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Há vantagens em se estar em uma universidade pública?

Bem, há. Você pode assistir um mini-curso que um professor prepara sob demanda. E não tem os nhe-nhes de sempre.

Claro, nem todo mini-curso é bom porque nem todo professor sabe do que fala. No caso do Erik, contudo, é difícil encontrar alguém mais adequado para falar de pobreza e distribuição de renda.

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Quer enfrentar o terrorismo? Promova a demolição de casas. What?

Calma, calma. Mas veja que bacana:

Counter-Suicide-Terrorism: Evidence from House Demolitions

Efraim Benmelech, Claude Berrebi, Esteban Klor
NBER Working Paper No. 16493
Issued in October 2010

This paper examines whether house demolitions are an effective counterterrorism tactic against suicide terrorism. We link original longitudinal micro-level data on houses demolished by the Israeli Defense Forces with data on the universe of suicide attacks against Israeli targets. By exploiting spatial and time variation in house demolitions and suicide terror attacks during the second Palestinian uprising, we show that punitive house demolitions (those targeting Palestinian suicide terrorists and terror operatives) cause an immediate, significant decrease in the number of suicide attacks. The effect dissipates over time and by geographic distance. In contrast, we observe that precautionary house demolitions (demolitions justified by the location of the house but not related to the identity or any action of the house’s owner) cause a significant increase in the number of suicide terror attacks. The results are consistent with the view that selective violence is an effective tool to combat terrorist groups, whereas indiscriminate violence backfires.

Interessante, não? Agora vamos pensar em como isto seria interessante no Brasil. Grupos de crime organizado e terroristas rurais teriam um belo incentivo para cumprir a lei, não? Eis aí uma interessante proposta de política pública que ainda não foi discutida aqui (e, claro, se há respeito à ciência (e se podemos discutir aborto), não há porque descartar este debate com desculpas “politicamente corretas”, certo?).

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Macumba

Ontem, como resultado de intensa macumba conjunta dos pterodoxos e bolivarianos, quase me mato com uma espinha de peixe. Entretanto, tudo terminou bem.

p.s. a teoria da conspiração é uma homenagem aos pterodoxos e bolivarianos que sempre a usam para justificar seus fins, independente dos meios.

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A oposição do futuro

Depois da queixa do Ronald e do Cristiano, dentre outros, acho que a reflexão daqueles que não concordam com vários pontos da agenda política da esquerda latino-americana (muito bem resumida nos diversos documentos do Foro de Sao Paulo e em depoimentos de vários falcões da esquerda brasileira, na grande imprensa), deveria ser (e será): o que seria uma oposição viável?

Durante anos aprendemos – por observação e vivência – que a esquerda bolivariana (eles já quase não negam mais o rótulo, então estou até sendo cortês ao chamá-los assim) soube controlar, em média, seus amigos e inimigos com mensalão, um discurso do tipo “se todos fazem, eu também posso fazer, o que importa são os fins”, ameaças de aliados (como as recorrentes ameaças do MST), afrouxamento institucional, etc.

Os libertários, uma promessa de oposição viável, podem surgir como uma opção viável se pularem algumas etapas da adolescência política, deixando de lado a opção exclusiva (ou quase-exclusiva) pela vida virtual e adotar uma postura mais física: pessoas têm que ver pessoas na rua protestando para acreditarem.

O MST é uma versão um tanto radical – e violenta (de forma seletiva e, claro, com a esperteza da inexistência de uma personalidade jurídica) – do que os libertários querem para uma sociedade mais participativa. O Tea Party, que é um belo exemplo de movimento social, inclusive com tolerância (há de tudo lá dentro, mas eles não se matam por isso), seria uma opção interessante. Infelizmente não existem tantos libertários assim para discutirem nas ruas.

A oposição atual – esta besta quadrada – não convenceu como alternativa. O que vimos, fruto do mais puro teorema do eleitor mediano foi que, no final, os candidatos falavam as mesmas bobagens e poucos elementos poderiam ser apontados como diferenciadores pró-candidata vencedora. Mesmo a corrupção na Casa Civil – recorrente em todos os jornais (exceto naqueles chapa-branca) – nos últimos 8 anos foi um elemento incapaz de convencer o brasileiro a mudar o voto. A reclamação do cidadão é simples: “todo mundo faz isto, mas esta aí me deu X ou Y”.

O eleitor é free-rider, como nos ensina a teoria econômica. Mudar seus valores é um bom começo, mas isso dura gerações e sempre será um trabalho inacabado. Em outros lugares do mundo, este esforço vem sendo feito há anos. No Brasil, os libertários mal conseguem ensinar 3 pessoas em uma kombi. Os empresários, que geralmente curtem o capitalismo, estão mais ocupados em conseguirem recursos do governo (empresários também são eleitores, logo, free-riders) e não se pronunciam (quase) nunca sobre as virtudes do mercado.

No curto prazo, entretanto, há uma agenda de discussões importantes. Por exemplo: a política social precisa ser esta? É bom, para seu futuro, eleitor, que a política fiscal, monetária e social sejam estas? Almoço grátis não existe, por mais que tentem te dizer o contrário. Quem lhe vende ilusões? Quais são e, mais importante, como evitá-las? O que se pode obter de melhor em uma administração alternativa, menos influenciada pela assombração que assola o continente, o bolivarianismo?

Aliar-se a gente deste ou daquele partido não é a resposta. A resposta é uma aliança em torno de pontos básicos que não sejam messiânicos (o libertário não existe em quantidade, como os bolivarianos, para se dar ao luxo de fazer isto), sob uma liderança cuja reputação seja realmente ilibada e que, ao mesmo tempo, consiga gerenciar os inevitáveis oportunistas que surgirão.

Fácil não é. Mas não há muitas opções, há?

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O que fazer diante da crise?

Guy Sorman [hat tip: SB] escreve um artigo no qual resume os argumentos de vários economistas sobre o assunto. Aliás, é um bom artigo. Para os que insistem, principalmente entre a pterodoxia brasileira, em caricaturas, a leitura tem um efeito educativo e, caso o pterodoxo não consiga aprender nada com leituras, um efeito de irritar (e gerar comentários mal-educados em blogs).

Vale a leitura. Também vale a leitura os últimos capítulos do livro do Gustavo Franco que citei ontem.