamentais de que os eleitores, sabendo que não há almoço grátis, querem que outrous paguem a conta, mas não ele próprio. Simples assim. Como a administração da Silva nunca sinalizou com algum tipo de responsabilidade do tipo “você quer, você paga”, não se espere nada diferente disto.

Houve um estelionato eleitoral? Houve. A outrora “do-lado-do-povo” oposição, hoje governo e a “oposição-que-nunca-foi”, atual mandatária na maioria dos estados, compactua com propostas básicas e perigosas como: (a) controle estadual/federal da imprensa e (b) gasta primeiro, cobra depois (populismo fiscal).

Seria bom que a administração Rousseff fosse mais incisiva – não apenas palavras que desmancham ao tocarem o ar – sobre suas preferências fiscais.